A relação entre pais e filhos em Star Wars

Relação pais e filhos em Star Wars não é fácil. Ser (ou representar) uma figura paterna é ter um alvo apontado para o próprio peito.

Atenção: O texto a seguir contem spoilers de todos os filmes da saga Star Wars. Siga em frente por sua conta e risco.

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, onde psicólogos não existiam, nasceu um garoto chamado Anakin Skywalker…

Refletindo após assistir Star Wars — O despertar da força, podemos sugerir que a questão motivadora de toda a saga seria resolvida, mais facilmente, com terapia. Afinal, quem é o grande vilão dos 6 primeiros filmes? Uma criança que cresceu sem aprender a lidar com frustrações e teve problemas familiares. E quem está em processo para ser o grande vilão da nova trilogia? Um garoto que não sabe lidar com frustrações e também parece ter tido problemas familiares.

Algumas sessões de psicoterapia infantil poderiam ter evitado muitas tragédias: planetas não seriam destruídos, a Ordem Jedi estaria intacta e grandes personagens ainda estariam vivos. ‘Ah, mas eles não existem, são apenas ficção’, poderia dizer um ‘não fã’ da saga. Mas é preciso deixar bem claro que sim, eles existem nos corações dos fãs. Agradecemos suas existências a George Lucas.

Aliás, seria muito interessante se alguém, um dia, perguntasse ao criador da saga qual é seu problema com a figura paterna. Porque, obviamente, existe alguma questão aí. Esperamos que ele tenha trabalhado isso em psicoterapia.

‘Ah, mas Anakin não tem pai…’ É, ele não tem, foi concebido apenas pela Força. Mas, mesmo que não tenha um pai biológico, dois personagens assumiram, de alguma forma, a posição de figura paterna… E ambos foram mortos! Curiosamente, no primeiro filme de cada trilogia.

Em A ameaça fantasma, o primeiro a assumir uma postura paterna para Anakin é Qui-Gon Jinn, que é prontamente morto no primeiro filme, deixando seu posto de mestre para Obi-Wan Kennobi. Este, posteriormente, passa a ser visto como inimigo pelo garoto. E nem vamos falar que Anakin não consegue superar o luto pela perda da mãe e casa com uma mulher mais velha. Freud estaria comemorando no túmulo.

Já em Uma nova esperança o próprio Obi-Wan evapora no ar deixa o convívio no mundo dos vivos em uma batalha contra o Anakin/Darth Vader, provando mais uma vez que a questão com a figura paterna continua. E como padrão que é padrão tem que permanecer, noEpisódio VII, mais uma figura paterna é morta (RIP Han Solo, ainda não aprendemos a lidar com sua partida). A pergunta é: com qual objetivo?

Algumas abordagens da psicologia assumem que a figura paterna é aquela que ‘detém o poder’ e estabelece as permissões e proibições para as crianças em seus primeiros anos de vida. Obviamente, também há o papel materno na dinâmica, mas como os pais até agora são os mais visados por sabres de luz, continuaremos a nos ater a eles.

Star Wars é uma história que fala da luta pelo poder. Dominar a Força, nada mais é do que deter o poder para controlar toda a galáxia. Se pensarmos por esse prisma, eliminar os personagens que tem voz de interdito para que os vilões cresçam é um caminho natural. E como estamos falando de uma saga maniqueísta, as vítimas do lado sombrio certamente tem que possuir uma importância para o público e os mocinhos tendem a resolver melhor suas questões, já que a tendência é de redenção.

Se a saga continuar seguindo o padrão das trilogias anteriores, não há mais figuras paternas para serem vítimas do vilão. Talvez haja a possibilidade da perda de um grande mestre, se formos comparar o Luke ao Yoda. Ainda assim, as questões entre pais e filhos continuarão em aberto, por motivos de parricídio. Só resta esperar que a Leia volte a ter a mesma garra de antes e consiga ensinar ao Kylo Ren a ter um pouco mais de respeito por seus progenitores.

Enquanto isso, continuamos em nosso processo de luto. A perda de Han Solo precisa ter uma grande consequência. Foi possível perdoar George Lucas pelos personagens que se foram ao longo das duas trilogias, mas será possível perdoar J. J. Abrams por não reunir novamente, em uma única cena, o trio de protagonistas que encantou gerações? Só o tempo dirá.

Mas, que algumas sessões de terapia familiar poderiam ter salvo o Han Solo e impedido o fortalecimento da Primeira Ordem… Poderiam sim.

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