A era da reinvenção das histórias

A era da reinvenção das histórias

Não tem como negar ou mimimizar; a convergência fez uma bagunça na comunicação! Fragmentou a audiência, mudou a forma de distribuição de conteúdo dos canais, rompeu os limites — antes tão nítidos e firmados — entre ficção e realidade, entretenimento e publicidade. Enfim, existe um mundo antes e depois da cultura da convergência. Poderíamos passar temporadas listando os efeitos colaterais do fenômeno nos mais distintos âmbitos, mas o nosso foco pelo menos hoje é a maneira como as histórias vêm sendo reinventadas pelo público.

Com as novas plataformas, o espectador teve a oportunidade de compartilhar conteúdo de uma maneira até então inédita. Ou seja, o que antes ficava restrito a um grupo de amigos, no atual ecossistema de conectividade ganha o mundo e transforma o fã em co-criador. Toda essa mudança de papéis fez com os direitos autorais saíssem do eixo. E uma pergunta veio à tona: até que ponto o público se torna inimigo da emissora ao reinventar a atração?

Uma história: múltiplos caminhos

A participação e a produção dos fãs sempre estiveram presentes na indústria, o que muda com a convergência é a amplitude. (Fonte: M. Steffens)

A máxima se aplica a qualquer série de TV, bastou o episódio ser exibido para ganhar novos formatos e linguagens. Seja através de desenhos, montagens ou até encenações, a história que antes ‘morria’ logo após que ia ao ar na televisão hoje se expande no imenso cenário da convergência.

Mesmo que não seja intencional, o público modifica a finalidade narrativa da trama. Afinal, quem imaginaria Jon Snow no contexto dos anos 90? Ou os personagens de Grey’s Anatomy exalando safadezas em um soft porn? E é aí que vem a ‘Escolha de Sofia’, independente de ser um fã, há ali a apropriação de um conteúdo. Uma co-criação não autorizada de uma produção que envolve várias pessoas.

Em contrapartida, ao ser multiplicada em diferentes plataformas, a trama atinge um público que muitas vezes nem iria se interessar pela a série em seu formato ‘original’. Ao reinventarem a sua trama favorita, os fãs se transformam em garotos propaganda da marca, e esse tipo de publicidade espontânea é vital.

Na convergência o público passa a integrar a cultura participativa e esta coexiste com a cultura comercial, porém, até que ponto elas poderão dividir o mesmo espaço? Essa resposta só o tempo dirá.

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