Ainda sobre Stranger Things e seu elenco infantil

Vamos falar sobre um dos melhores elencos da atualidade?

Há quem diga que o óbvio precisa ser dito, sendo assim, podemos começar (re)afirmando que, sim, o elenco de Stranger Things é o segredo da série, sendo um dos melhores em ação na atualidade.

São três gerações interagindo de forma tão orgânica que se torna fácil esquecer que aquelas relações são ficção… E que também se torna difícil encarar a realidade apresentada em Beyond Stranger Things. E sim, vamos citar também a super exposição de seu elenco infantil

De um lado temos a “adultização fofa” dos garotos de Hawkins, de outro sexualização de Millie Bobby Brown e, dentro deste contexto, aparece (ainda que de forma tímida) a intérprete de Max, Saddie Sink, cujo comportamento destoa de praticamente todo o restante dos pré-adolescentes do elenco.

Durante o show Beyond Stranger Things, Saddie é exposta à duas situações bem sintomáticas. A primeira delas é a ênfase dada a cena de beijo entre Max e Lucas (interpretado por Caleb McLaughlin). Visivelmente incomodada, a atriz afirma que o beijo não estava no roteiro inicialmente. Porém, o que mais assusta na discussão é a afirmação por parte de um dos criadores de que o beijo só aconteceu porque ela levou uma brincadeira a sério demais, dizendo que o fato de a cena, com a qual a garota estava nervosa, só aconteceu por culpa dela.

Posteriormente, a atriz veio à público negar ter se sentido forçada a realizar a cena, o que não retira a forma como foi exposta por um dos irmãos Duffer.

A segunda situação é bem mais “sutil”. Para além do “diálogo” sobre o beijo, praticamente não conseguimos ouvir a voz de Saddie durante as entrevistas. Sempre que uma pergunta se dirigia a ela (relativas ao seu papel na trama ou seu ingresso no elenco), algum dos meninos ou mesmo o apresentador, os criadores e diretor presentes lhe tomavam a fala, um fenômeno cada vez mais denunciado, o mansplaining (que é aquele hábito desagradável que uma parte dos homens tem de interromper uma fala feminina, como se a mulher não pudesse se fazer entender por si só).

Fazendo uma leitura mais geral da trama da segunda temporada, e por mais que Max vá se apresentando interessante no percurso, sua presença tem apenas um objetivo inicial na série, estabelecer tensão, primeiramente entre Dustin e Lucas e posteriormente entre Eleven/Jane e Mike.

Imaginemos a temporada sem a presença dela. Nada de substancial seria perdido, a não ser o estereótipo de donzela a ser desejada pelos garotos e odiada pela única menina do grupo.

“Ah, mas, na série, eles tem por volta dos seus 13 anos, idade. É natural o despertar do interesse por namoros…”

A questão é que essa excessiva abordagem (tanto dentro como fora do roteiro) transforma o natural em apelo erótico, algo que além de descaracterizar a ambientação da série, acontece com o uso da imagem de crianças. Natural, por exemplo, na primeira temporada, foi a cena entre Nancy e Steve em uma situação plausível para o contexto e não martelada á exaustão pelo elenco e produção.

E esse texto não é contra Stranger Things, pelo contrário, quanto mais Mundo Invertido, melhor. Quando afirmam que o óbvio deve ser dito é porque, em algumas situações, parece que as pessoas tendem a esquecer rapidamente de alguns traumas vividos, e no caso da Netflix, a polêmica envolvendo o Kevin Spacey ainda está recente…

A brasa ainda está ardendo e talvez seja melhor não alimentar uma nova fogueira. Principalmente uma que envolva o desenvolvimento emocional de crianças.

Sobre o Autor

Ana Paula Souza

Psicóloga por vocação, Cientista da Religião por curiosidade e bailarina por paixão. Às vezes metáforas descrevem o mundo melhor que dissertações.

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