5 dias que, sem querer, conseguiram mudar a indústria musical

Saiba os 5 dias que mudaram o rumo da música de maneira não intencional.

Seja por causa de uma ideia, mudança ou simplesmente um lançamento, as posições a seguir não puderam medir as consequências que suas ações poderiam causar no mundo da música, pois as reações foram as que transformaram definitivamente a forma pela qual nós consumimos esses produtos.

5) 30/01/1973 — KISS se apresenta mascarado pela primeira vez

Há mais de 30 anos a banda, que anteriormente era conhecida como Wicked Lester, se apresentou pela primeira vez em uma casa de show em Nova York chamada The Conventry. Dessa vez, sob o nome de KISS e com um diferencial, os integrantes da banda usavam maquiagem preta e branca, cada componente tinha uma representação, Paul Stanley como Starchild, Ace Frehley como Spaceman, Peter Criss como Catman e Gene Simmons como Demon.

Em entrevista para revista americana Rolling Stones, Gene Simmons explicou “A gente parecia jogadores de futebol americano, todos da banda tinham mais de 1,80 de altura e isso não era convincente. As primeiras fotos que tiramos quando nos juntamos, nós parecíamos drag queens. Mas sabíamos que queríamos algo estranho. Nós não éramos uma banda igual ao Grateful Dead, que entrava no palco e ficava despercebido como um roadie trabalhando. Isso apenas não era a gente. Subir no palco era algo sagrado para nós, como uma igreja, então estar no palco parecendo um vagabundo não era a minha ideia de respeito. Aí que entra a maquiagem e a roupa. Obviamente, teria sido mais fácil subir no palco vestindo jeans e uma camiseta como se fossemos os Ramones e isso poderia ter sido válido, porém não teria sido honesto”.

O visual da banda foi tão icônico que se tornou mais que um diferencial, virou uma referência. Com isso, o KISS inventou o marketing da banda, bonecos foram criados, fantasias, jogos de vídeo game e até mesmo caixões, fãs puderam se vestir igual aos integrantes, marcas usavam maquiagem do grupo para poder atrair mais público, e isso só elevou o nome do KISS. A reação de todo esse acontecimento foi simplesmente o fato da indústria musical poder focar em todos os artifícios lucrativos para poder promover determinado artista.

Os integrantes mal sabiam que ao usar maquiagem inventariam o marketing de uma banda, o qual poderia elevar seu status e, assim, venderiam de bonecos até caixão. E você nem imaginava que, por exemplo, uma boneca da Chiquititas teria uma ideia vinda originalmente pelo KISS.

4) 01/08/1989 — FBI manda carta para N.W.A.

Na década de 80, o rap/hip hop americano não tinha letras que denunciassem o governo e falassem abertamente sobre a pobreza e violência enfrentada pela minoria. Letras que retratavam o descaso da polícia e do governo com a população começaram a ser tocadas a partir da segunda metade da década de 80, sendo o N.W.A um dos percursores desse movimento. Em 1988, foi lançado o álbum Straight Outta Compton e conseguiu ser uns dos álbuns mais vendidos da época, lançando o grupo para o cenário mundial da música. O disco fez tanto sucesso que os rappers começaram a ser convidados para entrevistas, participações em programas de TV e reportagens, despertando, dessa forma, a atenção da mídia.

Contudo, uma música conseguiu chamar a atenção não só da mídia como do FBI, a letra intitulada Fuck Tha Police recebeu críticas negativas do departamento por insultar às ações realizadas pelo governo americano, principalmente a respeito da segurança e contar sobre os abusos cometidos pelos policias contra a população marginalizada.

Como consequência, o FBI manda uma carta assinada pelo diretor do departamento americano chamado Milt Ahlerich para a produtora do álbum do N.W.A., Priority Records. Em trecho da carta é dito que a música deve ser banida e proibir às vendas do álbum, pois a letra contém a promoção da violência gratuita, descumprimento da lei e desrespeito aos oficiais de polícia. Além disso, alguns policiais revoltados com a letra ajudaram a cancelar os concertos do grupo, de forma a censurar a canção. Mesmo sofrendo forte pressão vinda dos policiais e do governo, N.W.A. continuou a tocar a música em suas apresentações e, como consequência, foram presos várias vezes por desacato à autoridade.

Contudo, o FBI não tinha ideia da forte carga cultural presente na frase do título da música, em entrevista para MTV os integrantes falaram “Quando alguém morre na comunidade, a polícia é a última situação que recorremos, aprendemos a não confiar nos policiais, já morreram mais de 300 pessoas aqui e ninguém sabe quem os matou porque eles não ligam para a gente, mas quando morre uma mulher branca em um bairro de luxo o culpado é sempre o negro”. Após a forte censura do governo, Ice Cube, um dos integrantes da banda disse que isso só o fez fortalecer para mostrar para a mídia toda a pobreza sofrida pela população. Atualmente a carta pode ser vista no Museu Rock and Roll Hall of Fame.

Sem ter a intenção, o FBI acabou construindo o conteúdo de rap/hip hop que ouvimos atualmente, letras com forte cunho social. Consequência?

3) 16/08/1977 — Morre Elvis Presley

Aproximadamente às 2 horas da tarde do dia 16 de agosto, o rei do rock acidentalmente caiu no banheiro de sua mansão Graceland e foi levado às pressas para o Hospital Memorial Batista, no entanto, foi declarado morto ao chegar no local. Segundo a autópsia, a causa da morte foi gerada por uma hipertensão cardiovascular que ocasionou uma parada cardíaca, resultados de uma alimentação extremamente gordurosa unido com uma vida sedentária e abuso de álcool e drogas.

Após a morte de Elvis Presley a indústria musical começou a entrar em colapso, pois a maior parte dos lucros era obtido através dos álbuns do cantor e, com a morte dele, a renda gerada poderia reduzir consideravelmente. Vale destacar que nesse ano Michael Jackson e Madonna não tinham começado a fazer sucesso suficiente para repor o prejuízo que poderia causar com a morte de Elvis Presley. Em suma, a indústria não estava preparada para esse acontecimento.

Para tentar reverter a situação, a indústria musical decide lançar mais um álbum do Elvis Presley, após a morte do cantor. O álbum intitulado American Trilogy conseguiu vender vários exemplares, continuando o sucesso do rei. A partir desse dia começaram a ser vendido vários álbuns de cantores que morreram, das cinzas do rei surgiu a indústria do rockstar morto, a venda de discos póstumos. Na lista temos Elvis Presley, Nirvana, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Amy Winehouse, Whitney Houston, John Lennon e muitos outros cantores.

A indústria de discos póstumos continua vendendo muitos exemplares de álbuns homenageando os cantores falecidos, tanto com músicas inéditas como com um compilado de sucessos da carreira. Curiosamente, podemos encontrar cantores com mais de 5 álbuns lançados após sua morte. Dessa forma, percebemos que uma pequena ideia para remediar um possível prejuízo acaba inventando um novo tipo de indústria.

2) 01/06/1999 — É criado o Napster

Embora a possibilidade de navegar na internet através de ferramentas de pesquisa tenha sido inventada há alguns anos, até o final da década de 90 era muito difícil conseguir baixar algum arquivo através do computador, nessa época, para poder baixar músicas em formato mp3 necessitava ter muito domínio de várias ferramentas, esforço e bastante paciência.

Com o objetivo de reduzir esse processo, o estudante Shawn Fanning começou a desenvolver um aplicativo pela internet, o qual possibilitasse o compartilhamento de músicas em mp3 com mais facilidade, a partir dessa ideia surgiu o Napster. O usuário do site podia baixar músicas diretamente para o computador, compartilhar álbuns com outros usuários e salvar arquivos em formato mp3. Com essa invenção, o site começou a receber muitos cadastros, chegando a quadruplicar o número de pessoas inscritas a cada semana, conseguindo chegar ao auge de 8 milhões de pessoas compartilhando arquivos pela internet, com uma biblioteca virtual composta por mais de 20 milhões de músicas. Com isso, o número de discos vendidos naquele ano foi reduzido consideravelmente.

No ano de 2000, o site começou a receber inúmeras ações judiciais da indústria fonográfica sob a acusação de promover a pirataria e possibilitar a troca de arquivos de áudio protegidos por direito autoral. Vários artistas se juntaram para iniciar uma campanha com o intuito de acabar com o site e proteger suas canções da pirataria, a propaganda tinha como slogan “Se uma música significa muito para você, imagina o que significa para nós”, isso servia de alerta para a população para não consumir e baixar músicas pela internet.

Ente todos os processos que o site recebeu podemos destacar o que foi iniciado pela banda Metallica. Os integrantes do grupo descobriram que a música I Disappear estava circulando pela internet e tinha começado a ser tocada em rádios americanas sem nem mesmo ter sido oficialmente lançada pela banda. A partir desse momento, os integrantes moveram um processo contra o Napster e foram para a 9ª Corte de Apelações dos Estados Unidos. O resultado do processo favoreceu o grupo e outros cantores e o criador foi obrigado a pagar indenizações milionárias para os atingidos pela pirataria, como consequência de todos esses processos, o site encerrou suas atividades na internet em 2001.

No entanto, a partir da completa retirada do Napster começaram a aparecer outros sites oferecendo os mesmos serviços, aplicativos como WinMX, Kazaa, eDonkey, Morpheus, Audiogalaxy, entre outros, surgiram e desde esse momento, a possibilidade de conseguir baixar música pela internet se tornou uma realidade.

1) 15/05/1954 — Lançamento da Fender Stratocaster

Fender Stratocaster

Fabricada com a intenção de competir com outras guitarras, Leo Fender, George Fullerton e Freddie Tavares criaram a Fender Stratocaster, produzida até hoje pela Fender Music Instruments Corporation. Essa guitarra possuía alguns diferenciais, por exemplo, foi a primeira guitarra a conter três captadores, uma ponte móvel Temolo que possibilitava a mudança de tom quando movimentada a haste, além de um visual moderno para a época.

A primeira guitarra foi dada para Hank Marin, guitarrista da banda britânica The Shadows, o que fez a Fender Stratocaster ficar popular na Inglaterra, segundo Hank a guitarra parecia ter vinda do espaço, pois, o desenho era futurista, além de ser leve e confortável, dessa forma, era possível correr, pular, balançar, no estilo do Rock and Roll. Com a fama atingindo a Grã-Bretanha e as vendas aumentando, muitas bandas começaram a utilizar essa guitarra. The Beatles, Rolling Stones, Cream, The Police são alguns exemplos de grupos que propagaram a imagem da Fender.

Após um grande número de vendas acontecido no Reino Unido, o sucesso da guitarra se espalhou pelos Estados Unidos. Elvis Presley, Jimi Hendrix foram alguns que começaram a usar esse instrumento e ajudaram a espalhar a fama da guitarra. Vale ressaltar que Jimi Hendrix promoveu a cultura da guitarra como símbolo máximo do Rock, esse fato se deve principalmente por causa de seus shows, nos quais ele quebrava a guitarra e por vezes a incendiava.

Eric Clapton, guitarrista do Cream, falou em entrevista sobre a guitarra “Experimentei quase todas as guitarras que foram feitas e sempre voltei para a Stratocaster. Ela é furiosa e, ainda assim, agradável. Crua e ao mesmo tempo pura. ” Em outro momento, Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, parabeniza o criador “Eu só queria dizer obrigado a Deus por Leo Fender, que criou este maravilhoso instrumento para tocarmos. ”

Com tamanho sucesso das vendas que foi provocado principalmente pela preferência de grandes nomes da música, a guitarra não somente virou o símbolo do Rock, como também, do Pop, Soul, Folk, Country, Blues, Punk e muitos outros gêneros. Esse instrumento se tornou indispensável para a composição de uma banda, e até conseguiu um momento solo em várias canções. Com a guitarra sendo o símbolo máximo da música, a Fender Stratocaster se tornou o seu melhor representante.

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