Anatomia de um crime

Começo o post de hoje avisando que ainda estou um pouco doentinho, por isso não postamos semana passada. A coluna está sendo escrita da cama.

– Vai ficar tudo bem, Xico…
– Eu sei. Não deixo vocês mais sem a #GONGSHOW. Prometo.

Mas se vocês pensam que isso diminuirá a minha acidez, estão redondamente enganados. E tudo isso porque, estando de cama, tenho mais tempo para ver séries. E muito mais tempo para enxergar a porcaria que está sendo a última temporada de Dexter.

Fomos descobertos! Se escondam!

Tive duas experiências com séries em suas temporadas derradeiras: Weeds e de Desperate Housewives. As duas não andavam muito bem das pernas quando foi anunciado o encerramento de ambas. No caso de Nancy e companhia, a coisa estava tão feia que nada salvou e eu acabei nem terminando de ver os episódios finais de tanto que o fim daquela história não me importava mais. Com as donas de casa desesperadas, não houve decepção. Os produtores se empenharam em entregar uma season finale redondinha e pronta para ser amada. E foi. Tanto que choro até hoje me lembrando dos episódios finais da temporada (pausa para um choro motivado pela enfermidade).

Pode chorar, Xico. A gente te entende.

Estou descontente com Dexter e não sou o único. Pra falar a verdade, a crise com a série não é de agora. Já tem certo tempo, mas sou igual àqueles pais que preferem ignorar a verdade sobre os filhos a encarar o que está debaixo do nariz (quem nunca?). Finjo acreditar que vai melhorar, que no próximo episódio vai ser diferente, que na próxima temporada tudo se encaixa, que… que… E nada. Nunca melhora. E o pior, a coisa está descendo ladeira abaixo.

Melhor nem ver

Algumas séries possuem seus lugares comuns e isso não é, nem de longe, algo ruim. Em Dexter, quando alguém descobre a verdade sobre ele, essa pessoa, se for inocente (ou seja, não é nenhum serial), acabará morrendo, mas não pelas mãos do protagonista, e sim, de outra pessoa. O mais recente, nesse sentido, foi a LaGuerta. E ainda jogaram a pobre Debra, um dos personagens mais interessantes, em uma ciranda de autodestruição narrativa inexplicável.

debra-morgan

Na terceira e quarta temporadas é inegável que Dexter está passando por grandes transformações. Ele deixa de ser totalmente indiferente às outras pessoas e percebe que sua prioridade é, sim, sua família. Um lindo trabalho do Michael C. Hall. Mas com a morte de Rita, o que é que vocês, como roteiristas, fariam? Continuariam nesse arco da desconstrução do personagem (nesse quesito, Breaking Bad continua o seu competente trabalho e consegue ser uma das melhores temporadas finais de todos os tempos, descontruindo com louvor seu personagem principal) ou interromperiam abruptamente esse desenvolvimento para investir em uma relação “incestuosa” de Dexter com sua irmã? Acertou se respondeu a segunda opção. Ao menos foi isso que os roteiristas de Dexter pensaram ser o mais correto.

Fui paciente quando a relação entre Dexter e Debra deixou de ser a mais comum entre irmãos (a não ser que você cometa algumas bizarrices com seus irmãos, ainda que adotivos, o que não é o meu caso). Ok, é possível mesmo ocorrer uma paixão. Afinal, quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? Mas era realmente necessário inserir esse plot? Será que não havia nada melhor para colocar?

O amor é cego

E, finalmente, chega a última temporada do seriado. A season finale tão esperada por muitos. E qual não é a surpresa descobrir que a temporada final não está sendo tratada como uma temporada final. É como se você fosse uma Miss favorita ao título de Miss Universo e na hora de entrar com o traje de gala e arrasar naquele vestido longo, cheio de brilhos, você escolhe entrar de biquíni.

Isso aqui não é Pequena Miss Sunshine, Dexter! Não é assim que você conquista!

Dexter está jogando a final da Copa do Mundo, tinha tudo para ganhar de 5 a zero, mas, nos quarenta e cinco minutos finais, perdendo, o treinador ainda resolve ficar testando novos jogadores. Nada explica a decisão de inserir tantas tramas paralelas novas ao invés de encerrar com maestria as tramas já abertas. É a temporada dos ajustes finais e para se tornar memorável.

E essa volta da Hannah? Alguém me explica a necessidade disso? Se fosse pra trazer alguém do passado, que trouxesse a Rita. Ok, ela morreu, mas isso não deveria ser um trabalho muito complicado para os roteiristas explicarem o retorno dela. A coisa tá tão feia que ninguém nem ia reclamar muito e ainda agradeceria. Ao menos, jogaria a série no campo espírita ou mesmo no campo dos zumbis e todo o mundo ia adorar, afinal, sobrenatural e apocalipse zumbi estão extremamente na moda.

A Rita está viva sim. Ela fez um pacto com um shinigami.

É com muito pesar que mantenho a esperança de que, ao menos, o personagem consiga sustentar um pouco de dignidade até o series finale. O que é difícil. Mas desde que Pandora abriu a caixa, a última que restou foi a esperança.

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