AHS: Freak Show 4×02 — Massacres and Matinees

Você é meu anjo” — MARS, Elsa

E quando a gente acha que não pode ficar melhor, vem um roteiro inteligente e cheio de história boa para contar e joga na nossa cara um episódio muito interessante. Mais uma vez, a magia de AHS acontece: em uma série antológica, na qual não há compromisso com as temporadas anteriores, e nem com as posteriores, as histórias acontecem rapidamente e repletas de desenvolvimento de suas tramas. Volto a dizer que o que faltou a Coven foi história.

Assim, as personagens seguem numa trajetória de descobrir-se. Betty e Dot foram criadas escondidas dentro de casa. Apesar do desejo de Betty se ganhar o mundo, Dot sempre foi a mais contida e a que teve mais medo da reação do mundo às gêmeas siamesas. Uma pessoa que tem duas cabeças, 4 pulmões, dois corações é algo muito especial de se ver. Como funciona? Se matar uma, a outra sobrevive? Acrescente a isso o fato que Dot sabe cantar. E tem uma voz linda. Uma freak com talento? Por essa Elsa não esperava.

Ela começa então a jogar com a dualidade presente na moça. O fato de Betty querer estar nos palcos mas ser de Dot o talento é algo que levará mais uma vez as gêmeas à contradição. E o que há de mais contraditório que dois corações batendo no peito? A motivação de Dot ao soltar a voz é o amor crescente que ela sente por Jimmy. Será que Betty já percebeu?

AHS Freak Show 4x02

E Elsa tem nas gêmeas uma dualidade também: elas salvariam o circo de horrores da alemã, mas elas vão aparecer mais que Elsa? O dinheiro ou a fama? Elsa promete a Betty o mundo, e sabe que é Dot que comanda o corpo (reparem que Dot tem a cabeça ereta e Betty inclinada, quando a posição corporal de Betty indica submissão). No momento em que ela atiça em Betty o desejo pelo comando, ela quer minar o talento em Dot mas sem perder a atração principal. Para Elsa, ela tinha que saber cantar? Não bastar ter suas cabeças para que o público venha conferir, como num freak zoo?

Voltemos ao tema dos excluídos. Ryan não irá perder a chance de mostrar os little monstres como aqueles que sofrem, que são alvo de bullying e são realmente os excluídos da sociedade. E acrescenta a esta equação a maldade e sordidez humana, quando coloca-se a prova a capacidade de matar deste grupo. Este Freak Show começa a tornar-se uma espécie de lugar onde bandidos se aglomeram, como no convento de Maus Hábitos. Eles se escondem seus crimes por trás do entretenimento do show de horrores, por trás de um talento. Betty e Dot já mataram a mãe, Jimmy, o policial, e o recém chegado Stronger Man um amante da esposa/esposo.

Mas nada justifica a reação da sociedade ao desconhecido, ao diferente. É certo que o circo é um refúgio para estes little mosnters, uma vez que os perigos que eles correm fora do circo são eminentes. Com um assassino a solta, fácil é a condenação aos freaks. Em alguns casos verdadeira, em outros, arranjada. Pobre Meep, foi vítima da sociedade, vítima do ódio. Num momento em que o racismo e a homofobia nos EUA não eram condenados, estas atitudes eram comuns. O retrato desta sociedade faz-nos refletir o quão avançamos até os dias de hoje, ou se apenas aprendemos a esconder os nossos preconceitos.

Depois deste episódio fiquei pensando que ainda há muito a sabermos sobre o killer clown. Fato é que só a aparição dele me causa pânico, mas porque tornar-se um assassino tão cruel assim? O quanto o mundo foi cruel com ele? O que levou ele a transformar-se nesse ícone do terror? Eu começo a pensar que ele pode ter sido um pai de família, com mulher e filho, que em algum momento deformou-se, surtou e agora mata. Precisamos saber se quem ele mata possui um perfil específico, ou se ele mata quem estiver no caminho dele.

O fato de manter um menino e uma mulher presos em seu trailer me leva a crer que ele quer recriar a imagem familiar que ele tinha antes de transformar-se. O killer clown é uma incógnita ainda, assustar ao extremo, mas pelo que conhecemos do produtor é bem capaz de ter ali escondido um bom motivo para ele ser este assassino. Reparei também que ele vive em um trailer bem semelhante aos presentes no circo.

E não menos bizarro que as atrações do circo é Dandy Mot, um aspirante a psicopata que aproxima-se do killer clown por achá-lo interessante. Um filhinho de mamãe que sempre tudo na mão quer desafiar a vida, ao flertar com a morte com o palhaço, ele adiciona a boring vida dele emoção. Olha, dispenso estar a menos de 100 km deste palhaço viu! Será que o palhaço achou seu ajudante de palco?

Enquanto ainda está no início da série, as atrações do circo ainda são novidade. A trama dentro do Freak Show precisa evoluir para que possamos ver Kathy Bates ou Angela Bassett brilharem, pois potencial tem, subtramas existem. Acredito que o circo está armado para que as personagens possam brilhar, e isso que espero a partir de agora.

O próximo episódio, Edward Mordrake Part.1 é dia das bruxas, e há uma antiga superstição de eles não trabalharem neste dia. Será que vai dar certo? Fiquem com a promo e até a próxima semana.

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