Anger Management, Charlie Sheen voltou… ou não!

Você não pode me mandar embora, eu me demito! Acha que pode me substituir com outro cara, vá em frente, não será a mesma coisa!” — GOODSON, Charlie

Assim começa Anger Management, nova série do canal FX estrelada por Charlie Sheen.

Charlie Goodson (bom filho?) é um terapeuta que está lá pra ajudar um pequeno grupo a controlar a raiva. Isso depois de ele ter encerrado uma carreira promissora de jogador de beisebol ao fraturar o próprio joelho num acesso de raiva durante um jogo. Consciente que a raiva o atrapalhou, ele resolveu ir pra faculdade e ajudar as pessoas a não cometerem os mesmos erros.

O enredo é bom, na minha opinião, é até criativo. Mesmo tendo um filme de sucesso com esse nome com o saudoso Jack Nicholson, a série teria tudo pra dar certo. Teria. Ou pode ter. E explico.

Impossível assistir o piloto sem procurar referências de Two and a Half Men, até o nome do personagem é o mesmo, e o começo do episódio me passou duas impressões: ou fizeram a referência direta a TAAHM pra virar de vez essa página e seguir em frente, ou foi a primeira de muitas. O que pode ser preocupante, afinal, o bom Charlie até então era o Harper.

Sheen por sinal não consegue “encher a tela” como ele fazia no começo da outra série. Podemos culpar as festas com muitas drogas, sexo e rock and roll por isso, mas o personagem não é tão inspirador assim, as piadas não são tão engraçadas e os coadjuvantes parecem fazer de tudo pra serem apenas coadjuvantes. Óbvio que os roteiristas tem muita culpa nisso tudo, sabemos que apesar de tudo, Charlie é um grande ator e capaz de grandes feitos, por isso não perco a esperança na série.

E, apesar de ainda ser o mulherengo que já conhecemos, esse Charlie parece uma versão melhorada do outro. Doutor arrependido do fim da carreira, que tenta ajudar os outros, tem uma filha e uma ex-mulher que apesar de presente, não mede esforços pra colocá-lo em apuros como deu pra ver no segundo episódio. Mas isso não o impede de manter uma relação sem compromisso com uma amiga terapeuta e de sair com mulheres mais novas e um pouco desprovidas de inteligência.

Seu grupo de auto ajuda conta com um velho, ex-militar e homofóbico, um gay com problemas de raiva passiva, um rapaz que não tem raiva nenhuma, mas sente-se atraído por mulheres nervosas e uma cidadã que atirou nas partes íntimas do ex-namorado ao descobrir que foi traída. Em resumo, não parece ter muito o que explorar disso, apenas algumas piadas prontas e, na maioria das vezes, sem graça. O foco principal deve ser o relacionamento dele com sua filha e sua ex-mulher, que já termina o namoro com outro cara no episódio piloto.

Não sei se foi só eu, mas eu senti um pouquinho de Californication nisso tudo, claro, com bem menos apelo sexual, menos glamour e até menos engraçado. Mas poxa vida, é Charlie Sheen, num canal de macho, num papel de macho tentando repetir o sucesso que teve por 8 anos em outro canal.

Enfim, referências com TAAHM seriam (e serão) inevitáveis, até o nome da série parece focar no momento atual vivido por Charlie Sheen depois da sua saída conturbada do outro canal, e como já disse um famoso brasileiro, “Na TV nada se cria, tudo se copia,” então se usadas com inteligência, essas referências podem sim dar certo.

Ainda assim, eu acho que a série tem algo pra fazer algum sucesso se o pessoal se dedicar mais nas piadas e transformarem o personagem principal em algo um pouco mais desafiador, mais complexo, pra assim tirar o máximo de Sheen, porque ele pode nos dar algo mais engraçado e mais precioso para a posteridade.

No fim das contas, vale uma espiada na primeira temporada completa e com um pouco de esperança a coisa pode engrenar. Falo como fã do mito Charlie Sheen, e ainda acredito que exista vida pra ele após Charlie Harper!

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