Aquela das brasileiras — parte 2

Como vai da ressaca do Natal? Aproveitaram bastante as festividades e comilanças? Ganharam presentes legais? Não? Que pena, pois eu ganhei!

Então, depois do nosso último post sobre as séries brasileiras baseadas em livros que deixaram sua marca na televisão, eu venho aqui declarar que irei ceder aos milhares de pedidos que deixaram minha caixa de e-mail congestionada (mandem a Cláudia sentar lá que eu não ligo…) e fazer a tão almejada Parte 2 do especial Aquela das Brasileiras (é nessa hora que vocês gritam!).

É realmente bem difícil destacar apenas três séries tupiniquins de alta qualidade, afinal houve uma época um tanto distante em que víamos programas dignos da marca HBO-It’s-not-TV aqui no Brasil, com temas do cotidiano mostrados de forma verossímel, e não uma realidade utópica produzida a partir da nossa (via núcleo “pobre” da Malhação). Nós costumávamos acordar em uma bela manhã de domingo ao som da abertura de séries adolescentes gostosinhas de se ver e ainda aprendíamos história em casa com as minisséries desse cunho (as minhas favoritas, diga-se de passagem).

Por isso coloque a sua nostalgia em mode-on e acompanhe comigo os próximos parágrafos da nossa segunda (e última) parte do Aquela das Brasileiras

Mad Maria

Eu não sei como funciona o programa de estudos do último ano do ensino médio em outras regiões do país, mas aqui no Norte, nós temos uma matéria chamada História Regional, na qual falamos sobre a colonização da Amazônia e a formação dos estados dessa mesma região, englobando conflitos, acordos políticos, estrutura geográfica, etc.

E nesse ano, como assunto para a prova, eu tive que ler a obra do amazonense Márcio Souza, Mad Maria, cujo enredo se baseia na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, ou como gostam de chamá-la, Estrada do Diabo. O engraçado (ou a vagarosidade do meu raciocínio mesmo) foi eu ter demorado para notar que eu já havia visto aquela história na televisão, em uma produção homônima transmitida em 2005 pela Rede Globo.

Mad Maria foi adaptada por Benedito Ruy Barbosa e narrava a construção da estrada que acabou deixando um rio de sangue em suas redondezas. Desejada por muitos brasileiros e estrangeiros devido ao futuro lucro que ela poderia trazer (isso ocorre após a questão do Acre, que envolvia os vantajosos negócios da borracha), a estrada de ferro foi palco de muitas mortes e injustiças (especialmente contra os indígenas), e o mais interessante, foi que a versão para TV soube explorar esse campo do desrespeito aos direitos humanos, uma marca deixada por este projeto mal planejado.

A minissérie contava com atores como Antônio Fagundes, Priscila Fantin, Fábio Assunção, Ana Paula Arósio, Tony Ramos, Cássia Kiss, Fidelis Baniwa, Cláudia Raia e Juca de Oliveira, e a direção foi tomada pelo figurinha repetida Ricardo Waddington. Mad Maria foi polêmica e dramática (lembram a cena do índio perdendo os braços?) por escancarar sem medo a verdadeira história da região amazônica.

Hilda Furacão

Pelo visto (e de acordo com os comentários), esta minissérie de 1998 baseada no romance de mesmo nome de Roberto Drummond, ficou na cabeça dos brasileiros e sempre será lembrada em qualquer top de programas tupiniquins. Por isso, não mais que merecido uma homenagem à polêmica Hilda.

Uma pessoa que nunca tenha ouvido falar em Hilda Furacão, ao ler a sinopse da minissérie imagina tudo, menos que ela é uma produção brasileira devido, principalmente, a sua temática: após fugir do seu casamento, Hilda Müller (Ana Paula Arósio) se torna uma prostituta em Belo Horizonte quando ouve um conselho da cartomante Madame Janete, daí adere ao nome de Hilda Furacão (#PODEROSA). Sua vida, porém, acaba se encontrando com a do “ingênuo” Frei Malthus (Rodrigo Santoro), um dos “Três Mosqueteiros” (como ele e seus dois irmãos eram chamados) que estava no caminho de se tornar padre.

Malthus queria exorcizar o demônio que tomou conta de Hilda Furacão (lógico que era a explicação dele para o motivo de Hilda ser uma prostituta), porém os dois acabam se apaixonando. Com vários temas que eram considerados tabus na época — e sendo sincero, alguns ainda são — como a homossexualidade, as questões dos dogmas religiosos, o excesso da luxúria, escancarados sem o menor pudor, é de se imaginar que Hilda Furacão deveria ter sido um divisor de águas das programações da TV aberta, o que infelizmente não aconteceu.

O bom foi que tivemos o prazer de presenciar uma minissérie com cara de HBO, mas com a nossa marca verde e amarela, algo que podemos chamar de relapso de inovação que durou somente 32 capítulos, mas que hoje se encontra à venda nas melhores lojas de sua cidade. Aplausos também para as memoráveis atuações de Rodrigo Santoro e Ana Paula Arósio… Vocês fizeram um ótimo trabalho!

Confissões de Adolescente

Eita que hoje eu vejo galere se arrepiando com esse tópico, hein! Quero saber alguém por aqui que viveu os anos 90 (ou mesmo acompanhou as reprises como eu) que não se lembre da série teen brasileira mais legal ever?! (#Estrangeirismo)

Eu adorava Confissões de Adolescente, afinal era algo totalmente novo colocar assuntos da flor da idade em pauta e esta série soube fazer isso com muita qualidade, além de trazer ao público aquela identificação básica que tanto sentíamos falta em meio a outros programas televisivos.

Baseada na obra homônima de Maria Mariana (que criou o livro a partir de seus diários), Confissões de Adolescente perdurou por duas ótimas temporadas entre 1994 e 1996, e foi exibida pela Band, sendo, posteriormente, reprisada pela linda TV Cultura. A série contava a história de Diana (a própria Maria Mariana) — que narrava os acontecimentos — e suas três irmãs, Bárbara (Georgiana Góes), Natália (Danielle Valente) e Carol (Deborah Secco), que estavam começando a descobrir o mundo e a elas mesmas. Como todo programa do gênero, temas como sexo, conflitos existenciais, gravidez, primeiro amor, estudos, relacionamentos com os pais, etc, se faziam presentes a cada episódio, e acredito que depois de Confissões de Adolescente nenhum outro show conseguiu repetir a proeza de tocar em assuntos da mesma forma com um jeito simples, natural e tocante.

É isso pessoal… Dhegou ao fim nosso especial de séries brasileiras. Bateu saudades? Gostou? Odiou? Acham que eu deixei de lado uma outra minissérie baseada em livro nesse Top 3? Podem deixar sua opinião aí nos comentários que eu sou todo ouvidos… Até o ano que vem, cults!

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