A destemida The Bold Type renova o universo feminino na TV

Bem humorada e com estilo de sobra, a nova série da Freeform é uma das surpresas boas de 2017.

Rotinas em grandes empresas, mulheres tentando fazer sucesso em um mercado masculino, amizades que são sempre desafiadas… são temas recorrentes em séries de TV. Nada de novo, considerando atrações como Sex and The City, Girls, Younger, Jane by Design e outras. Os anos 2000 foram repletos de heroínas, que se figuravam em capas de revista de moda, disputavam corações e se tornavam implacáveis.

A nova série da Freeform, The Bold Type, criada por Sarah Watson (Parenthood), traz de volta a essência de títulos como O Diabo Veste Prada, De Repente 30 e a própria Sex and The City — tudo que amamos. Narra as aventuras de um trio de millenials, que trabalham em setores diferentes na revista Scarlet — uma representação ficcional da famosa Cosmopolitan.

Jane (Katie Stevens, de Faking It), uma ex-assistente, inicia sua tão sonhada carreira como escritora da revista, mas seu principal desafio é como transpor suas experiências pessoais para seus textos, e assim impressionar a sua editora-chefe. Ao contrário dela, Kat (Aisha Dee), que é diretora de mídias sociais da revista, é segura e confiante no trabalho — até que começa a duvidar da própria sexualidade. Sutton (Meghann Fahy) ainda é assistente, e além de lutar para conseguir seu espaço na empresa, se relaciona secretamente com um exeutivo mais velho, o que põe em xeque os seus objetivos profissionais.

Embora diversas situações satisfaçam o modelo serializado, The Bold Type é fiel quanto ao mundo do trabalho: uma carreira bem sucedida é conquistada com um passo após o outro. As três tem empregos dos sonhos de todos amantes da moça, e mesmo que não seja mostrado nos primeiros episódios, é introduzido a ideia de que começaram por baixo, foram se aprimorando, até que fincaram seus pés em suas atuais posições. É um discurso interessante para o público ao qual a atração é voltada, os jovens adultos que transitam entre a vida escolar e os primeiros passos no mercado de trabalho.

Essa maneira didática, no entanto, é apenas um mero detalhe (delicioso) da trama. O que atrai em The Bold Type é que, com toda fantasia que requer para agradar sua audiência, apresenta problemas reais para as suas jovens heroínas.

Entre apartamentos bem decorados e closets cheios de roupas fantásticas, Jane testa os limites do seu próprio desejo do que quer expressar aos seus leitores. Escrever para uma revista feminina, requer coragem para compartilhar coisas pessoais, para assim inspirar o leitor.

Jane, a sonhadora

Sutton fica dividida entre ser prática e conquistar os seus sonhos. Se por um lado seus desejos femininos são alimentados por um dos caras mais sexies da empresa, as dívidas esbarram naquilo que ela quer para o futuro.

Sutton, a prática

Kat é totalmente decidida do que quer, e não tem medo de lutar por isso, mas se vê balançada quando conhece Adeena, uma artista muçulmana lésbica, que é tão corajosa quanto ela.

Kat, a destemida

Sim, são vidas cheias de glamour, mas com seus desafios próprios. Cada uma delas tem uma profundidade peculiar, que é explorada de acordo com a maneira que experimentam o mundo: como sentir o primeiro orgasmo? posso sentir atraído(a) pelo mesmo sexo? pagar as contas, ou o emprego dos sonhos?

A grande surpresa, porém, é a editora-chefe da Scarlet. Assim como Miranda Priestly infernizava a vida dos seus subalternos, Jacqueline (Melora Hardin, de Transparent) é introduzida para ser a chefe indesejável, mas acaba sendo a mentora do grupo — principalmente de Jane. A posição firme diante das visões que tem para a revista faz com que as meninas vão sempre além, as inspiram ao invés de suprimir. Ela se torna a fada madrinha da vida real: aquela que te mostra por onde seguir, mas não esconde as dificuldades que se enfrenta no meio do caminho.

Entre romances e taças de champanhe, The Bold Type exalta a maturidade que conquistamos ao longo da vida — seja quando jovem, ou mais adulto. A mesma maturidade se mostra na trama, que desafia os modelos sociais, políticos, ecoômicos e culturais com certo carisma e propriedade, não subestimando o seu público. Reconhece assim, que não existe momento certo para falar de sexualidade, religião ou política, a todo instante o mundo se renova e precisamos conhecer ainda mais da sua — e da nossa — diversidade.

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