10 saudades que temos de Six Feet Under

Richard Jenkins

Mesmo tendo morrido no primeiro episódio da série (o que invalida esta informação como spoiler), Nathaniel Samuel Fisher (1943–2000) é um dos mais importantes e presentes personagens da série. Ele aparece tanto em flashbacks quanto como fantasma, sem esquecer de suas passagens fantasiosas, quando seus parentes pensam/imaginam suas reações a determinadas coisas.

É nesses delírios que vemos o lado mais humano dos personagens, com seus medos e exposição de caráter, assim como fragilidades e carências. O mais bacana é que a falta de informações sobre ele em vida, nos faz sentir tanta falta do personagem quanto os próprios Fisher devem sentir. Mas ao final da série você tem a impressão de que o conheceu tanto quanto qualquer outro deles.

E, claro, Nathaniel não seria nada sem a fantástica atuação de Richard Jenkins. Ele conseguiu dar ao personagem uma unipresença singular, com humor tão peculiar quanto nenhum outro, já que para cada Fisher, ele era uma pessoa diferente. Versatilidade resume.

A abertura

Hoje em dia todas as aberturas de séries parecem ter duração de 5 segundos. Uma pena. É bom lembrar que antes algumas produções se dedicavam neste sentido, com créditos de abertura que são verdadeiras peças de arte. Six Feet Under é uma dessas. E o próprio DVD da série é uma prova disso. Há um making of que mostra todas as curiosidades de produção dessa peça original que esteve em todos os episódios, das cinco temporadas.

Muitas vinhetas ficam velhas com o passar do tempo, afinal algumas séries têm vida longa. Mas quando uma vinheta é bem feita, isso não acontece. E é exatamente pensando nessa quantidade de tempo que os caras da HBO parecem pensar quando produzem suas aberturas.

Mas o mais bacana é que a vinheta era um complemento da sequencia inicial, onde ficamos imaginando quem vai morrer e como vai morrer.

O humor negro

Em dado momento da série, a própria Claire se refere a rotina de sua família como algo que a distancia de ser normal. E é verdade. É difícil ser igual as outras pessoas quando corpos são preparados para seus funerais no porão de baixo. Como ela mesmo disse: como ser normal em uma casa onde há um pé de cadaver sobrando???

Isso rende uma gama de situações e piadas que são genialmente aproveitadas pelos roteiristas da série. Enquanto há grande respeito pela morte e as situações dramáticas que ela pode oferecer, também temos o inusitado, como Rico e os irmãos Fisher almoçando e conversando normalmente ao lado de corpos mortos. Sem contar quando os próprios mortos dão a participar dos diálogos dos vivos.

Os devaneios

Se morar em uma funerária não é surreal o suficiente, temos ainda os devaneios dos personagens. Quem nunca se imaginou cantando e dançando em uma situação qualquer? Pois em Six Feet Under isso acontece. Pelo menos na imaginação.

Quer dizer, na maioria das vezes é apenas imaginação. Em outras você até se espanta, afinal algo bizarro acontece e você até fica esperando alguém acordar do sonho maluco, mas não. Aquilo realmente era de verdade. Essa é uma das melhores coisas da séries.

É novelão e ainda assim é realista

Uma morte devastadora na família. Relacionamentos a dar com pau. Um irmão que volta para casa. A visita inesperada de uma ex-namorada grávida. Abortos. Divórcios. Sequestros. Romances secretos… Six Feet Under na verdade não passa de uma novela. A diferença é que esta novela é super bem amarrada e com profundidade de personagens. Nada ali é inédito, mas é feito com tanto requinte que acaba sendo novo.

Os melhores diálogos e jantares

Sempre que Ruth prepara um de seus famosos jantares, alguma coisa acaba saindo errado. Mas pelo menos eles rendem diálogos e frases maravilhosos. Grande parte do charme da série está em apenas ver esses personagens conversando, o que vem acompanhado de momentos hilários e inóspitos. Acrescente um convidado e a garantia de situações constrangedoras é certa. Melhor ainda quando um dos participantes está drogado!!!

Evolução do enredo

As séries da HBO são famosas por se excederem em alguns aspectos. Em Sex and the City tinhamos muitas cenas de sexo, assim como em True Blood. Em Game Of Thrones temos violência a dar com pau, em Sopranos também, assim como muitas cenas mostrando o uso de drogas. E talvez Six Feet Under tenha sido a que mais se arriscou neste sentido, afinal reunia tudo isso em grandes doses.

Mas o melhor é que a série nunca se tornou um remendado de cenas polêmicas, afinal esses recursos eram usados para posicionar seus personagens e suas problemáticas, o que se transformava em base para suas evoluções e resoluções. Todos são muito bem escritos.

Relacionamentos nus e crus

“O amor não é algo que você sente, é algo que você vive. Se a pessoa com que você está não aceita isso, faça um favor a você mesmo e guarde-o para outra pessoa.” -Nate Fisher (The Rainbow of Her Reasons, 5.06).

O amor não é perfeito em muitos aspectos, e Six Feet Under mostra isso com certa destreza. Mesmo com a vida sexual ativa de uma senhora que já vive seus anos de menopausa, ou retratando um casal em terapia conjunta, ou algum personagem ninfomaníaco, ou então na rotina de um relacionamento gay. A maneira como todos esses relacionamentos são mostrados é real e intensa. Você se envolve e se emociona.

E a gente acaba ocupando um posicionamento até voyer diante disso tudo. É tão real.

Uma família tão real quanto a sua

O episódio piloto da série mostra o quanto a familia Fisher vem engolindo suas emoções com o passar dos anos e toma isso como mote para todos os episódios vindouros. Agora os Fisher vão mostrar o que sentem e isso vai causar. E assim a série passa a mostrar uma cartela de hábitos que estão encrustrados não apenas naqueles personagem, mas em qualquer pessoa comum. Não raro você se perceberá em um dos personagens da série. Seja em um grande problema que ele passe, ou mesmo um pequeno. Mas, principalmente, em seus medos e fraquezas. E por isso a série é tão emocionante.

Todos são humanos, passíveis de falhas e acertos.

O melhor final de todos os tempos

A série tem seus momentos e te arranca emoções. Você chora, você sente Six Feet Under. Mas a medida que ela começa a terminar, tudo fica ainda mais a flor da pele. Os últimos quatro episódios são tão intensos que você chega a duvidar de como o final da série poderia encerrar tudo com chave de ouro e ir além. Mas ele encerra.

Everyone’s Waiting é uma montanha russa de emoções, uma verdadeira catarse que te faz pensar em sua vida, enquanto você acompanha os últimos momentos daqueles personagens na TV. Da série. O que fazer depois do fim dela?

E quando acaba, você se sente acabado também. Em uma verdadeiro luto após uma experiência avassaladora, que série nenhuma conseguiria proporcionar. Perfeição plena.

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