Almost Human: o quase herdeiro de Fringe

Tem sorte de ter um parceiro com um coração pulsante.” — DORIAN

Depois de vários adiamentos, finalmente Almost Human teve sua estréia. Muito se especulou sobre ela, com comentários bem divididos sobre se a série daria certo ou não. Grande parte disso se deu pela divulgação do canal, que não perdeu a chance em divulgá-la como “a nova Fringe” e soltar várias vezes trechos do episódio. E estes trechos foram a base de muita especulação negativa sobre a série, inclusive minha. Felizmente, o piloto completo vem mostrar que a série tem capacidade para ser algo bom.

De começo, todo aquele clima estranho visto nos trechos liberados permanece. E os clichês se espalham bem fortes. O protagonista, um policial solitário com um senso de justiça forte. Esse tipo de personagem é bem comum por aí, principalmente em séries envolvendo policiais. Mas tudo bem, isso pode ser relevado caso utilizem o personagem de uma maneira mais interessante. E usam mesmo. A partir do momento que Dorian entra na trama, a dinâmica deles fica bem clara e já funcional. Esse provavelmente será o ponto mais forte da série. Fora a atuação de Michael Ealy que precisa oscilar entre um robô e um humano, o que ele faz muito bem, inclusive.

Algo interessante de se observar no piloto é a falta de exageros. Em nenhum momento tentou ir além do básico de apenas estabelecer sua dinâmica. Sem lorota de criar dezenas de perguntas, mistérios ou o que quer que seja. E isso cria um clima bom para série, já que de tramas que se afogam em mistérios já existem aos montes e ninguém aguenta mais. O clima que fica é de que, por um bom tempo, ela vai seguir assim. Mas vai chegar um ponto inevitável onde a trama vai se expandir.

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A época em que a série se passa não foi tão explorado, talvez por falta de tempo ou por ter outros objetivos neste piloto. Mas o pouco mostrado cria uma identidade interessante e única. Ao se observar os carros, prédios e apetrechos tecnológicos, eles não estão tão distantes do nosso mundo. Além de ser uma sociedade em um momento de vários conflitos de gangues, facções e tudo mais, outra coisa nem um pouco diferente da nossa realidade. Fica a sensação de que aquele pode mesmo ser nosso mundo em algumas décadas. Ponto também para a trilha sonora que criou um clima invejável. A aposta em batidas eletrônicas, digamos, old-school misturado à luzes e neons em cenas escuras lembrou clássicos do gênero, como Tron.

Por se tratar de um piloto, não houve muita chance para os coadjuvantes. E, mesmo levando isso em conta, eles possuem o menor carisma até agora. A chefe do departamento é a que se destaca neste ponto. A atriz não parece pronta para um papel assim, mantendo um tom calmo e estranho. Ela não tem a rigidez do comando que se espera de alguém neste posição. Os outros investigadores nem espaço tiveram direito, com algumas poucas linhas ali no começo para não serem esquecidos.

Não bastando a forte divulgação em relação à Fringe, também tiveram referências. Quem viu a borboleta na mesma hora entendeu. Mas deveria existir um esforço em desvincular a série de sua herdeira. Porque as comparações são inevitáveis dessa maneira e, na hora de pesar a qualidade, pode fazer com que Almost Human perca a batalha. Se a ideia é somente criar uma ficção para suprir uma parcela de público que acompanha ficções do gênero, missão cumprida. Mas se queriam suprir os órfãos de Fringe, não tanto. Afinal, todo aquele carisma que ela tinha não está presente aqui e, talvez, era o que mantinha a série tão querida entre seu público.

Mesmo que o piloto tenha surpreendido, não foi algo grandioso. E isso pode ser perigoso, porque a série têm capacidade para afundar ou se destacar. Tudo vai depender de como ela vai se aproveitar do que foi estabelecido neste piloto. Para fãs de ficção científica no geral, sejam órfãos de Fringe ou não, é uma boa pedida. Mas para um público geral, pode não agradar.

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