A vingança era uma farsa!

Poucos dias depois da polêmica envolvendo a marca alimentícia KFC e The Walking Dead, nos deparamos com um case nacional. Mesmo não estando ligado a Social TV ou uma ação transmídia, o viral do canal pago Sony Entertainment Television causou buzz e ainda conseguiu usar o sentimento do espectador a seu favor.

A divulgação da estreia da segunda temporada de Revenge no Sony começou bem. Diante da comparação que o próprio público fazia entre a trama americana e a novela Avenida Brasil (Rede Globo, 2012), a emissora decidiu pegar carona no makerting — já praticamente pronto — e usa-lo a seu favor.

Nos promos existiam claras analogias a história de João Emanuel Carneiro como os icônicos frames congelados, algumas falas e o slogan “Porque vingança de verdade é assim!”. Mesmo entre os fãs mais ávidos, a ação pegou. Foram vários compartilhamentos, memes e releituras. As peças aumentaram empatia e a proximidade do grande público com a trama americana.

Porém, a ação de divulgação da série tinha uma última camada: o controverso viral. No dia 6 de dezembro, uma mulher vai até um carro estacionado na Vila Olímpia (SP) e começa a quebrar os vidros, arranhar a lataria, como um típico ataque de fúria passional.

Diante da cena, populares registram o descontrole da mulher e como acontece em qualquer evento ‘extraordinário’ hoje em dia, o escândalo se espelha rapidamente pela internet. Foram vídeos no YouTube, mesas redondas sobre os efeitos da mágoa, sites de notícia apurando qual seria o motivo de tanta revolta, Twitter, Facebook, enfim, a atitude da jovem repercutiu. Depois de muita especulação, eis que a Sony posta um vídeo em seu perfil no YouTube.

Tudo aquilo não passava de um viral, uma encenação para divulgar a segunda temporada de Revenge. Entretanto, o diferencial da ação não foi a repercussão em si, mas a revolta — já prevista — causada pelo sentimento de enganação que esse tipo de marketing gera.

Depois de mostrar toda atuação, eles provocam: “Se sentiu enganado? Quer vingança? Aprenda assistindo Revenge”. Mesmo com uma qualidade duvidosa e sem grandes inovações, o interessante foi a maneira que o canal encontrou de usar o sentimento do espectador a seu favor e brincar com o principal arco narrativo da série.

Em meio aos debates de até onde uma marca pode ir para divulgar seu produto e se o Sony merece ou não a revolta do público, só fica uma verdade absoluta: quem assiste Revenge sabe que lá as vinganças são muito mais cretinas e que quebrar os vidros de um carro seria apenas detalhe para Emily Thorne.

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