A jornada do autoconhecimento em Moana

A história da ~princesa~ polinésia Moana estreia nos cinemas em janeiro de 2017.

O novo clássico da Disney que vem ocupar o lugar exaustivamente ocupado por Frozen é Moana, que segue a mesma receita de sucesso e traz o autoconhecimento como foco da jornada da filha do chefe de uma tribo polinésia.

Nascida e criada na ilha, Moana anseia por viajar pelo oceano, mas seus pais insistem que seu lugar é ali, e de tanto insistirem, ela acaba acreditando. No entanto, tudo muda quando ela descobre mais sobre o passado do seu povo e, encorajada pela avó, atravessa a linha proibida do oceano.

Dirigido por John Musker e Ron Clements — os mesmo criadores de A Pequena Sereia, Alladin e Hércules — Moana traz uma heroína que está em busca dela mesma, tentando entender melhor suas origens e qual o seu propósito na vida. Os diretores mostraram um pouco do processo de criação durante a CCXP 2016, contando sobre o tempo que passaram nas ilhas do caribe fazendo pesquisa de campo e sobre as pessoas locais que os ajudaram na história, inclusive contando sobre Maui, o semi-deus que ajuda Moana que é baseado em lendas reais.

Desde o começo do filme fica claro que Moana sente que não pertence ali, mas a todo momento ela é impedida de ir atrás do que realmente deseja. Um pouco da proteção dos pais misturada com o medo do desconhecido. Ao descobrir mais sobre ela mesma, também entende o que os levou até ali, e como ela pode ajudar a restaurar o que no passado foi o costume da sua tribo.

Maui, na versão em inglês dublado por Dwayne “The Rock” Johnson, é o semi-deus que roubou o coração de Da Fiti, uma espécie de fonte de vida das ilhas, e deve atravessar o oceano com Moana para restaurá-lo e salvar a vida de todos que vivem por ali. O relacionamento entre os dois é o principal desenvolvimento do enredo, mas nunca esquecemos que é Moana a protagonista da própria história.

A decisão de não dar um par romântico para Moana foi bem acertada — e lembra muito Lilo&Stitch — o que nos permite focar de verdade na jornada, sem torcer pelo mocinho. Ela não é tratada como princesa, apesar de ter o animalzinho fofo bem característico, faz questão de dizer que é ~apenas~ a filha do chefe da sua tribo, e parece sentir mais a responsabilidade de governar do que algumas de suas antecessoras.

Enquanto vemos Ariel querendo sair do mar por um homem (e para manter seu hobby de acumuladora) e Anna toda desastrada precisando da ajuda de um homem para salvar Elsa, nos momentos que mais precisa de alguém Moana está sempre sozinha, contando com suas próprias habilidades — e no máximo uma ajudinha do Oceano, que é tratado como personagem. Isso mostra como as histórias da Disney se desenvolveram ao longo dos anos, porque não queremos mais ver protagonistas indefesas precisando de um homem para vencer os obstáculos, mas sim mulheres fortes e preparadas para conquistarem o mundo sozinhas.

Outro ponto importante é que Moana não é branca, nem loira, nem tem os olhos claros. Quando falamos de representatividade, é fundamental termos também princesas negras com cabelos cacheados e olhos castanhos. Musker e Clements também foram responsáveis por A Princesa e o Sapo, que apresentou Tiana, a primeira princesa negra, só em 2009, e já estava na hora de termos outras raças na realeza Disney.

Pensando nas garotinhas — de todas as raças e idades — que vão assistir Moana no próximo ano, podemos ter esperança de termos cada vez mais meninas crescendo empoderadas e se sentindo representadas onde quer que olhem. E queremos continuar assim 🙂

Se chegou até aqui, aproveita pra conferir a música tema de Moana, How Far I’ll Go, cantada por Alessia Cara:

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