A decepção que foi The Walking Dead

Acabou o primeiro ano da série que estreou como a melhor coisa dos últimos tempos e só confirmou o que já se esperava: 2010 teve mesmo é fail season!

The Walking Dead não ajudou a mudar o panorama. Até tentou. Teve um dos melhores pilotos que uma série de TV já apresentou, seguindo praticamente a risca o material fornecido pelo original nos quadrinhos. Dali para frente, tentaram mudar a matéria-prima. Deu no que deu… E isso não foi bom!

Não culpo o fator “adaptação”, ou então as mudanças do roteiro original. Alguma coisa foi alterada e deu certo. Aquela escapada de Rick e Glenn pela cidade após um banho de sangue e carne podre, disfarçando-os entre os zumbis, foi realmente mais tensa do que se ocorresse pela floresta, com Rick e seu filho. Mas só! Que tal fazer o restante direito?

Já começaram alarmando a audiência que esta era uma série sobre pessoas, e não sobre zumbis. Beleza! Tá na moda dizer que uma série é sobre pessoas, né? Parece que virou a melhor resposta para “orçamento moderado” e “falta de criatividade entre os criadores”. E eu nem reclamo que havia pouca ou muita cena com mortos-vivos. Para mim, deu na medida.

O problema é que quando os zumbis não estavam em cena, as cenas simplesmente não andavam. Chega a ser irônico, né?

A tal série de pessoas não conseguiu apresentar seus personagens em seis episódios. Vamos pegar Lost como exemplo — e não é por aleatoriedade, afinal Lost era uma série de elenco grande, o que é difícil de se administrar em um seriado. No sexto episódio você já conhecia boa parte dos principais personagens da série da ABC. Claro, a série soube se valer de recursos narrativos para isso, o que parece estar em falta na nova da AMC.

Os flashbacks de Lost sempre serão um belo exemplo. Além de baratear custos de produção (na maioria dos casos), também serviam para contar a história daqueles personagens. No começo, a coisa até atrapalhava, admito. Todo mistério da ilha rolando e a gente conhecendo o passado de um personagem. Mas a série soube absorver isso e a cada vez a história de cada um deles se tornava mais importante para a trama, a ponto de ficarmos torcendo para o próximo flashback ser de fulano ou ciclano.

Mas onde está a história dos personagens de The Walking Dead? Não é uma série sobre pessoas? Cadê a história delas? O que você sabe sobre cada um, além da superficialidade de que Rick foi um corno moribundo e Sarah Tancredi (ainda não sei o nome dela, e não me importo!) não está sabendo lidar com a situação?

Você sabe o nome de algum outro personagem? Eu não, e os que sei são por conta da comic, esta sim é sobre pessoas. Ela sim preferiu não se aprofundar em uma mitologia, mas sim no relacionamento de seus personagens. E sabe fazer.

Vejo duas possibilidades para uma série: explorar sua mitologia (e suas pessoas) ou ter episódios da semana, contando um pouquinho que seja sobre o background de cada personagem. Na tela de The Walking Dead o que vemos são um bando de episódios da semana, o que funciona muito bem em procedurals e comédias, como Raising Hope, House e CSI. A gente assiste essas esperando “o que vai ter pra hoje?”, certo?

O que te leva a ver The Walking Dead? Você é curioso para saber o motivo do mundo ter se acabado em zumbis? Você é curioso em saber o que vai acontecer com aquelas pessoas (por conta do mundo ter se acabado em zumbis)? Você está contente em ver pessoas aleatórias aparecendo e indo embora a cada semana? Sabe, episódio da semana vem se mostrando como linguagem complicada para ficções e Fringe é uma boa prova disso. Há que se investir em mitologia.

E aí pode estar um grande problema: a base da série (as HQs) não se preocupa com isso. O foco são as pessoas. Ao invés de adaptar os enredos e criar novas histórias da semana, por que os roteiristas não se empenham em desenvolver uma linha de evolução para a trama — e mitologia está dentro disso!

Por que diabos eu vou ver The Walking Dead e me importar com um grupo de enfermeiros mexicanos que entram num episódio e saem nele mesmo? O que tenho eu a ver com um cientista maluco suicida que estava apenas esperando mais algumas pessoas para morrer junto com ele? A que lugar exatamente estas histórias bobas e de tensão fajuta levam a série?

Coisas mais importantes como “O que aconteceu com o maneta preconceituoso deixado no topo do prédio?” foram deixadas de lado. Histórias sensacionais como a chegada do grupo num condomínio fechado infestado ou num rancho que mantinha zumbis presos num estábulo à espera da cura ou mesmo a fenomenal chegada deles a um presídio… Isso mesmo, um presídio!!! Tudo isso que traz emoção foi deixado de lado em troca de um punhado de explosões, tiros e um segredinho cochichado no ouvido de Rick.

Sem contar o fato de que The Walking Dead não acrescenta nada de novo, nem às séries, nem aos zumbis. Qual o diferencial dela? Os zumbis de Dead Seat fizeram melhor. A brincadeira com o Big Brother Britain foi muito mais divertida. E nem retruque dizendo que não há mais nada a ser inventado em relação aos zumbis, pois isso é mentira!

Até a estreia de Resident Evil (nos games), nada mais poderia ser inventado sobre zumbis… E veio a Umbrela! Até a estreia de Extermínio, nada mais poderia ser inventado sobre zumbis… E vieram os zumbis super rápidos que deixam a coisa mil vezes mais tensa! Até a estreia de Zumbilândia, nada mais poderia ser inventado sobre zumbis… e veio o humor inteligente junto a diálogos fantásticos retocados por pura linguagem! Divertido de se experimentar.

E todos eles inventaram, inovaram, arranjaram seu espaço e marcaram este ícone pop tão adorado pela “nerdaiada”. Agora, eu te pergunto: o que The Walking Dead (série de TV) fez de bom?

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