A Forca (2015) | Crítica

Novatos no ramo: roteiro de “A Forca” é firme e atuação surpreende, mas direção do terror found footage peca

O found footage — técnica de filmagem em formato de documentário, apenas com uma simples câmera — tem tomado conta dos cinemas quando se trata do gênero terror, desde no estadunidense, A Bruxa de Blair (1999) e retomada na famosa franquia Atividade Paranormal (2007). Além de ser benefício, por conta da redução de custos para produção, também promete entregar cenas mais envolventes e mais aterrorizantes. A Forca é os mais recente modelo que chegou aos cinemas brasileiros.

Jason Blum, também produtor de Atividade Paranormal, comprou a ideia de Travis Cluff e Chris Lofing. A trama dos dois roteiristas e diretores iniciantes traz ao espectador uma trama que se passa em Nebraska em 2013, 20 anos após um trágico acidente ocorrido durante a interpretação da peça “The Gallows”, quando Charlie, um dos alunos-atores, é enforcado ao vivo. Em tempos atuais, quatro alunos são aterrorizados por Charlie e percebem que algumas coisas deveriam ser deixadas quietas.

O roteiro do longa é dinâmico e não perde tempo, apresenta logo seus personagens. Reese Houer é apresentado como um jogador de futebol que se rende ao teatro por conta da bela garota Pfeifer Ross, parte do texto apresentado de forma clara e correta, mesmo considerando como um clichê dos mais antigos. Já a relação do casal de namorados formado por Ryan Shoos e Cassidy Spilker foi mal explorada. Durante o filme, imaginei que Travis e Chris fossem abordar um grande tema que invadiu as telinhas e as telonas nos últimos tempos: o feminismo. Essa abordagem poderia ser considerada um twist muito bom, até mesmo para o gênero do terror que pouco se afasta do grande machismo existente ali. Chegou a hora de acabar com a cota de mulheres que possuem seios avantajados e são as primeiras a morrer, por conta de seus personagens vazios, mas não foi dessa vez. Um voo alto e com sabedoria foi perdido, porém espero que seja parte de um texto no futuro. Ainda sobre o roteiro, o clímax do filme é imperdível e entrega um texto bem produzido. Em diversas partes, pude notar a referência à um gigante do terror, os clássicos momentos d’O Chamado foram invocados algumas vezes e fizeram bonito.

A Forca - Capa

A direção também ficou por conta do comando de Travis e Chris e posso afirmar: o que vi foi não foi aos pés do que o roteiro apresentou nem tampouco do que um bom terror necessita — com ressalvas. Se separarmos o filme em duas partes, apresentação/inicialização e clímax, garanto a satisfação de ver uma produção que não empurra goela abaixo as cenas de sustos logo no começo, muitas vezes desnecessárias na maioria dos longas, mas quando chega no clímax, nota-se erros significantes nesse gênero. A direção perde por conta do seu modelo de filmagem, o found footage. As movimentações da câmera e edição de luz entregam os sustos que viriam a seguir. Digamos que há tempo para dar aquela preparada no coração antes de receber a bomba. Claro, temos as ressalvas, além dos minutos finais que realmente merecem méritos por conta de uma direção afiada e presente, os close-ups nos personagens são destaques — como o que foi utilizado na capa desse post, com Cassidy Spilker, interpretada por Cassidy Gifford.

A Forca - Corpo

Aliás, Cassidy Gifford é o grande destaque de A Forca. O orçamento foi baixo e isso interfere bastante no que a indústria de atores pode oferecer por tal custo, mas Gifford encheu os olhos, não só por sua beleza, mas também por sua atuação de nível superior para o formato. Impressionante ver isso de quem interpretou uma personagem tão vaga, mas que, como já disse, poderia ter rendido muito mais. A grande baixa fica com Reese Mishler como Reese Houser. Mishler é sem expressão. Na verdade, tem uma única expressão e não é nem um pouco carismático. Todas as cenas do ator são automáticas, o que contribuiu para que o longa perdesse muitos pontos, afinal trata-se do protagonista. O restante do elenco apenas fez sua parte, nada que destoasse do que já havia visto em produções desse modelo.

O longa não buscou se identificar muito em trilhas sonoras, como é bem comum no gênero. Apenas uma versão de Smells Like Teen Spirit foi entoado na voz doce de Malia J. O instrumental da canção é fraco, mas a letra vai de encontro ao espírito adolescente do filme. Ressalto, fico bem satisfeito com o que encontrei. Travis e Chris estão só começando, também são como adolescentes, mas de acordo com que A Forca apresentou, ainda há um caminho longo e produtivo para os dois. Até porque “com as luzes apagadas é menos perigoso. Aqui estamos agora, nos entretenha”, já dizia o clássico da Nirvana.

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