Afinal, o que tá acontecendo com The Walking Dead?

Apesar de seus números impressionantes, a 7ª temporada de The Walking Dead vem registrando uma queda expressiva de audiência a cada episódio, algo somente visto na desastrosa terceira temporada.

Queixas dos fãs sempre existiram. Ao público que quer ver ação desenfreada, mortes a cada virada de esquina e reclamam dos episódios lentos, o próprio criador Robert Kirkman já deu seu recado: The Walking Dead é um drama que fala de sobrevivência.

A questão é que The Walking Dead (série e quadrinhos) trouxe uma pegada diferente ao tema “apocalipse zumbi”. Preocupando-se primordialmente com o desenvolvimento de seus personagens. As mortes dos personagens, por exemplo, só deixam o público desolado, porque os roteiros permitiram aprofundar em suas motivações, histórias, medos, desejos, e relacionamentos.

Definido o foco narrativo, ainda há a excelência no quesito zumbis. Greg Nicotero supera-se constantemente nos efeitos de maquiagem. Já tivemos zumbi pegando fogo, dentro d’água, derretido no asfalto… E agora soterrados por areia. Mas, ainda assim, parece que tudo isso não tem sido o suficiente na atual temporada, porque há, claramente, um problema no que se refere à dinâmica dos episódios.

A sétima temporada tem sofrido, talvez, mais do que as outras, devido ao “mundo maior”. Precisamos conhecer novos grupos? Sim, claro, mas não dá pra entender a necessidade de separar os episódios em núcleos de forma tão segregadora. Deve-se convir que fazer com que um personagem fique longe dos olhos do público por 4 episódios diminui significativamente o nosso interesse por tudo aquilo que nos despertou empatia anteriormente.

Ainda tem o fato de que, para manter a separação e preencher o tempo dos episódios, há muitos espaços em branco, onde os diálogos e as ações são apenas irrelevantes… E aqui não estamos falando de necessidade de ação desenfreada, mas de ritmo. Aliás, para que episódios estendidos se nada de relevante será apresentado (alô Service)?

Claro, há episódios cujo foco é uma escolha interessante. Falando de The Well, por exemplo, misturar a apresentação do Reino — um lugar de clima leve e otimista — com cenas em Alexandria, onde todos estavam destruídos, diminuiria o efeito da reação de Carol e Morgan, bem como não traria a carga dramática que o grupo de Rick merecia.

Há também The Cell onde o “isolamento” foi coerente: a imersão no clima claustrofóbico que rodeiam Daryl e Dwight foi bem necessária para compreendermos a influência de Negan sobre aquelas pessoas. Esse também seria o caso de Service, que foi traído pelos minutos a mais. Coincidentemente (ou não), foram episódios seguidos, que poderiam ter sido intercalados com outros mais dinâmicos para dar uma diversificada nas estruturas.

E na semana passada tivemos mais um episódio no mesmo estilo. Por mais que Alanna Masterson tenha construído uma Tara de personalidade encantadora, a apresentação de mais um grupo apenas causa a sensação de super lotação na série. Pode-se até dizer que essas novas pessoas são necessárias para o embate com Negan, mas não seria mais simples usar outros artifícios de roteiro? Na HQ, funcionou, já na série teremos mais personagens para desenvolver (alguém, realmente, sentiu empatia pelas mulheres de Oceanside?), muitos pontos de vista para abarcar e mais segregação nos episódios.

Percebe-se o grande tempo desperdiçado naquela comunidade, quando fica o desapontamento diante da forma como foi apresentada a reação de Tara ás notícias em Alexandria. Certeza que muitos fãs trocariam os 40 minutos iniciais pela conversa entre Eugene, Rosita e Tara.

Para além de tudo, ainda ficou o mistério de “Onde está o Heath?”. Na boa, mata logo o personagem, Corey Hawkins já tem 24 Horas todinha pra ele.

Bom, mesmo que essa queda nos números não seja ainda uma ameaça de cancelamento, há um sinalzinho de alerta piscando… E é preciso que os produtores parem para refletir um pouquinho. Por mais que tenhamos a certeza de que pelo menos 4 episódios serão estouro de audiência, uma série não pode sobreviver apenas de première — midseason finale — midseason première — season finale, não é?

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