A Regra do Jogo — Semana 7×37–42

Você tá querendo dizer o que? Que a minha mãe mentiu pra mim? A VIDA TODA?” — Toia

Ainda manipulando o telespectador a qualquer custo e causando confusão na cabeça de todos, A Regra do Jogo fez uma ótima sétima semana, mostrando que o teor de série policial da novela é muito bem construído, mesmo que isso acabe muitas vezes ofuscando os outros núcleos no entorno.

Chamou a atenção nessa semana mais uma entre as inúmeras semelhanças com Avenida Brasil: a cena da tentativa frustrada de matar a Toia quebrando o barco e o fazendo afundar, que para os mais atentos imediatamente lembrou bastante quando Carminha tentou se desfazer do Max por que ele sabia demais. Falta de criatividade do João Emanuel ou não, a cena foi muito bem feita.

Todo o teatrinho do Zé Maria supostamente salvando a Toia, já fora do barco, foi perfeito para mostrar o quanto precisamos ter um personagem mega odiado numa novela. Daqueles que a gente despreza 100%. Queira ou não queira, Atena e Romero, vendidos como vilões, não chegam nem perto disso. Nosso suposto ódio por eles é tudo admiração disfarçada. Com o Zé Maria, não.

toia

Regadas de bons diálogos, fotografia bem iluminada e uma trilha sonora dos céus, todas as sequências do Romero contando a verdade (ou meias verdades) sobre a vida de Toia para ela mesma foram especiais e sem dúvida pontos altos da trama. Ver um vilão pagando de mocinho para manipular alguém é um clássico indispensável das novelas.

Enquanto isso, Juliano despenca na construção de sua personalidade, ainda indefinida. Se era pra ele ser o herói da história, até agora não colou. Nesta semana então, ficou mais parecendo um babaca infantilizado. Estagnou na linha do tempo.

Ainda no núcleo principal (que é imenso), tudo o que aconteceu entre o período de preparação da festa e o fim trágico de Djanira foi acertado. A produção, claro, perde Cássia no auge de sua maturidade artística — mas ganha bastante endosso para um provável plot de vingança de Toia, que é o que todo mundo quer ver, não é? Só que ainda está tudo tão confuso que nem dá para saber direito de quem ela deveria se vingar…

O ritmo intenso da novela abre o questionamento para as supostas situações que ainda serão exploradas. Quem assiste sempre tem a impressão de que a história está acabando. Isso é bom. Por outro lado, a audiência ainda insatisfatória aumenta a pressão da Globo para que a novela seja menos ‘cinema’ e mais ‘televisão’. Acho a visão estreita e receio por eventuais mudanças que minem a pureza do roteiro.

atena2

Na outra mão, uma coisa que não para de melhorar é a Atena, cada vez mais engraçada e com uma Giovanna Antonelli que vive um grande momento, apesar de sempre ser menos celebrada e lembrada do que os seus colegas de trabalho, que recebem capítulo após capítulo diversas cenas com muito drama. O que foi aquilo com o pessoal da facção? Só uma palavra define: ÉPICO!

O núcleo cômico da novela é muito inteligente mas falta mais escracho nos diálogos. Não deslanchou apesar da qualidade do texto, de difícil compreensão. A cobertura de Feliciano, cada vez mais lotada, carece de boas piadas, apesar das poucas que aparecem serem muito boas. Tem que chamar os roteiristas de comédia da Globo para dar uma forcinha. Um ponto bom da semana é a trama de Luana e Cesário, que deve ganhar mais espaço nos próximos capítulos. Ela mais “saidinha” e “prafrentex” e ele todo romântico e “virjão”. Texto bem escrito e ótimas atuações.

A coisa fica ainda mais irrelevante no núcleo cômico da favela. A audiência pode ter se enchido dos núcleos de favela por terem se repetido tantos nos últimos anos. Já não chocam/impressionam mais tanto. Antes os noveleiros olhavam com olhos grandes para esse Brasil desconhecido… É uma pena! Para fazer de novo, tem que ser muito audacioso e com muitas novidades. Parece que estamos falando do cenário político e econômico do nosso país, não é? Não é. É só uma novela. Mas… será que é mesmo só uma novela?

Já na mansão, a revolta que antes o telespectador sentia ao ver Belisa boicotando a mãe a qualquer custo (e que já estava sendo de um exagero sem fim) se converteu a compaixão ao ver que ela estava certa o tempo todo. Especialmente considerando que ela vai acabar se dando mal na história, julgada como louca por Orlando e toda a parentada dos Gibson. Vai pegar fogo!

Não sei se A Regra do Jogo ainda tem chance de pegar, de ser um baita sucesso, daqueles super comentados nas ruas com altíssimos índices de audiência. Ainda assim, com menos ou mais pessoas assistindo, uma coisa é certa: quem assiste está achando um máximo.

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