A reinvenção do fã

Até pouco tempo a palavra FÃ significava — APENAS — uma pessoa sem qualquer tipo de discernimento e movida pela paixão. Pouco importava se o ‘objeto de adoração’ era bom ou ruim, seu único foco era ‘amar sob todas as coisas’. O fanatismo exacerbado era tão chato, que até as emissoras e grandes marcas o ignoravam. Porém, tudo mudou desde que a tecnologia e a potencialização do compartilhamento de conteúdo invadiram a esfera da comunicação.

Os fãs, sim aqueles chaaatos de galocha, passaram a receber outro tipo de atenção. Graças a eles séries caíram no gosto do público e histórias foram eternizadas. No novo ecossistema de conectividade, a emissoras querem transformar o maleável zapeador em um participante ávido. Naquele sujeito que se torna referência, que vai além da opinião dos críticos renomados e ‘julga’ como uma subjetividade confiável.

Não estou falando do fã que se fecha em seu ponto de vista e acha tudo especular. A convergência trouxe consigo a reinvenção do espectador, aquele que tem a necessidade de ‘se afogar’ no universo narrativo, que partilha conteúdo — ilegal ou não — e faz com que aquela trama de 40 minutos se expanda em inúmeros Diagramas de Venn.

A participação e a produção dos fãs sempre estiveram presentes na indústria, o que muda com a convergência é a amplitude. (Fonte: M. Steffens)

Quer melhor garoto propaganda que esse? O fã é aquele que não ganha nada para divulgar uma série, divulga porque gosta e sua maior recompensa é a perpetuação de sua ‘musa’. Sujeitos proativos que buscam sempre novas camadas narrativas e conhecem como ninguém aquilo que consumem semanalmente.

Na era da convergência, o fã também se reinventa e deixa de lado a avidez cega e egoísta, e passa a contribuir de forma engrandecedora. O Box é um bom exemplo, poderíamos vestir a carapuça do mass media — como muitos ‘blogs’ do gênero fazem — e posar de especialistas em folhetins norte-americanos, mas antes — pelo menos no meu caso — de aulas, teorias, estudos, pesquisas, especialização e muito blá blá blá acadêmico — eu amo ouvir essas histórias seriadas. Por isso, semanalmente me dedico a difundir esse âmbito. Se ele faz sentido para alguém? Se é benéfico? Eu não sei. Minha única certeza é que estou seguindo a risca o verdadeiro papel de uma história: a sua perpetuação. Seja através das notícias ou das colunas, estou passando adiante o meu amor pelas séries de TV. E você, vai ficar aí no seu narcisismo prepotente ou vai se reinventar?!

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