Aquela das brasileiras

Chegou o Natal, galera! Muita comida, muito presente, muito amor, falsidade, enfim, todo aquele espiríto único que nos une nesse mês de dezembro. E é nessa época também que a maioria das nossas séries favoritas entram de férias e ficamos quase sem opções boas para se ver neste meio tempo (menos as pessoas trabalhadoras que precisam colocar em dia os seus 9.876 episódios atrasados).

Mas se nos Estados Unidos, a hora é de descansar no que se refere ao mundo da televisão, aqui no Brasil, é justamente agora que as emissoras (principalmente a Rede Globo) tendem a lançar algumas propostas diferentes para o público, e quem sabe, se a audiência for calorosa, transformá-las em seriados ou mesmo minisséries.

Foi pensando nesse nosso período de temporada-de-verão (porque, né, frio no natal só se for na Finlândia mesmo) de final do ano, que eu me inspirei e quis relembrar três grandes séries/minisséries de TV tupiniquins baseadas em livros, logicamente, que me marcaram e me provaram que o nosso país também é bastante capaz de produzir shows de muita qualidade.

A Casa das Sete Mulheres

Uma coisa é certa: fazer programas de cunho histórico é com a Rede Globo mesmo! Nesse gênero bastante explorado pela nossa gente (afinal o que não falta é história dramática e polêmica no nosso país), percebemos o quão incrível uma produção brasileira pode ser, já que recriar toda uma áurea do passado, além de personagens que retratem de modo fiel pessoas que realmente passaram por aquilo, aparenta ser um árduo trabalho. E por isso, a emissora e as mentes por trás das séries daqui merecem os parabéns por não decepcionar nesse quesito.

E A Casa das Sete Mulheres é um belo exemplo de recriação de todo um contexto histórico do nosso país, que no caso foi a Revolução Farroupilha na região Sul. Minissérie baseada na obra homônima da autora gaúcha Letícia Wierzchowski, A Casa das Sete Mulheres é narrada pela personagem principal Manuela, vivida pela lindona Camila Morgado, que se apaixona pelo guerrilheiro Garibalde (Thiago Lacerda). Tendo em vista todos os costumes rígidos impostos às mulheres da época, Manuela passa por cima dos preconceitos existentes para viver esse amor.

A história também retratava o drama das outras irmãs de Manuela e sua mãe, interpretada pela excelente Nívea Maria, que ficavam na aflituosa espera por seus maridos, enquanto estes partiam para guerra. A Casa das Sete Mulheres merece ser revista várias vezes, pois além de trazer muita informação verídica sobre o nosso passado, ainda é possível se emocionar e rir com os plots envoltos a guerra.

O Auto da Compadecida

Provavelmente, a obra mais conhecida no nosso país. Criada pelo autor brasileiro Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é nada mais que um auto, que para quem não sabe, é um gênero literário que reúne costumes típicos de uma determinada região, com mesclas do místico (céu e inferno, principalmente) e do real — desculpa, sou pura cultura.

E foi nessa temática que decidiram transformar o auto de Ariano em uma minissérie e, posteriormente, em um filme. O engraçado foi que realmente levaram a cabo toda a estrutura da obra de Suassuna e o resultado não poderia ter ficado menos que genial.

O Auto da Compadecida nos apresenta os amigos trambiqueiros João Grilo e Chicó, que no meio do sertão da Paraíba vivem de aplicar golpes para sobreviverem à escassez daquele lugar. O programa também colocava em pauta todos os males praticados pelo ser humano, como a mentira, a luxúria e a soberba, características que são avaliadas no clímax do auto, que é o encontro entre o céu e o inferno, em que todos os personagens são analisados pelos seus feitos por Deus e o Diabo, em atuações cômicas, com direito até a sotaque nordestino. Realmente inesquecível.

A Muralha

A primeira imagem que me vem à mente ao tocar nesta ótima minissérie também produzida pela Rede Globo é Alessandra Negrini fazendo a Juma e virando uma onça no final.

Piadinhas à parte, A Muralha, baseada na obra homônima de Dinah Silveira de Queiróz, ganha seu mérito por mostrar como era a época em que os bandeirantes estrangeiros chegaram ao território brasileiro a fim de desbravar e conseguir fontes de riquezas. A escravidão indígena era assunto constante nessa minissérie, afinal como não retratar o banho de sangue derramado pelos portugueses, espanhóis e outros povos europeus naquele que é chamado de “encontro de diferentes etnias”?

A história era centrada no personagem Dom Braz Olinto e sua família que moravam além da muralha, uma referência à Serra do Mar. Além disso, víamos muitas discussões religiosas, especialmente pela presença da Escola dos Jesuítas que se diziam na missão de catequizar os indígenas, e não escravizá-los.

A Muralha trouxe à tona um retrato do verdadeiro modo de colonização do Brasil, sendo também inteligente, polêmica, dramática quando necessária, e bem fiel aos fatos históricos, ou seja, foi aquela prova de qualidade da televisão brasileira que tantos sentimos falta hoje em dia.

E vocês, leitores? Têm alguma série/minissérie tupiniquim que nunca mais irão esquecer? Vão lá, deixem seus comentários como presente de Natal para mim… E tenham Boas Festas, cults!

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