Agents of SHIELD 3×07 — Chaos Theory

Agents of SHIELD se baseia em fontes clássicas para desenvolver Chaos Theory.

Isso é uma interpretação muito errada do trabalho de um terapista.” — COULSON, Phil

A revelação de Among Us Hide, que o misterioso Lash era na verdade Andrew Gardner, o ex-noivo de May, colocou um grande peso nas costas de Agents of SHIELD. Como é que o personagem de Gardner seria tratado agora? Pelos primeiros minutos, parece que a série estava seguindo o caminho óbvio, fadado ao clichê. Muitas frases com duplo sentido, chegando a um nível onde a trilha sonora estava fazendo tudo parecer mais ridículo do que ameaçador.

É só quando a série abandona os outros personagens em troca de cenas com May e Andrew conversando que Blair Underwood (mostrando porque foi adicionado ao elenco regular da série) tem um material mais forte para construir um novo personagem. Sai o gentil Dr. Gardner, e em seu lugar entra um Andrew com uma personalidade mais sadística, mais extremista. A maior fonte de inspiração de Chaos Theory não são os quadrinhos da Marvel, mas sim a clássica história de Doutor Jekyll e sua dupla personalidade, Mister Hyde.

Isso é bem claro no modo como Underwood decide interpretar o personagem em seu estado de pânico. Andrew fala do assassinato dos outros Inumanos como algo que ele devia fazer, algo que o trouxe um sentimento de liberdade sem igual. Ao mesmo tempo, o desejo de fazer bem do antigo Dr. Gardner aparece, mas exacerbado pelo poder animal de Lash.

Afinal, Andrew não tem mais a missão de ajudar os outros a lidarem com seus problemas. Agora ele deve separar os bons dos ruins, e Underwood entrega essa fala com uma dor escondida nos fundos de cada palavra, como se Dr. Gardner tentasse sair a cada pausa. De fato, Underwood finalmente eleva o personagem de Lash para um status mais memorável e balança o status quo de Agents of SHIELD de um modo mais interessante: os vilões anteriores da série eram sempre pessoas que tiveram seus sensos morais deturpados pela vida.

Lash também tem a chance de mostrar um pouco do seu estilo de luta nas cenas de ação. Desde o seu primeiro episódio, Agents of SHIELD tinha um conflito entre o que queria fazer e o que podia fazer. Uma série de TV não tem o dinheiro para fazer uma luta estilo A Era de Ultron. A série tenta, mas as lutas entre os Inumanos nunca passam de algo que você pode ver em um episódio mediano de Arrow. O que é muito triste, especialmente depois de Agent Carter mostrar que você não precisa de superhumanos pra fazer ação divertida.

Em vez de providenciar a diversão por meio da ação, a série aposta nos seus personagens. As pequenas piadas usadas para quebrar a tensão já são um estereótipo das produções Whedon, mas Agents of SHIELD refinou essa arte ao ponto de quase virar coisa de fábrica. Para não perder esse sentimento orgânico, a série experimenta com combinações na esperança de achar relacionamentos interessantes para os espectadores e que podem ajudar a expandir a história.

Dois desses relacionamentos ganham um foco menor em Chaos Theory: Simmons e Fitz, que está se tornando um dos novos ‘será que eles vão ou não vão’ da televisão moderna, e Coulson e Rosalind, que continuam a brincar em um eterno jogo onde não se pode estar certo quem está manipulando quem. Tenho esperanças de que no final deste arco-íris há algo mais diferente do que Rosalind traindo Coulson novamente. Especialmente porque, assim como Lash, ela ainda tem um pouco de seu ‘eu bom’ atrás da face que ela usa para liderar a ATCU.

Assim como ela, Andrew também tem um pouco de Jekyll atrás do seu Hyde. Ele pode voltar. Ou não. Essa dúvida imediatamente torna Lash um vilão mais excitante do que Zabo ou Jiaying da segunda temporada, ou até de Ward na primeira temporada. Eu só espero que Lash sobreviva para voltar em muitos mais episódios. Agents of SHIELD precisa de um vilão tão memorável quanto Loki ou Ultron.

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