A Justiceira: justiça com as próprias mãos e com jeitinho brasileiro

O Box Fechado dessa semana resolveu relembrar um dos clássicos da teledramaturgia brasileira, que tinha um jeitinho de ser bem parecido com os “enlatados americanos” da época, A Justiceira. Série que trouxe Malu Mader, uma das eternas queridinhas do Brasil, para um cenário cheio de violência.

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Na série, Malu Mader era Diana Maciek, uma policial que abandona a carreira após matar acidentalmente seu parceiro. Cinco anos depois, ela volta à ativa em um grupo secreto de combate ao crime. Seu principal objetivo era resgatar seu filho Pedro, entregue a traficantes pelo ex-marido viciado em drogas.

Nessa organização internacional, que se reunia nos fundos de uma livraria, Diana começa a atuar em parceria com juiz Salomão (Daniel Filho), Marlene (Danielle Winits), Beto (Leonardo Brício), Augusta (Nívea Maria), Diego (Lui Mendes) e Paco (Anselmo Vasconcelos). Enquanto não acham o garoto, eles investigam outros casos pelo país, como o tráfico de mulheres em Manaus, o contrabando de pedras preciosas em Ouro Preto (MG) ou a busca de um assassino de homossexuais em Brasília, entre outros casos polêmicos e totalmente atuais.

Claramente inspirada na série americana Dama de Ouro — onde a policial linha dura Kate Marroney enfrenta bandidões da pesada — A Justiceira foi um marco para a TV brasileira por tratar de gênero ainda pouco explorado. Tanto desconhecimento do tema obrigou a Rede Globo a investir pesado na produção. Filmada em película, a série importou técnicos, dublês e equipamentos de Hollywood. Os episódios foram finalizados em Nova York, utilizando modernas técnicas de som e edição para a época.

Criada por Antônio Calmon, Aguinaldo Silva e Daniel Filho, A Justiceira foi um sucesso de audiência nas noites de quarta-feira de abril a julho de 1997. E mesmo após receber duras críticas por parte da imprensa especializada, que a consideravam violenta demais, a série só foi encerrada devido a gravidez acidental de Malu Mader. Fato que transformou a ideia original de produzir 32 episódios em uma série de apenas 12 capítulos.

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A série se destacou por um elenco bem entrosado, tanto Malu quanto os outros atores estão convincentes nos papéis. O clima de ação também foi um dos destaques, porque apesar do “excesso de violência”, a série cumpriu seu papel de prender a atenção da audiência. Outro ponto interessante a ressaltar são os disfarces de Diana, alguns até bem ousados, como garota de programa, profissional liberal e stripper. Danielle Winits também chamou atenção pela sensualidade no seu primeiro papel na TV.

Encerrando a série de maneira “redondinha”, o último episódio, Viver por Viver, finalmente resolveu o drama de Diana. Ela descobre o paradeiro do filho e, junto com os companheiros de organização, tenta resgatá-lo das mãos de Pablo, um traficante de armamentos. Uma curiosidade é que a gravidez de Malu estava muito evidente na época, e por isso nos últimos episódios ela participou pouco. Para que o telespectador se relembrasse do caso do sequestro do filho de Diana, a Globo reapresentou, na semana anterior, o primeiro episódio, Preço da Vida.

Um dos clássicos dos anos 1990, A Justiceira marcou época pela sua ousadia e coragem. E principalmente pelo roteiro denso e bem construído, apostando em um gênero ainda pouco explorado pela dramaturgia nacional. Produção brasileira de altíssima qualidade que merece sim ser revista sempre.

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