A atual luta das mulheres em As Sufragistas

As Sufragistas é uma obra meio filme meio documentário que traz à tona um dos temas mais discutidos em 2015: o feminismo.

Nunca se renda, nunca desista da luta.” — PANKHURST, Emmeline

Apesar de ter pouca participação no filme, a personagem de Meryl Streep, Emmeline Pankhurst, é autora da citação acima, que é também a principal mensagem de As Sufragistas, que se passa no início do século XX mas poderia muito bem acontecer em 2016.

Pankhurst foi a fundadora da União Social e Política das Mulheres (Women’s Social and Political Union — WSPU), cujas ativistas ficaram conhecidas como sufragistas. Tendo iniciado o movimento de forma pacífica, a escolha por práticas mais violentas se deu pela dificuldade de conseguirem qualquer tipo de apoio pelas vias comuns, e a história de As Sufragistas retrata esse período do feminismo.

A trama segue Maud Watts, brilhantemente interpretada por Carey Mulligan, que passa a se interessar pela causa após contato com uma colega de trabalho, Violet Miller (Anne-Marie Duff). Quanto mais se envolve no movimento, mais isso afeta sua vida, fazendo com que ela perca o emprego, o marido e filho. Mas Watts não se deixa abalar, e mesmo com todas as dificuldades segue com as outras mulheres na luta pelos seus direitos.

O que você vai fazer? Vai prender todas nós? Nós estamos em todas as casas, somos metade da raça humana, você não pode nos impedir.” — WATTS, Maud

O interessante na sua personagem é a trajetória percorrida entre estar conformada com a vida que tem e começar a entender que pode existir outra maneira de ela ser vivida. Em seu primeiro discurso, quando perguntada sobre o porque gostaria que as mulheres pudessem votar, ela diz que na verdade nunca imaginou que aquilo seria possível, então não sabe muito bem o que espera. E não é assim até hoje? Vítimas de abuso nunca acham que existe uma saída, por isso aguentam caladas o que acontece até que alguém abre seus olhos para todas as outras possibilidades que sempre estiveram ali, esperando para serem notadas.

Parece incrível que um tema como esse seja tão pouco explorado nos cinemas, enquanto outras guerras são retratadas à exaustão. Mas num mundo ainda dominado por homens brancos, parece mesmo arriscado falar de uma luta que é travada até os dias de hoje.

Os personagens masculinos tem um papel de repressores, servindo para nos lembrar como era ser mulher num passado não muito distante. Apenas Hugh Ellyn (Fynbar Linch), marido de Edith Ellyn (Helena Bonham Carter), é favorável à causa, mas podemos perceber que em alguns momentos o Superintendente James Burrill parece querer apoiar, mas não consegue justificar nem para si mesmo que as mulheres possam estar certas. Outras mulheres também agem como repressoras, virando as costas para as sufragistas e mostrando que é mesmo muito difícil mudar a cabeça das pessoas quando o machismo é tão intrínseco ao seu modo de vida.

emily-davison

Emily Wilding Davison (Natalie Press) acaba tornando-se a mártir do movimento, e consegue a atenção que elas tanto precisavam para a causa. Sua morte em 1913 possibilitou o aumento das discussões sobre o tema, e o direito ao voto feminino finalmente foi concedido na Inglaterra em 1918. No Brasil isso aconteceu apenas em 1932, e como o final do filme nos lembra, mulheres de alguns países, como a Arábia Saudita, ainda estão esperando por esse direito.

O roteiro de Abi Morgan é bem fechado e alterna documentário e drama na medida certa, conseguindo mostrar o que foi essa luta e nos envolver na história da protagonista com sucesso. Como já mencionado, Carey Mulligan faz um excelente trabalho, dirigida por Sarah Gavron, e aqui vale notar que o filme foi escrito, dirigido e protagonizado por mulheres, o que não poderia estar mais em linha com a mensagem que passa.

A fotografia poderia ser melhor, mas considerando a principal função desse longa, vamos dar um desconto nesse quesito. O que pecou em imagem foi compensado com o roteiro e as atuações.

Não queremos quebrar as leis. Queremos elaborá-las” — PANKHURST, Emmeline

As Sufragistas entrega o que promete, e nos mostra como foi a luta de um grupo de mulheres por direitos iguais, o que continua sendo necessário até os dias de hoje. Então faça uma forcinha para assistir e compartilhe com outras pessoas, porque por mais que pareça arte, é a pura realidade.

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