A evolução do Fifth Harmony em 7/27

Em meio a tantos discos conceituais, as garotas do Fifth Harmony trazem 7/27, um bom álbum pop despretensioso.

Quando as garotas do Fifth Harmony lançaram seu primeiro EP, Better Together, em 2013, nada ficou claro, era bagunçado, não tinha identidade, parecia que não duraria muito. Então veio Reflection, álbum de estreia, e mesmo clareando um pouco as coisas, ainda havia peças fora do lugar ali.

Seu novo lançamento, 7/27 tem a difícil missão de manter o sucesso das garotas, depois do grande hit Worth It, ultimo single do primeiro disco. Mas será que consegue?

A faixa que abre o trabalho é

fifth harmony

That’s My Girl e ela não apresenta uma grande diferença entre o som do primeiro álbum, há um ou outro elemento novo, mas elas não arriscaram ir muito longe de sua zona de conforto.

Work from Home, o primeiro single, pode ser boa de se ouvir, mas só se você não esperar por muito, pois o refrão repetitivo pode te fazer cansar dela rápido. Aparentemente, elas apostaram na mesma formula de Worth It, um refrão fácil e repetitivo e uma boa batida radiofônica.

The Life soa como algo vindo dos anos 90 ou início dos anos 2000, não que isso seja ruim, é ótimo, é uma boa música pop. Mas lá está o “pré-refrão” repetitivo só pra não perder o costume.

Write On Me também parece ter saído dos anos 90, muito do disco soa assim, na verdade. Mesmo sendo um single promocional, é uma das mais esquecíveis.

I Lied é uma das melhores, pode não ter capacidade de ser um single, mas com toda certeza, será uma das favoritas do público, a letra fácil e divertida casa perfeitamente com o som pop que gruda no seu cérebro.

A primeira impressão de All In My Head (Flex) é que ela pode ser uma escolha errada como single, o refrão não é tão grudento quanto os de outras faixas, mas ela não desaponta, apesar de soar como só mais uma faixa do disco.

Squeeze, é totalmente esquecível, é a típica faixa filler, está ali apenas pra completar o álbum. A letra é fraca, a produção não trás nada marcante, vocais bons, mas nada além disso.

Gonna Get Better é, definitivamente, um dos pontos altos, uma das melhores. Vocais ótimos, produção ótima, letra apenas boa, mas o conjunto da obra se destaca dentre as demais músicas.

Scared of Happy tem uma boa sonoridade, uma letra não tão marcante, mas que dá conta do recado. Não diria que é uma das melhores. Poderia ser muito boa, mas ela deixa aquela sensação de “está faltando alguma coisa aqui”.

Not That Kinda Girl fecha bem a versão standard do disco, soa como algo vindo do Back do Basics de Christina Aguilera, tem aquele som retrô presente em todo o álbum, mas aqui, acima de tudo, é onde ele mais dá certo. A participação de Missy Elliott acrescenta o que faltava pra fazer dessa uma das grandes faixas de 7/27, principalmente por ela não aparecer rápido demais.

Dope é a primeira bonus track, e está no lugar errado, ela poderia facilmente substituir outras, como Squeeze — é uma das melhores de todo o disco, merecia muito mais destaque. A letra, a sonoridade mais sombria, mais madura, é um dos pontos altos.

No Way lembra muito We Know do primeiro álbum, mas com uma sonoridade mais pesada e sombria. A letra também é muito parecida. Também merecia estar na versão padrão. Não acho que seja a melhor escolha para fechar a versão deluxe, talvez algo mais explosivo devesse estar aqui.

Big Bad Wolf é totalmente descartável, a letra é ruim, é grudenta, mas não de uma maneira boa. No geral, ela não combina com o restante das músicas, pelo menos está disponível apenas na versão japonesa. Talvez seja uma das piores músicas já gravadas pelo grupo, perdendo apenas para Me & My Girls

1000 Hands é a primeira verdadeira balada do álbum, e é uma boa balada, os vocais estão ótimos e sem muita edição, a letra é boa, a melodia é simples e não precisava ser nada mais do que isso. Também merecia estar na versão padrão, principalmente por estar presente apenas na versão japonesa. Compensa muito a péssima faixa anterior.

7/27 é, sem dúvida nenhuma, melhor que seu antecessor, principalmente por seguir um ritmo. Todo o álbum tem uma harmonia, tudo combina. Há alguns deslizes, claro, todo álbum tem, mas ao mesmo tempo em que ele é terrível em seus pontos baixos, é ótimo nos altos. Não é um álbum que vai entrar para a história, mas elas ainda estão aprendendo. Talvez elas ainda precisem se encontrar mais, se descobrir mais, mas por enquanto, elas fazem um bom trabalho onde estão.

Os vocais estão, como sempre, ótimos, elas nunca erram nesse quesito. O título é nada mais que a data em que o grupo foi formado no X Factor americano em 2012 e talvez não seja o melhor título para o trabalho.

Em meio a tantos discos conceituais, as garotas do Fifth Harmony trazem um bom álbum pop despretensioso, do tipo que você pode ouvir e se divertir, com letras fáceis que vão grudar na sua cabeça por um bom tempo.

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