5 realities musicais da TV no Brasil

Com poucas diferenças entre eles, os realities musicais da TV no Brasil chegaram com tudo desde os anos 2000 e mostram que ainda há espaço para boa música em nossa telinha.

Os realities musicais da TV no Brasil são cada vez mais comuns. Inspirados e/ou adaptados de formatos internacionais, a maioria deriva do dito talent show, gênero de competição em que os participantes demonstram seus talentos, podendo ir desde a música, dança, culinária até as artes cênicas, de forma a colocarem essas habilidades à prova do público e de um júri selecionado. Algo que já se via também por aqui sem a formatação de um reality show, principalmente nos anos 80 e 90, com Silvio Santos, Raul Gil & cia, em seus mais variados shows de calouros…

Com a estreia de X Factor Brasil na Band e TNT, o BOXPOP listou 5 programas desse gênero dos anos 2000, fase que teve um certo boom de realities musicais da TV no Brasil. Confira!

Fama

O programa Fama foi baseado em Operación Triunfo, que teve oito edições em seu país de origem, a Espanha.

Com o objetivo de revelar e lançar novos talentos no cenário musical brasileiro, a dinâmica do programa acontecia dentro de uma academia musical — a Academia Fama -; em que os participantes ficavam confinados, tendo aulas como canto, dança e interpretação, além de ensaios e orientações profissionais para melhorar a performance vocal e em palco. Durante a semana, os candidatos recebiam uma música para interpretá-la numa apresentação, geralmente ao vivo, podendo ser um solo, duo ou trio.

Exibido aos sábados, logo após Caldeirão do Huck, Angélica apresentou as quatro temporadas de Fama — Toni Garrido comandou ao lado da apresentadora apenas as duas primeiras. Um grupo de jurados escolhia quatro participantes para a berlinda, sendo que dois eram salvos — um pelos candidatos e outro pelos professores da Academia. O público tinha uma semana para decidir quem deveria ficar no programa, acompanhando as edições diárias — 10 minutos sempre antes de Malhação.

Para se candidatar, o candidato tinha que enviar fita! Na primeira temporada, a produção do programa recebeu 720 VHS de todo país.

Embora Vanessa Jackson seja muita conhecida — porque foi a primeira vencedora de uma série de realities musicais, mas não por ter se tornado uma cantora com uma carreira consolidada nacionalmente -; outros nomes surgiram das quatro edições de Fama: Roberta Sá, Thiaguinho, dupla Hugo e Tiago e Dan Torres.

Popstars

Inspirado no formato da Nova Zelândia de mesmo nome, Popstars teve duas temporadas no SBT: na primeira, as vencedoras deram origem ao grupo musical feminino Rouge, que estourou em seguida com músicas, como Ragatanga, e na segunda, foi a vez de Br’Oz ser revelado como grupo pop masculino.

A primeira temporada fez muito sucesso e 30 garotas se inscreveram, tendo o sonho de integrar a nova banda de popstars do país. Entre os jurados, estava Rick Bonadio, figura constante em nossos realities musicais, devido ao seu histórico sempre ligado à revelação de grandes bandas e talentos nacionais. Não à toa está atualmente como jurado em X Factor Brasil.

O programa tinha etapas, como workshops e a Casa Pop, em que os candidatos tinham aulas de canto, música, dança. Uma diferença em relação a outros programas do gênero é que Popstars acompanhou as primeiras fases do grupo, terminando com a apresentação do primeiro show do grupo e seus bastidores no Via Funchal.

Diversas visitas ilustres de cantores, que compartilharam da sua experiência, aconteceram durante o reality, em que eles atuaram como mentores em certas aulas que ocorriam durante a atração, como Fernanda Abreu, Daniela Mercury e Samuel Rosa. A mais antológica participação foi com certeza a de Shakira, que veio avaliar pessoalmente o remake da canção Unerneath Your Clothes, feita pelas meninas sem saber desta visita mais que marcante, além de dar dicas sobre o comportamento artístico de uma popstar.

Marjorie Estiano foi uma das candidatas da primeira eliminatória presencial no Anhembi, da qual participaram 6 mil meninas.

Rouge chegou a lançar quatro álbuns e a vender mais de 7 milhões de discos até a última apresentação do grupo, em 2005.

Karin Hills é sem dúvida a ex-Rouge que continua em destaque na mídia, contando com diversos musicais no currículo, como a versão brasileira de Hairspray e Mudança de Hábito, além de trabalhos na Globo, como Pé na Cova, Sexo e as Negas e Aquele Beijo.

Já Li Martins (Patricia) participou de A Fazenda 8, Esse Artista Sou Eu e já fez musicais, como Miss Saigon, A Bela e A Fera e Priscila: A Rainha do Deserto; e Fantine Thó participou de outro reality show, a versão holandesa de The Voice.

Ídolos

Ídolos, versão brasileira de Idols, teve duas fases aqui no Brasil: a primeira (2006–2007), produzida pelo SBT, e a segunda (2008–2012), pela Record, com direito a uma versão Kids (2013).

Enquanto esteve no SBT, o programa tinha uma cara muito característica da emissora, abrindo espaço também para aqueles candidatos que talvez não tivessem um potencial musical tão grande assim, mas que faziam a alegria do pessoal de casa.

Na emissora de Osasco, o time de jurados era composto por Arnaldo Saccomani, Cyz Zamorano, Carlos Eduardo Miranda e Thomas Roth.

Já na Record, a equipe de jurados mudou ao longo das cinco temporadas em que esteve no ar. O único que seguiu desde o início foi Marco Camargo, que teve como parceiros Paula Lima e Luís Calainho, de 2008 a 2010; e Luiza Possi e Rick Bonadio, em 2011. Em 2012, Marco Camargo ganhou novos colegas: Fafá de Belém e Supla.

É um dos realities com vitórias mais masculinas que femininas: Thaeme Mariôto é a única vencedora para honrar a classe feminina, na temporada 2007, no SBT. Ela foi uma das cantoras com maior destaque revelada pelo programa, principalmente após formar a dupla Thaeme & Thiago.

O mesmo não aconteceu para Leandro Lopes, primeiro vencedor de Ídolos no Brasil em 2006 que chegou a ser vocalista da banda de axé Rapazolla por três anos, mas sem grande destaque nacional.

Já quanto aos ídolos da Record, Chay Suede, embora tenha ficado em quarto lugar na temporada 2010, é ator de novelas da Globo, tendo a carreira alavancada pela novela Rebelde, na própria Record, em que chegou a rodar o Brasil com o show do grupo que protagonizava a história.

Em 2013, a Record resolveu adaptar outro reality show: Got Talent, no lugar de Ídolos. Apresentado por Rafael Cortez, o “sucessor” não sobreviveu à primeira temporada, deixando a Record com 1 ponto no Ibope, embora apresentasse um leque de talentos, não se restringindo apenas à música.

Máquina da Fama

Máquina da Fama surgiu de uma alteração de formato do programa que também é um concurso de covers de celebridades, o Famoso Quem?, produzido em conjunto com a Fremantle.

Seu antecessor ficou em terceiro lugar na audiência da Grande São Paulo, tendo o final antecipado — inicialmente previsto para durar por 14 edições, acabou com apenas 7 programas. Silvio Santos decidiu colocar o Máquina da Fama, com Patrícia Abravanel no comando, algo que não existe no formato original da Fremantle — sem apresentador, o original My Name Is possui apenas jurados e participantes. Da mesma forma, quem decide os participantes eliminados passou a ser o auditório, não mais os jurados.

Além de anônimos, artistas também se transformam em covers de celebridades. A própria Patrícia Abravanel já fez covers de estrelas internacionais como Shakira, Jennifer Lopez, Beyoncé e canções de filmes e animações marcantes, como Frozen, Pequena Sereia e Mudança de Hábito.

The Voice Brasil

Versão brasileira do The Voice of Holland, criado por John de Mol, já tem 4 temporadas, com a 5a. a caminho para 2016. Ele também já teve uma versão Kids, realizada entre janeiro e março deste ano.

Diferente dos demais irmãos talent show, valoriza apenas a voz de um competidor, não julgando a aparência ou performance em palco. Além disso, todos os candidatos têm um artista pronto, sem precisar ser moldado pelo jurado, pois este apenas assume um papel de técnico, que vai orientar a equipe montada na fase de “audições às cegas”.

Apresentado por Thiago Leifert, teve mudanças apenas no repórter de bastidor — Daniele Suzuki assumiu o posto na primeira temporada, passando o bastão para Miá Mello na segunda temporada, retornando na quarta, já que Fernanda Souza comandou a apresentação dos bastidores na terceira temporada. Os jurados são Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Lulu Santos e Michel Teló — que substituiu Daniel na quarta temporada, já que o formato internacional prevê um rodízio de jurados que participam como técnicos.

Renato Vianna, vencedor da última temporada do programa e tendo Michel Teló como técnico, ganhou R$ 500 mil reais, além de um contrato com a Universal Music e gerenciamento de carreira.

No mesmo caminho, estiveram: Danilo Reis & Rafael, vencedores em 2014, que lançaram o primeiro disco pela Universal Music em agosto de 2015, além de completarem 4 anos de carreira e produzirem o videoclipe Cúmplices do Amor, em Minas Gerais; Sam Alves, vencedor em 2013, que já lançou dois álbuns desde então, foi convidado para representar o Brasil ao lado de outros cinco cantores latino-americanos na gravação do tema oficial da Copa América de Futebol e já teve uma passagem no The Voice US; e Ellen Oléria, ganhadora da primeira temporada, que gravou dois discos depois do reality — totalizando três álbuns no currículo -; além de já ter feito turnês pelo Brasil e pelo mundo.

Lembrou de algum momento marcante de cada reality? Deixe seu comentário e vamos continuar nosso debate. Até a próxima coluna!

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