Afinal, Girls é a nova Sex and The City?

Desde que Girls estreou na HBO, não teve como evitar as comparações com Sex And The City. A começar pela personagem principal. Hannah Horvath é uma escritora que, ao contrário de Carrie Bradshaw, não tem tanto sucesso assim e muito menos é independente como a protagonista de Sex And The City. Imortalizada por Sarah Jessica Parker, Carrie marcou uma geração e levou à tona discussões sobre o corpo e a mente feminina.

A questão é: Girls é Sex and The City da nova geração?

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Primeiro, analisemos Sex and The City. A começar pelo cenário, as aventureiras nova-iorquinas da vez mostravam o deslumbre de viver na cidade onde se sentem realizadas. Entre compras em lojas de sapatos e doses de Manhattan, Carrie, Miranda, Charlotte e Samatha levantaram bandeiras como a autoafirmação e a liberdade do corpo. Em suma, Sex and The City é uma série sobre mulheres feitas colhendo os frutos das suas escolhas, sejam eles na vida profissional ou pessoal.

Girls já mostra a sua linha de ação no título: Hannah e suas amigas ainda não são mulheres, são garotas. Garotas essas que ainda têm laços com seus pais, sejam eles de dependência ou de assuntos não resolvidos. Nova Iorque não tem o mesmo glamour da “irmã mais velha”. Marnie, Jessa e Soshana ainda não escolheram que caminho seguir na vida, e não é para menos, trilham passos futuros incertos e pouca perspectiva. E as cenas de sexo são de colocar Samantha de queixo caído. O luxo é deixado de lado em prol de uma questão básica: qual o tempo certo de crescer.

Quanto às personagens, é um pouco sensível corresponder uma a outra, pois cada uma tem sua singularidade. A começar por Carrie e Hannah, como foi dito no início, ambas escritoras mas com perspectivas de autoafirmação diferentes. Marnie possivelmente pode ser comparada com Miranda, por conta da sua obsessão por uma vida mais centrada, que deixa de lado aspectos pessoais, como o amor. Soshana pode ser ligada à ingenuidade de Charlotte, e o espírito livre de Jessa é facilmente identificável com Samantha.

O sexo é outro tema principal em ambas as séries. Sex and The City mostra o ato sexual como algo além do prazer, algo que pode proporcionar coisas boas para ambas as partes, mas tem seus limites. Em Girls, o sexo é nada mais que uma experiência, que se modifica a cada vez — para pior ou para melhor. Quando algo não vai como o esperado, Bradshaw cruza os braços e filosofa, enquanto Horvarth apenas faz uma piada mal-humorada e pode até ceder ao inusitado.

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Dizer que Girls é a sucessora de Sex and The City é quase que afirmar que o ovo veio antes da galinha. Os anos 90 funcionaram bem para Carrie — até ela finalmente encontrar sua real carametade. Sabemos bem, e vimos em alguns episódios de Sex, que a vida a dois muda muito a pessoa e uma nova fase é inaugurada. Mulheres de 30 anos na década passada sentiam a necessidade de pertencer a alguma definição, como se devessem contas à sociedade. Garotas de 20 anos neste século não se preocupam em se definir ou ser definida, o primeiro passo é arrumar a bagunça que sua vida se tornou na transição juventude — vida adulta, e o grande desafio é tentar se satisfazer com alguma coisa. A vida aos 30 está todo encaixotada, cada qual com sua relevância; aos 20 tudo está em um grande baú, e nada deixa de ser mais ou menos importante.

Por fim, Sex and The City é um universo da grande responsabilidade, seja com as outras pessoas, seja consigo mesmo. Girls é o retrato da indefinição, do processo de formação. Carrie vive a teoria do que é o amor e de como lidar com os seus relacionamentos — e mais — se preocupa em se afirmar como mulher independente. Já Hannah não quer entender como a coisa toda funciona, ela apenas quer viver experiências sem se preocupar se seus pais têm que financiar sua vida. Embora não tenha contribuído em grande parcela para um impacto cultural e sociológico como Sex and The City, Girls mostra um ponto de vista interessante: até quando dá pra viver no tubo de ensaio, gestando o próprio crescimento?

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