Ainda vale a pena ver True Blood?

A coluna de hoje já começa com uma declaração de amor. Você vai ouvir minha declaração de amor. Não, a campanha #MaisAmorParaXico ainda não surtiu os efeitos esperados (e duvido que chegue a surtir efeito algum). Essa necessidade de falar tá difícil de controlar. Há mais de uma semana que eu tento me segurar. Como é que eu vou te explicar? Essa vontade louca, muito louca. Eu posso falar?

EU AMO O ALAN BALL (e vocês achando que eu ir fazer a Valesca, né?).

E é um amor meio antigo, desde os tempos que ele foi laureado com o Oscar pelo roteiro de Beleza Americana. E logo depois veio a irrepreensível Six Feet Under que só fez aumentar ainda mais o meu amor. Para coroar, surgiu True Blood. E amar True Blood também foi a minha ruína. Explico.

Cara, ainda me recordo quando acompanhei a primeira temporada. Sabe aquela sensação de estar diante de uma coisa realmente revolucionária e incendiária e libertária? Meu Deus do Céu, quantas metáforas a série propunha! O leque era infindável. Preconceito, aceitação, religiosidade, filosofia, fundamentalismo (e a putaria nossa de cada dia que a HBO sempre faz questão de oferecer e ninguém reclama). Que delícia de show!

Welcome to the jungle!

Sookie mostrava um peitinho aqui, intercalado com seus dentinhos afastados ali. Jason, ora exibia o tanquinho, ora a bundinha. Enfim, tudo era uma grande festa. E uma grande salada, não é? Sim, porque não eram só os vampiros que habitam Bon Temps. O lugarejo da Louisiana tem a maior concentração de criaturas fantásticas da narrativa de ficção televisiva. Os usuais lobisomens também batem cartão por lá (e em uma versão muito mais gostosa que o franguinho do Lautner). Além disso, temos bacantes, antropomorfos, fadas, duendes, demônios, bruxas, mastodontes, pterodátilos, tigres-dentes-de-sabre, inca-venusianos. Até aí tudo bem.

Tirem as crianças da sala!

Sabe quando você acaba de transar, quer que a pessoa vá embora logo porque você quer ver o Brasil jogando na Copa das Confederações e não quer companhia, mas não tem coragem de pedir que ela vá embora? É essa a sensação quando descobri que True Blood voltou no domingo. E o que me deixou com essa sensação? As decisões equivocadas tomadas nas últimas temporadas. E foram decisões desconexas, sem coerência alguma.

“O que uma vampira lésbica disse para a outra? ATÉ O MÊS QUE VEM, QUERIDA!”

Bill virou Eric e Eric virou Bill. Foi bem isso. As motivações de um passaram para outro, mas não convenceram. Igual àquela sua tia lésbica que fez a cirurgia para mudança de sexo e passou a se relacionar com homens. Como continuar com essa nova situação?

E a quantidade de tramas paralelas? Tá pior que a Glória Perez com seus mais de noventa personagens. É tanta história, é tanta gente, é tanto bicho encantado, que uma hora, você se pergunta se está assistindo a um seriado de televisão ou participando de algum reality show bizarro, comandado por um médium espírita.

Por causa disso, como continuar amando Alan Ball? Sabe a mulher traída, que pegou o marido na cama com o jardineiro, mas tem medo de pedir o divórcio pensando em como ficará sua vida sem o jardineiro? É exatamente assim que me sinto. Sabiamente, ele se afastou do show e deixou a vaga para sangue novo. Talvez seja isso que True Blood necessite. Como todo bom vampiro recém-transformado, sangue novo é sempre bem-vindo.

“Alan Ball deixou True Blood! Comemora, gata!”

Porém, acredito que não vale mais a pena voltar para a série. Por mais que fale ele vai mudar, que assumirá novas responsabilidades, que voltará a ser como era antes, que tudo poderá ser um mar de rosas, o cristal se quebrou. Poxa, um casamento de tantos anos acabou se tornando decadente. E antes que a gente continue se magoando mais, é melhor terminar agora, enquanto ainda resta um carinho. Se protelar isso, é provável que nos machuquemos mais.

Ainda amo o Alan Ball. Todavia, acabou.

Eu quero fazer coisas realmente más com você…

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