A Bolha Assassina

Tenho quase certeza que este foi o título de algum filme de terror que passava no “Cinema em Casa” — a “Sessão da Tarde” do SBT, que tinha filmes bem impróprios para as 14h. Mas não, essa coluna não será sobre filmes ruins. Nem nostálgica. Só alertando para o problemão que estamos.

Bolhas de sabão muito bonitinhas

A bolha do título é a bolha econômica do mercado. A indústria cultural, que tantos adoram criticar, está fazendo jus às críticas. Já ouviu falar naquele papo de fórmulas pré-definidas de como fazer, que acaba por homogeneizar toda a produção cultural, colocar tudo numa linha de produção, cópias em cima de cópias?

Lá em 2006, Chris Anderson lançou seu livro, com uma teoria bem sensata: A cauda longa. Basicamente, a ideia é de que vale mais apostar na diversidade do que no contrário. Em vez de tentar acertar um sucesso que agrade homens e mulheres, com idade entre 12 e 65 anos, pertencentes às classes sociais A, B, C e D, seria muito mais interessante (ou lucrativo, claro) apostar em cinco séries diferentes, mas cada uma para um público mais bem definido, por exemplo, mulheres, com idade entre 26 e 33 anos.

Parece meio aleatório, mas não é. Na verdade, as redes sociais, essas lindas, que teoricamente existem para ampliar nossos círculos e nos aproximar das pessoas só isolam todo mundo. Claro que isso é um exagero, mas não é esse o ponto.

Isolados, ficamos mais “eucentristas” queremos que tudo seja feito sob medida para nós mesmos. How i Met Your Mother não era de Carter Bays e Craig Thomas. Era propriedade de cada um dos espectadores. Que direito esses dois tinham de dar para essa série o final que eles tinham imaginado? Que ousadia não dar o final óbvio!

Aí, aquele gênero que era de nicho, que era bem seguimentado para nerds, crianças com idade entre 12 e 60 anos, que curtem ficção científica, tecnologia e essas coisas, os filmes de super-heróis, deixou de ser um nicho.

Olha o Demolidor da Netflix

Virou “modinha”, muitos posers surgiram e todo mundo passou a gostar desses caras com collants — substituídos por couro (!) — e, por isso, se tornaram a menina dos olhos de todo mundo. A guerra Marvel x DC voltou à tona, muita gente ficou feliz, muitos se irritaram e a TV adotou a ideia. Todo herói existente vai ganhar seu seriado na próxima temporada.

Será que é mesmo tão difícil aplicar a lei da demanda e oferta? Perceber que os ganhos financeiro e artístico podem andar de mãos dadas? Inclusive, o ganho artístico pode impulsionar o financeiro.

E de novo, quem aparece apostando no modelo de negócio mais interessante é aquela empresa de VoD, via internet, a… Netflix. Vão explorar os heróis — e mercenário — mas vão buscar alguma arte nisso. Quatro séries, interligadas, com poucos episódios. Uma história que vai ser contada e pronto, sem enrolação, sem estender sem necessidade. A oferta fica baixa, a demanda alta… O que a lei do mercado ensina sobre isso?

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Thiago de Carvalho Rêgo

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