Análise da lista de indicados do Globo de Ouro 2016

Saiba quem ficou de fora e quais foram as surpresas da lista de indicados do Globo de Ouro 2016.

A caminho da sua 73ª edição, o Globo de Ouro prova que não parou no tempo. Uma das premiações mais importantes da TV e do cinema, aquela dá um peso a mais para a série, atores, diretores e emissoras, se renova a cada ano que passa. E um caminhão de surpresas faz dele um dos eventos mais esperados do ano.

Pense na categoria de melhor série dramática, por exemplo, na qual quatro das cinco indicadas estão pela primeira vez concorrendo ao prêmio — por suas temporadas de estreia. Você pode se perguntar cadê Homeland, Downton Abbey, House of Cards, grandes apostas do Emmy… O buzz fica acima da tradição quando o assunto é Globo de Ouro. O apelo de Empire, Outlander e Mr. Robot são inegáveis, mais que merecido comporem esta lista. O fã tem que ser ouvido.

Pela primeira vez na história, as séries da TV aberta americana não estão entre as melhores comédias, que conta com quatro shows de streaming e duas séries da HBO. Embora seja legal ver o Globo de Ouro abraçando as plataformas digitais de tal maneira, há comédias muito merecedoras, que deveriam ter sido indicadas, como Black-ish e Fresh Off The Boat. Se não fosse por Empire, não haveria shows do broadcast em prêmios importantes. A categoria drama, no entanto, já não contava com a presenças destas atrações há quatro anos.

Quando o assunto é Narcos e Wagner Moura, a coisa pode ficar ainda mais complicada. Como entender um brasileiro, que interpretou um colombiano, que não sabia falar espanhol, e produzido por um estúdio alemão? O alcance da Netflix levou nosso fruto nacional a muitos lugares onde ele ainda não era conhecido.

Sobre o sotaque, deixem isso para os linguistas. A preocupação do espectador tem que ser na trama, no personagem, e como se sentir em relação a tudo que está assistindo.

Prova de que o Globo de Ouro não é mais o mesmo é a ausência de Ruth Wilson e The Affair. Ambas vencedoras da última edição em suas categorias, não retornaram este ano, justamente quando a série faz uma temporada ainda melhor avaliada. No entanto, Maura Tierney ganhou o seu merecido destaque, e em uma categoria muito mais difícil de se disputar, a de melhor atriz coadjuvante (será que Uzo Aduba e Regina King deixam ela ganhar?).

Foram dois anos para Eva Green conseguir sua indicação. Merecido, afinal deve ser difícil ficar metade da temporada possuída, subindo pelas paredes, falando línguas estranhas e jorrando sangue a toda hora. Brincadeiras à parte, Vanessa Ives brilha em Penny Dreadful e faz tudo magicamente girar em torno dela, sem muita pressão. Há um equilíbrio entre maldade e bondade. É uma protagonista completa. Faz jus, é merecido e tomara que vença.

As categorias de comédia também reservam apostas ainda não descobertas pelo grande público, mas que produzem bons trabalhos. O canal The CW retorna à premiação não com um, mas DOIS nomes, antes desacreditados. Gina Rodriguez mais uma vez compete como melhor atriz e traz consigo Rachel Bloom, com Crazy Ex-Girlfriend, uma série que tem tudo para dar errado, mas cumpre um desempenho exemplar diante da crítica.

Dessa vez não deu para Lena Dunham, mas vamos concordar: com cinco temporadas, Girls já deveria ter crescido e se tornado Women. A comédia nonsense da HBO não é mais jovem, como há alguns anos. Engraçada? Talvez. Mas isso não é o suficiente.

Streaming é a nova TV a cabo. Se havia dúvidas, não há mais. Quatro das seis séries que concorrem a melhor comédia são de plataformas digitais, como Mozart In the Jungle e Casual — uma da Amazon e outra da Hulu, que pouca gente ouviu falar, mas conquistaram seus lugares ao sol sem muito esforço.

Will Forte de Last Man on Earth era um dos favoritos para uma indicação a melhor ator em comédia, mas seu lugar foi tomado por novos talentos, como Gael García Bernal e Aziz Anzari. Isso deixou Rob Lowe de The Grinder como a única estrela da TV aberta na categoria, agora que Jim Parsons de The Big Bang Theory caiu em desuso.

E parece que o Peeno Noir de Titus não foi o suficiente para convencer os membros da HFPA de sua capacidade. Apesar de todo amor demonstrado ao streaming, uma das melhores comédias da Netflix (Unbreakable Kimmie) ficou totalmente fora do Globo de Ouro. Nem vamos falar das séries de herói, com Demolidor e Jessica Jones.

A Grande Supresa

LADY GAGA. A cantora virou atriz num passe de mágica, tudo questão de ter o texto na medida certa. A Condessa Elizabeth de American Horror Story: Hotel gerou muitas críticas, mas, mesmo com o dever de segurar toda a série, Gaga distribui gentilmente o holofote. Ela compete com Kristen Dunst, uma estrela de cinema que está sob as mesmas condições em Fargo.

Por fim, resta falar da NBC. A rede que vai transmitir a premiação e não tem sequer uma indicação. Isso mesmo. É como levar rabanada para a ceia de natal e ser intolerante a lactose.

Qual te surpreendeu? Quem você queria ver na lista? Qual sua aposta? Conta pra gente aí nos comentários.

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