AHS 1×11 — Birth

Expectativas raramente condizem com a realidade. Isso é especialmente verdadeiro para séries. Quanto mais mistérios elas criam, e quanto mais tempo demora para explicá-los, mais provável é que os espectadores se decepcionem. Me decepcionei muito com Rubber Man, mas o último episódio excedeu todas as minhas expectativas. Portanto, não sabia o que esperar deste aqui. Felizmente, a série não só não decepcionou com o nascimento do bebelzebu, como talvez, pela primeira vez, funcionou emocionalmente do começo ao fim.

Tanta coisa boa, não? A cena em que Ben tenta tirar Violet da Casa foi muito bem dirigida, dando um ritmo frenético que reverberou no episódio inteiro. Achei muito absurdo que Ben não achou estranho que sua filha simplesmente desapareceu do carro. Porém, mais tarde, a cena em que ele descobre toda a verdade sobre ela compensou esse deslize.

Já falei várias vezes que AHS funciona melhor quando foca na Casa e nos fantasmas. Quando eles se antagonizam e brigam, como nesse episódio, é melhor ainda. Foi uma delícia ver a insanidade de Chad, Hayden e Nora, todos obcecados pelo bebê de Vivien. Zachary Quinto especialmente estava ótimo. Odiei seu personagem nas suas primeiras aparições, por juntar os piores tipos de estereótipos homossexuais que o Ryan Murphy adora reiterar, mas funcionou (e muito) nesse episódio.

Me emocionei um pouco com o desespero do casal em ter um filho para tentar parar de sofrer e ri muito com o personagem do Zachary discutindo com Tate e, principalmente, Constance. Hilário que ela questione não que dois fantasmas criem um bebe, mas que dois homens o criem, apesar da militância ter soado um pouco desnecessária. A cena em que Tate tenta dar em cima de Patrick, e esse o espanca, foi muito forte e com emoções reais, como raramente a série consegue fazer.

E não foi só a história dos fantasmas gays que finalmente conseguiu emocionar de verdade. Acho que, pela primeira vez, me importei com Vivien e Ben. A chateação de Vivien por Violet não te-la visitado poderia muito facilmente ter soado como drama forçado, mas a conclusão foi extremamente bonita e bem feita, dando uma dimensão ao relacionamento das duas que ainda não havia sido visto.

A cena do parto foi extremamente grotesca e pesada, com os gritos, iluminação baixa, cortes de câmera frenéticos. O contraponto com o nascimento de Violet, bonito, claro e emocionante, foi uma ideia muito boa. Pela primeira vez, realmente acreditei que o casal poderia ter sido feliz um dia.

A morte de Vivien não foi um choque, já que desde o início o caminho natural da série seria que todos da família morressem, mas a cena foi excelente, e mais um momento que surpreendentemente emocionou. O pedido de desculpas de Violet pareceu muito honesto, e a imagem de Vivien entre a vida e a morte, vendo e conversando com Violet no plano dos mortos, foi muito bacana. Outra imagem muito bonita do episódio foi quando Vivien morreu e todos os fantasmas desapareceram, deixando Ben sozinho com o corpo da mulher.

Comentando sobre imagens, a mais bonita do episódio, e talvez da série, e que mais condisse com o clima da cena, foi quando Billie Dean, de costas, diz que Tate não pode estar lá, enquanto a câmera, de uma forma assustadora e arrepiante, eleva-se, revelando Tate atrás dela, no escuro, apesar do local atrás dele estar iluminado.

Gostei muito também da forma como a ficha de Ben finalmente caiu, com tudo acontecendo de uma vez. Nesse ponto da história, com tanta coisa rolando e Vivien morrendo, não dá mais para tratá-lo como idiota. Não gosto muito do ator, mas nessas cenas sua atuação deu certo.

A única cena que foi boa, mas ficou aquém das minhas expectativas, foi a de Violet confrontando Tate sobre tudo que ele havia feito. Achei que Violet ficou calma demais ao descobrir todas essas coisas terríveis sobre o namorado, mas fiquei feliz que ela finalmente se separou dele. O final foi muito bonito, mais um momento emocionante, com Vivien e Violet se reencontrando como fantasmas.

Quanto aos bebês, nesse episódio, descobrimos que as histórias de Billie Dean, a vidente, não são necessariamente verdadeiras, como aquele flashback ridículo e sem ligação com a história (não que isso seja ruim). Portanto, há uma chance que o filho de Vivien não seja o anticristo =(. Mas há algo sobre ele, já que os escritores e diretor se recusaram a mostrá-lo. Espero que ele tenha chifres e um rabinho! O bebê filho do Ben está agora nas mãos de Nora, e o bebêlzebu aparentemente com Constance ou Hayden. Não tenho ideia do que vai acontecer no season finale, nem como será a segunda temporada. Espero que essa conclusão e as revelações sobre os bebês sigam o nível dos últimos episódios, e não decepcionem.

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