A Teia — Episódio 10

É, para onde você vai, nem sua mãe pode lhe salvar, Marquinho. “ — MACEDO, Jorge

Pais violentos geram filhos violentos. Um pai que pratica a violência para numa tentativa falha, educar seu filho, só causa problemas, levando seu filho a ser violento no futuro. É preciso ter calma e controle na hora de ensinar o certo para o filho. Com atos violentos, o pai pode estar criando um psicopata transtornado.

E foi isso que Baroni passou na infância e se transformou. Ele era apenas uma criança inocente, normal, assim como todo mundo. Mas sofrer nas mãos do pai e ver sua mãe assassiná-lo em sua frente. A criança pura já não estava mais lá. Toda a bondade foi substituída pelo medo e pelo ódio.

Nesse último episódio de A Teia, as tramas foram bem finalizadas, assim como deveria ser. Um episódio épico, dando um fim digno a essa ótima história quê foi contada.

A Teia - 1x10

Celeste foi loucamente apaixonada por Baroni, não querendo entregar-lhe. Apesar de todas as barbaridades que ela sofreu nas mãos dele. Mas tudo mudou ao ver o vídeo. Para quem não sabe, o vídeo real do bandido Marcelo Borelli torturando uma garotinha de 3 anos, foi exibido na TV brasileira anos atrás, chocando todo o país. Claro, que na série foi mais light, ficando com uma imagem de alguns segundos e o áudio de Baroni obrigando Ana Tereza a comer suas fezes.

Nesse ponto, Baroni já havia chegado ao extremo de sua insanidade. Torturar lentamente Ney na frente de sua filha? E ainda exibindo o vídeo para ele? Sorte que Charles chegou no momento certo, pois Ninota iria sofrer mais um pouco.

O clímax da temporada havia chegado. Numa cena digna de Hollywood, Baroni e Charles são encurralados. A casa caiu. Sem ter mais nenhuma ação, Baroni se entrega, mas claro que não iria ser preso antes de fazer alguma coisa né? Tiro em Celeste, sem dó.

Macedo tem o dom de conversar e conseguiu entrar na cabeça de Baroni, fazendo-o lembrar de sua infância. Uma criança que sofreu muito, cresceu e faz as pessoas sofrerem. Definição simples de Marco Aurélio Baroni.

A trama sobre a família de Macedo, desnecessária por sinal, não teve muita atenção, como deve ser e foi. Macedo só mandou seu irmão correr, salvando os bens da família.

Em relação a atuação, a maioria dos atores foram ótimos nessa temporada. João Miguel vivendo Jorge Macedo deu aula de interpretação, impecavelmente. Paulo Vilhena, viveu seu primeiro vilão, e foi bem na maioria das vezes, apesar de não conseguir demonstrar emoção em algumas cenas, em geral teve uma boa atuação incorporando o psicopata Marco Aurélio Baroni. Andreia Horta como Celeste teve uma atuação fraquinha nos primeiros episódios, mas da segunda metade da temporada em adiante melhorou consideravelmente, entrando de vez na personagem. Ângelo Antônio como Germano também foi incrível, sua dinâmica com João Miguel foi realmente boa, Macedo e Germano formaram uma grande dupla. Mas o destaque com certeza foi Fernando Alves Pinto vivendo Libânio. O personagem cômico da série, suas expressões e sua estranheza sempre foram motivos de riso. Com pouca experiência em TV, o ator mandou muito bem, parabéns.

A trilha sonora também foi perfeita. Mesmo repetindo as músicas de outros episódios, caíram bem. As músicas de fundo também foram bem encaixadas, trazendo mais suspense ao episódio. Trabalho muito bem feito.

Outro destaque foi a fotografia. A qualidade imposta por ela nas cenas, teve um papel importante na temática da série, só atribuindo mais qualidade a obra.

Todos tem seu final, feliz ou não. Destaque para Baroni virando a putinha da prisão, com certeza foi merecido. Aliás, na vida real, Borelli morreu por AIDS, contraindo ao seu estuprado na prisão.

Com poucos ganchos deixado em aberto, ainda é incerta a 2ª temporada de A Teia. Mesmo que pareça ser uma série de apenas uma temporada, acredito que ainda tem história para uma próxima.

Uma série incomum na TV aberta brasileira, com cenas chocantes e que sempre foram motivo de censura. Um thriller psicológico de fundamento, roteiro e direção impecáveis, atuações boas.

Definindo em uma palavra, uma série corajosa, como há tempos não se via na TV. Merece uma 2ª temporada.

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