2004: Ponto de virada na história

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A linha do tempo não é nem um pouco exata. Algumas coisas aconteceram em um tempo, se popularizaram em outro… A internet foi se popularizando no final dos anos 1990, com tudo ainda muito amador. Algumas crianças — como foi meu caso — se admiravam com as possibilidades e queriam participar. Lendo umas coisas aqui e ali, perguntando para outras pessoas, foram dando os primeiros passos na programação.

Pouco depois surgiram os blogs, que facilitaram tudo. E as redes sociais, ainda “exclusivas”, com acesso via convites. Nessa época os fóruns ainda eram o modelo mais próximo de redes sociais. Apesar de as conexões de internet ainda não serem poderosas como hoje — e já nem parecem tão rápidas assim — ainda não era algo popular, tampouco simples.

Mas o que aconteceu em 2004 para ser um ponto de virada? Bem, no dia 22 de setembro de 2004 estreou uma série na televisão norte-americana. Projetada para salvar o canal ABC, que vinha em dificuldades em termos de audiência, Lost estreou na tv. Pouco depois de fazer sua verdadeira première no lugar mais determinante de todos: a San Diego Comic Con.

Alguns gostam de diminuir os feitos, dizer que a série nem era tão boa assim, que seu sucesso se deve exclusivamente à tecnologia. Tirando o fato de que não há boa vontade — ou marketing — que resolva um produto ruim, Lost contou com um conjunto interminável de fatores para ajudar, de fato.

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A San Diego Comic Con é o templo nerd do universo, fazer sucesso lá é garantia de qualidade. Antes de a série estrear, já haviam militantes que a defendiam, baseados no buzz alcançado no evento. A popularização do download de filmes completos e as legendas amadoras também fizeram sua parte, assim como os fóruns de discussão, que formaram os fandoms.

Mas até aí, nada tão inovador. Eram ações que já haviam sido feitas antes. Mas a narrativa e a estrutura do roteiro eram especiais. Os flashbacks, os mistérios sem resposta e a sensação de que nada estava a salvo foram fortes engajadores.

A primeira temporada correu bem, com os mistérios crescendo, até terminar, em maio de 2005, de forma arrasadora. As listas de perguntas sem respostas não tinham fim. Como os fãs iriam aguentar até a próxima temporada começar? Então começou o Lost Experience.

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Isso sim era novidade. Sites secretos, mensagens de voz e texto via celular, números de telefone, fragmentos de vídeos, até o site real da Oceanic Airlines empresa fictícia de aviação. Por meses os fãs foram alimentados com pequenas informações que não apenas expandiram o universo e respondeu algumas das questões — sem trazer prejuízos aos que não participaram da brincadeira.

O sucesso foi tanto que essa se tornou uma tradição entre temporadas. Ao fim de cada temporada teve início um novo ARG (Alternate Reality Game), com novas respostas, novas informações e principalmente: novas perguntas. A mitologia da série se formou rapidamente, até se tornar, de fato, em mitologia.

Uma série de televisão que não ficou somente naquela caixa preta da sala de estar. Soube sair dali e impactar o público em todas mídias, se tornou onipresente. Saiu da TV para os livros, telefones, celulares, redes sociais, sites, blogs…

Outras séries já usaram estas estratégias, aproveitaram bem as mídias disponíveis, mas nesses 10 anos desde a estreia, nenhuma outras soube usar tudo isso ao mesmo tempo e de forma tão contundente.

Lost conseguiu fazer os americanos se apaixonarem por um acidente de avião apenas três anos após o 11 de setembro. E eu sou feliz de poder dizer: Eu vi e vivi isso tudo.

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Thiago de Carvalho Rêgo

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