Abrindo O Diário Secreto de Laura Palmer

Hey you, cult dos anos 90, o The Box Is On The Table dessa semana foi feito especialmente para você! Sabe por que? Porque não existe pessoa alguma na face da Terra — só considero pessoas vivas, nas minhas estatísticas, aquelas que leem ou assistem alguma coisa — que nunca tenha soltado um “quem matou Laura Palmer?!”. Sentiu o frio na barriga? Pois é, hoje a coluna é suspense puro com uma viagem no tempo lá para Twin Peaks, cidadezinha super sinistra que vivenciou o assassinato/suicídio/sua-teoria-aqui da garota mais safadjénha daquele lugar.

E você ainda ousa se perguntar como eu pude usar um termo tão perjorativo nesse espaço super café filosófico? Lógico, meu caro leitor, eu li O Diário Secreto de Laura Palmer, livro escrito por Jane Lynch (não é a Sue, ok? O livro dela é outro), filha de David Lynch, diretor da série Twin Peaks de 1990, que foi um sucesso nos EUA, tanto que até a Rede Globo a transmitiu (na verdade, só parte dela, infelizmente), que serviu de inspiração para a criação do diário. Ou seja, aqui aconteceu o contrário, primeiro veio a série, depois o livro.

Nos parágrafos seguintes, você confere minha opnião, obviamente, sobre o mar de orgias e trasheiras que essas páginas proporcionam, além de teorias a lá Walter Bishop sobre a pergunta que não quer calar. Então faça sua cara de pessoa do fundão da escola que escuta banda indie, lê Nietzsche e ainda se pergunta o motivo pelo qual viemos a este mundo e prepara-se para sentir o arrepio — entenda como quiser.

Desvendando o maior segredo de Twin Peaks: Digamos que ler O Diário Secreto de Laura Palmer seja como assitir a um filme ao melhor estilo A Bruxa de Blair: bem pobre de narrativa, mas muito rico no quesito causar medo. A estrutura é simplória, até porque estamos lidando com um diário, onde o que importa são as emoções do próprio autor e nem sempre elas ocorrem em uma sequência lógica. Mas o suspense e a tensão, que são os objetivos principais do livro, estão presentes a todo momento e conseguem ser transmitidos com sucesso para o leitor.

Quem matou Laura Palmer?

Depois de seu aniversário de doze anos de idade, em 1984, a pequena Laura Palmer ganha um diário que, a partir daquele momento, se torna seu mais seguro confidente. Em todas as páginas — contando até mesmo com as aterrorizantes em branco — somos brindados, inicialmente, com histórias aparentemente normais de uma garota, a princípio, também normal, que passa a contar tudo o que ocorre na sua vida, desde seu primeiro cigarro de maconha, passando por experiências sexuais sinistras e estranhas, até o momento de sua misteriosa morte. O maior trunfo do livro é o conflito psicológico que ele cria em torno de Laura Palmer pois, gradativamente, a garota começa a ser perturbada por uma entidade que praticamente nos mantém vidrados no diário a fim de descobrir quem (ou o quê) está praticando todos os abusos mentais e sexuais com ela.

Saber o que BOB é, na verdade, descobrir realmente quem matou Laura Palmer, além do mais, todos os segredos que rondam esse espiríto, ou seja lá o que ele for, não são resolvidos de um modo objetivo no livro. Quem já o leu sabe que milhões de teorias passam por nossas mentes a cada folhear e, como se não bastasse, o diário termina com um aviso da própria Laura Palmer desabafando sobre como não aguenta mais tudo o que está acontecendo na sua vida tão assombrada. E depois, o livro termina com uma frase mais ou menos assim: “Essas foram as últimas palavras de Laura Palmer. Poucos dias depois, ela foi encontrada morta.” Fim. Eu não sei até hoje se isso me causou uma raiva imensa ou só contribuiu para aumentar a avalanche de ideias na minha cabeça. Mas acima de tudo, ler O Diário Secreto de Laura Palmer foi uma experiência aterrorizante e muito divertida e se você que está aqui nessa coluna ainda não o leu, corra e também se encha de dúvidas sobre quem realmente matou a danadinha da Laura Palmer.

O que é BOB? (#TrueBloodFeelings): Agora é hora de teorizar sobre quem é esse tal de BOB que fica levando a Laura Palmer para passear na floresta no meio da noite, confrontando-a e instalando o medo na garota. Nas minhas pesquisas no mundo obscuro do Google, acabei descobrindo várias teorias sobre quem matou Laura Palmer e a ligação que esse feito tem com o BOB e destaquei a mais interessante. Mas antes de expor essa opnião super intrigante e, digamos, bastante mirabolante, deixe-me registrar aqui neste espaço o que se passou na minha mente não tão fértil: a impressão que eu tive foi de que Laura Palmer possuía uma outra personalidade, a qual ela chamava de BOB (li o livro depois de conhecer a Tara), pois há momentos no seu diário que o próprio BOB conversava com ela e deixava isso por escrito. É como se a Laura usasse o BOB como desculpa para várias de suas “vivências” noturnas, as quais englobavam drogas, sexo, e mais drogas e mais sexo. No entanto, toda esse pensamento caiu por terra quando minha descoberta googlística mostrou alguém que havia assistido ao seriado Twin Peaks (algo que AINDA não fiz) e spoilou dizendo que se descobre quem matou Laura Palmer na segunda temporada:

“Quem matou Laura Palmer foi seu pai Leland Palmer possuído por um espírito chamado BOB. Essa entidade precisava do sofrimento e da dor das pessoas para alimentar a si e o seu povo que morava em um local chamado Black Lodge. BOB fazia isso para ficar mais poderoso e o ritual final seria praticar o sacríficio em alguém com 17 anos.”

Eu não sei vocês, mas para mim, todo o meu mundo faz mais sentido neste momento. As noites mal dormidas acabaram depois de ler o parágrado acima e agora, leitor, somos parte dos poucos felizardos que sabem o mistério que costumava assombrar Twin Peaks.

Espero não ter estragado sua vontade de ler o diário de Laura Palmer contando alguns detalhes dessa estranha e viciante história. Assim, fiquem com o meu adeus e o meu “por nada” pelo fato de ter acrescentado mais cultura na sua vida essa semana!

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