24 Horas: Corrida contra o tempo

Vencedora de prêmios como Emmy e Globo de Ouro, 24 Horas é um dos maiores ícones culturais recentes da história dos Estados Unidos. Nascido na era pós-11 de setembro, o seriado traz um herói controverso que não poupa porrada em prol do justo, do correto, segundo sua orientação. Jack Bauer é muso e nesta semana ele inspira a coluna O Melhor e Pior de… 24 Horas!

Um Herói Mais Humano

Jack Bauer é o cara! Poucos heróis de séries de TV foram tão humanos quanto ele. Ele corre em busca da verdade e escorrega muito por conta disso, afinal ninguém é o dono dela, pelo menos não em 100%. Bauer tem lá seus problemas e defeitos, além do envolvimento com o moralmente errado — tipo drogas mesmo!

Vive seus fantasmas com família e consigo mesmo,uma vez que a coisa mais difícil do mundo é ser Jack Bauer, o homem que é quase uma bomba de tão tenso. É um cabeça dura e teimoso que, por conta disso, já ficou à margem do sistema e até foi caçado por quem tanto serviu, justamente por sua sede de justiça. O que nos faz pensar o quanto ‘justiça’ é algo relativo.

Linguagem e Edição

O frisson de 24 horas em muito se deu por sua linguagem revolucionária. Pela primeira vez, era possível conferir uma história que se passava em tempo real, com acontecimentos cronometrados rolando ao mesmo tempo em sua tela, e detalhes tão bem sincronizado, o que gera um trabalho milimétrico para o time de produção e pós-produção.

Hoje, pode parecer coisa pouca, mas é necessário lembrar que, após sua estreia, diversas obras (até mesmo o cinema) tentaram trazer o conceito do tempo real de maneira mais clara e bem aproveitada. Nunca o clima de tensão se estabeleceu com tamanha precisão.

Paralelos Políticos

Jack Bauer surgiu numa época delicada para a história dos Estados Unidos, até por isso o herói anti-terrorista pode ter ganhado tanto respeito e admiração do público em suas primeiras temporadas. Com o passar do tempo, isso ficou um tanto desgastado, porém em seus últimos instantes, o time de produtores e roteiristas voltaram a fazer muito bem algo que sempre souberam explorar: paralelos políticos.

Quando o real inspira o ficcional, o envolvimento de quem acompanha fica ainda maior justamente por conta das referências veladas. E o que bem prova isso foi o encerramento da série com uma crítica ao próprio governo norte-americano e sua tendência ao opressionismo. Na oitava temporada, a ameaça a um pequeno inimigo em nome de seus desejos políticos egoístas é o que finaliza a relação de Bauer com quem ele tanto defendeu. Excelente!

Repetição da Fórmula

Por mais inovador que seja, uma hora a coisa cansa. Para manter o ritmo, não há como fugir: é necessário um ótimo roteiro! É sempre o roteiro!!!

Mas nem sempre 24 Horas conseguiu ser ótima, apesar de, na maioria das vezes, conseguir ser pelo menos boa. Ainda assim, a fórmula foi desgastada. Como em todo filme de ação, 24 Horas é o tipo de história que precisa de correria, pancadaria e explosão. Mas como fazer com que esses elementos não sejam batidos e fisguem o telespectador quando tudo o que mais se vê na TV é exatamente porrada e explosão?

Assim, tivemos fiascos como a sexta temporada da série, que focou nos chatos dramas da família de Bauer, envolvendo-a numa conspiração. E não se esqueça das mudanças de cenário para Washington e depois Nova Iorque, que aconteceram de forma um tanto lenta e com elementos que demoraram a engatar. E eu não vou nem falar em Dana Walsh…

Descarte de Palmer

O segredo de um bom roteiro é o desenvolvimento de seus personagens e não há melhor maneira de desenvolver um do que relacionando-o com seu antagonista. Agora, deixe os vilões da história de lado, pois na maioria das vezes, eles não são os antagonistas! O verdadeiro antagonista de Bauer foi, durante boa parte da história, o presidente David Palmer.

Depois de Bauer, apenas ele conseguia atingir um bom nível na escala dos mais fodões. Enquanto um descia o coro sem medir o que era certo ou errado, o outro passava a mão na cabeça, dava apoio e suporte. Era uma dupla com tanta química que Batman e Robin teriam inveja. Uma pena terem colocado um fim a esta relação.

A Interpretação de Kiefer

Vamos ser honestos: por mais que Bauer tenha sido um dos melhores personagens da TV nestes primeiros anos do novo século, muito se deve ao bom texto desenvolvido. Bauer foi por muito um balaio de emoções e reações às controversas ações e situações apresentadas no roteiro.

Quero dizer que o personagem era o que era por conta do extremo em que era encaixado. O sensacional era ver como ele respondia a tudo aquilo. Enquanto a interpretação de Kiefer Sutherland era de doer. Canastra, durão e um tanto inexpressivo, às vezes ficava difícil não considerar que Bauer era, na verdade, uma extensão do próprio Kiefer.

Já viu o ator dando entrevista? Parece o Jack Bauer de folga falando sobre futilidades… Pelo menos, ele é carismático.

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