A mulher pelos olhos de Sex and The City

Quatro mulheres, cada qual com sua opinião sobre a vida mas com uma coisa em comum: liberdade de opinião. Esse simples contexto daria muito pano pra manga para uma série

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tipicamente baseada nas teorias feministas. Mas será que o feminismo é um fator predominante em Sex and The City?

Surgido no século XIX, o movimento feminista pode ser dividido em três ondas, cada qual com suas necessidades para a mulher de cada época. Basicamente, o feminismo proclama por mudanças na cultura e no estado de direito para as mulheres. Uma das lutas, por exemplo, é pelo direito à autonomia do seu próprio corpo, o que vemos claramente na série quanto à liberdade sexual (Samantha curtiu isso).

Resumidamente, a primeira onda, que durou entre o período do século XIX e início do XX, buscava o direito ao sufrágio universal para as mulheres. Já a ideia central da segunda onda — surgida na década de 60 — era a luta pela igualdade social e legal entre os sexos. Na década de 90, a terceira onda veio retificar e dar continuidade à anterior.

E é em meio à transição da segunda para a terceira onda que surge o pós-feminismo, contexto

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em que se insere Sex and The City. Essa corrente considera que o movimento conquistou seus objetivos na segunda onda, mas ao mesmo tempo os questiona. Para as teóricas do movimento pós-feminista, o que era determinado pela diferença dos sexos na verdade tinha base puramente sexista.

A autora britânica Angela McRobbie critica o pós-feminismo pois considera que, adicionando o prefixo, dá a impressão de que tudo já foi conquistado e as feministas deveriam lutar por objetivos diferentes. Mc Robbie é uma das quais relaciona a corrente ao programa da HBO, uma vez que Carrie é uma mulher livre, mas está sempre em busca do homem ideal.

Fator totalmente relevante na série, a inserção da mulher no mercado de trabalho foi uma das lutas do movimento feminista. E a busca pelo sucesso, no entanto, segundo alguns estudos, causa a solteirice. Não é a cara da Miranda? E é disso mesmo que a série fala. Mulheres que conhecem e usufruem sua independência, que ao mesmo tempo ralam para

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pagar suas contas e estouram o limite do cartão de crédito, que moram juntas com seus companheiros sem se importar em casar primeiro, que são donas do seu futuro e que tem habilidade para o sucesso.

Em suma, Sex and The City enxerga o feminismo como um fenômeno ultrapassado. As feministas lutaram e conquistaram seu lugar no mundo, mas agora é a hora e a vez da mulher inteligente, que sabe o que quer mas que não perde o sentido do seu gênero e que faz as suas próprias regras, principalmente no relacionamento.

O exemplo que Carrie Bradshaw, Miranda Hobbes, Charlotte York e Samantha Jones querem transmitir é que não há problema em ser solteira na faixa dos 30 a 40 anos, não sendo necessariamente regra o que a sociedade impõe pelo modelo de família. A mulher pós-feminista é emancipada e agradece às suas anteriores por esse feito, mas também quebra paradigmas sem dispensar um bom Manolo Blahnik.

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