A telinha seduz cada vez mais os grandes cineastas

Com o encolhimento do mercado cinematográfico, que cada vez mais só investe naquilo que trará retorno certo, os produtores independentes tiveram que procurar um novo lugar para mostrar seu trabalho e, claro, ganhar dinheiro. Para muitos, a televisão é esse novo lugar. A Killer Films, das produtoras Christine Vachon e Pam Koffler, responsáveis por filmes como Retratos de uma Obsessão com Robin Williams e Meninos não Choram, que rendeu o primeiro Oscar de melhor atriz para Hilary Swank, está entre os que fizeram a transição, empolgada pelas opções que a telinha traz.

A minissérie da HBO Mildred Pierce é o primeiro projeto para TV de Vachon e do diretor Todd Haynes (do elogiado filme Longe do Paraíso), o qual ela descreve como um filme de 5 horas e meia. O projeto é uma adaptação do romance de James M Cain, sobre a tensa relação entre uma mãe divorciada e sua filha e é estrelado por Kate Winslet, que se comprometeu com o projeto logo após ganhar o Oscar de melhor atriz por O Leitor.

“Alguns anos atrás, não haveria a menor possibilidade de Todd Haynes fazer algo para TV e até mesmo que Kate Winslet concordasse em estrela-lo,” disse Vachon. “Isso diz muito sobre a direção em que a produção cinematográfica está indo.”

Para cineastas como Haynes e Martin Scorsese, cuja minissérie também da HBO, Boardwalk Empire, suscitou menções brilhantes, a televisão oferece um espaço amplo. “Diretores estão conseguindo contar as histórias pelas quais são apaixonados e estão conseguindo contá-las em um local mais apropriada para essas histórias,” Vachon afirma.

“Scorsese está fazendo Boardwalk Empire porque isso lhe dá a oportunidade de explorar os personagens e um mundo por uma quantidade de tempo que ele não seria capaz de fazer na tela grande. O mesmo pode ser dito sobre Haynes e Mildred Pierce”, ela diz.

“Não é um substituto para os filmes. É um jeito diferente de fazer as coisas. Cineastas estão mais abertos para essas oportunidades, para algumas histórias que eles não poderiam fazer em celulóide”, ela explica.

Vachon diz que depois do filme Eu Não Estou Lá, Haynes queria que sua próxima história fosse voltada para o público feminino, mas isso tornou-se mais difícil de fazer no cinema nos Estados Unidos. A TV a cabo ofereceu um nível mais alto de liberdade criativa. “Eu achei que seria uma ótima mudança para ele fazer algo onde pudesse realmente ter tempo para explorar os personagens e a narrativa,” Vachon conta.

E não é que Vachon desistiu de fazer filmes para o cinema. Entre os projetos, a Killer está fazendo a comédia de improviso, Dealin With Idiots, com Jeff Garlin (Curb Your Enthusiasm) e o filme de terror Innocence, dirigido por Hilary Brougher e, mais recentemente, assinou um contrato de desenvolvimento com a britânica Bankside Films.

Mas Vachon diz que os limites entre as telas grande e a pequena estão indefinidos, especialmente, quando um número maior de distribuidores de filmes independentes, como a IFC, está lançando filmes no cinema e no pay-per-view ao mesmo tempo. Por causa disso, a próxima geração de talentos está se voltando para TV e novas mídias para contar suas histórias.

“Jovens cineastas cresceram com The Sopranos, Six Feet Under e The Wire e foi ali que eles viram histórias alternativas sendo contadas, histórias realmente ousadas”. E enquanto isso acontecia, boa parte da indústria cinematográfica pisava no freio e se tornava mais e mais avessa aos riscos.

“Então muitos cineastas jovens não são tão obcecados com a noção de que tem que fazer algo para o cinema,” ela diz. “Eles só querem fazer algo bom. E se são séries na web ou na TV, tudo bem. Eles só estão preocupados em encontrar seu público.”

A Killer Films tem 15 anos de estrada, ultrapassando muitas das companhias com quem já fez parceria ao longo dos anos. Para Vachon, a habilidade de adaptação é a chave. “Somos como baratas, simplesmente sobrevivemos a explosões nucleares,” ela brinca.

Assista abaixo o trailer da nova minissérie da HBO, que além de Kate Winslet, traz em seu elenco Guy Pearce (Amnésia) e Evan Rachel Wood (True Blood) e tem estreia prevista para o início de 2011:

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