A melhor série de todos os tempos da última semana

Por mais irônico que seja, mesmo estando numa era onde as narrativas se perpetuam pelas mais distintas plataformas e que os espectadores se tornam participantes, encontrar uma boa história soa quase como buscar sentido nas cenas do David Lynch. E olha que hoje é tudo mais simples, os canais deixaram de ser a única forma de distribuição de conteúdo, a métrica impessoal da audiência vem perdendo espaço para os comentários do público nas redes sociais. Enfim, se o mundo do entretenimento fosse configurado pela lógica teríamos uma obra prima para assistir toda noite, mas como a graça das coisas vem do nonsense, se apaixonar por uma trama está cada vez mais raro.

Quantas séries você já viu que foram ditas como uma trama única envolvendo a transmídia, jogos de computador, sites e pistas, mas no final eram rasas e chatas?! O erro não está na estratégia de divulgação nem nas camadas transmidiáticas, a falha é que o foco deixa de ser a história. Você pode ter aplicativo, site de realidade alternativa, perfil no Facebook, uma ação de Social TV, o que for; mas se não tiver uma p**** narrativa, meu kirido, as coisas não vão adiante.

Logo quando anunciaram Bates Motel, eu me interessei pelo projeto, não por ter Carlton Cuse (Lost) por trás. Mas pela trama partir de um universo ficcional profundo, onde os acontecimentos não nascem de cenas épicas e efeitos especiais milionários, mas da mente dos personagens. O que nos fascina em Norman Bates não é somente a sua histeria e tantas outras patologias tipicamente freudianas, é a sua densidade. Ok, a série tem várias cenas de ação, suspense e usa técnicas básicas para traduzir o mistério do lugar ao público, mas o que nos atrai mesmo são os silêncios, as pausas. Quanto a história aparece nua e sem qualquer refúgio.

Diante de um universo construído por teias psíquicas, os roteiristas foram além da TV e criaram para os fãs um espectro de novas camadas narrativas de Bates Motel. Já se pode imergir na atmosfera de Norman através de algumas ações transmídia como: o mangá de Jio, um aplicativo de segunda tela que oferece conteúdo extra e o próprio site da atração. De olho no espectador multitasking, o A&E engaja semanalmente os fãs com uma hashtag enquanto Carlton Cuse comenta no Twitter o episódio que está no ar .

O e-book está disponível para download gratuito no iTunes .

A maneira como o canal americano tem expandido a trama eternizada por Alfred Hitchcock na década de 1960 é incrível, pois realça cada lacuna da série, porém todos esses caminhos e descobertas só fazem sentido porque se tem um bom roteiro por trás. Em tempos de convergência e reinvenção do espectador, tudo parte daquilo que nos faz humanos e há séculos nos ajudam a construir nossas atitudes, medos, esperanças e valores. Bates Motel pode até se tornar uma trama medíocre na próxima semana, mas hoje e agora ela representa o que há de melhor na junção entre o gênesis e o futuro das séries de TV: a história.

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