A Maldição do Vencedor possui ingredientes simples, porém foi escrito com maestria

A Maldição do vencedor, que abre a Trilogia do Vencedor de Marie Rutkoski, é um dos lançamentos de maio da V&R Editoras no Brasil, inaugurando o selo Plataforma 21.

Não é isso que as histórias fazem ? Transformam coisas reais em falsas e coisas falsas em reais?” KESTREL

Kestrel quer ser dona do próprio destino. Alistar-se no Exército ou casar-se não fazem parte dos seus planos. Contrariando as vontades do pai — o poderoso general de Valória, reconhecido por liderar batalhas e conquistar outros povos –, a jovem insiste em sua rebeldia. Ironicamente, na busca pela própria liberdade, Kestrel acaba comprando um escravo em um leilão.

O valor da compra chega a ser escandaloso, e mal sabe ela que esse ato impensado lhe custará muito mais do que moedas valorianas.

O mistério em torno do escravo é hipnotizante. Os olhos de Arin escondem segredos profundos que, aos poucos, começam a emergir, mas há sempre algo que impede Kestrel de tocá-los.

Dois povos inimigos, a guerra iminente e uma atração proibida…

As origens que separam Kestrel de Arin são as mesmas que os obrigarão a lutarem juntos, mas por razões opostas.

O livro nos apresenta um mundo de guerra e hostilidade, onde a nação Valoriana, à qual pertence a protagonista Kestrel, transforma os derrotados de outras nações em seus escravos, e, embora ela seja consideravelmente contra tal tipo de atividade, acaba adquirindo para si um escravo — um ferreiro, que também pode ou não ser um cantor — chamado Arin.

A partir desse ato tão impulsivo, um jogo começa: ninguém é realmente o que aparenta ser, e uma garota poderosa por nascimento, mas sem habilidades para a guerra (ou assim muitos acreditam) se torna a peça-chave nesse tabuleiro de xadrez. Entre traições, mentiras, falsas amizades, novos amores e decisões mortais, cada personagem se envolve de alguma forma em um ciclo de ódio e amargura, onde a maior lição vai revelar que um xeque-mate nem sempre é o fim e que ser vencedor não significa ganhar.

Ele a viu. Ela sabia que ele a viu. Mas seus olhos se recusaram a vê-la. Era como se ela fosse transparente. Como o gelo, ou vidro, ou algo igualmente frágil.” ARIN

Arin e Kestrel, Romeu e Julieta, ambos os casais tem muito em comum; Kestrel supostamente deveria ser fútil, ou então ser a nova força que levará o nome de sua família à frente nas batalhas, herdeira de um general poderoso, mas ela não se encaixa e nem deseja isso para si. Arin, por outro lado, é cheio de mistérios e segredos, e não demoramos muito para perceber que ele não é um escravo comum, não só pela postura altiva e a firmeza de caráter, mas por sua inteligência e gentileza.

O que esse casal tem de tão diferente do shakespeariano é que eles não somente entendem o jogo como são mestres nele, e, se for para perder, Arin e Kestrel estão dispostos a levar todos os seus inimigos com eles.

Não há o amor instantâneo, o romance bobo. A escrita da autora é uma das coisas mais cativantes do livro, e o que mais me impressionou foi o modo como ela construiu não só a sociedade Herrani e a Valoriana mas também as relações entre os personagens. Os sentimentos entre os protagonistas foram surgindo com ritmo e, para mim, o modo como a amizade cresceu junto com a química foi muito especial. Difícil não se apaixonar por Kestrel, por Arin e pelo casal em si.

a maldição do vencedor

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