Ancine X Katniss

O primeiro filme que eu tenho lembranças de ir ver no cinema é “Hook, a volta do capitão Gancho”. Eu devia ter uns 4 ou 5 anos e adorei. Tempos depois “Jurassic Park” me tornou um louco por dinossauros. O cinema tem poderes mágicos, consegue dar vida para a fantasia.

katniss

Mas tem coisas que acontecem e eu fico me perguntando “porque?!”, de tão inacreditáveis. “Jogos Vorazes: A Esperança — parte 1”, além de possuir o título mais longo do ano, também teve o maior lançamento da história do país nos cinemas e a maior campanha de marketing da história da Paris Filmes, distribuidora do filme por aqui.

Tudo bem planejado e bem feito, pensado para atender a demanda, que é altíssima. Todo mundo ama a Katniss, essa linda, essa figura inspiradora. O filme foi lançado em mais da metade das salas de cinema do país. Todo mundo viu que estava em mais de uma sala no mesmo cinema. Mas beleza, se está lotando as salas, não tem problema. Se está levando uma molecadinha para as salas, possivelmente criando um hábito, gosto pela sétima arte, é um baita lucro.

O importante é criar uma cultura. Toda uma geração começou a gostar de ler por causa do Harry Potter, não do Machado de Assis. Para criar a cultura tem que entregar para as pessoas algo que elas curtam, que tenham prazer em ver/ler/ouvir, não o que é “bom”.

Aí, Manoel Rangel, presidente da ANCINE, dá uma entrevista. Diz que a ampla distribuição de Jogos Vorazes é predatória. Atrapalha o cinema nacional. Coloca o produto brasileiro em crise. O nome disso é miopia mercadológica.

Você tem um problema e culpa uma outra coisa, que nem tem a ver com ele como causa. A TV por assinatura não para de se popularizar, a audiência da TV aberta não para de despencar, mesmo a TV por assinatura perde audiência para as “centrais multimídia” (vídeo game/dvd/computador/celular/tablets/etc). Não tenho nenhuma pesquisa que me garanta isso, mas me parece, só parece, que o público escolhe, cada dia mais, não assistir ao conteúdo nacional.

Não qualquer conteúdo nacional. Só aqueles sujeitos à classificações e tal. A “Porta dos Fundos”, que é liberado para falar em “gorilão da bola azul”, palavrão, piada com religião… Esse a galera quer ver.

Tratam a situação como se, tendo Jogos Vorazes em menos salas, as pessoas fossem ver outros filmes. Me desculpem os que gostam, mas se antes o cinema brasileiro só tinha filmes d’Os Trapalhões e da Xuxa, hoje só tem filmes com o Wagner Moura, Lázaro Ramos ou Leandro Hassum. Não é assim, diminuindo a penetração dos blockbusters, que vai se criar uma cultura de cinema por aqui. Também não é com um comercial desses, com um discurso tão brega e atuações desse nível.

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Thiago de Carvalho Rêgo

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