Arquivo X: A verdade ainda está lá fora

Olá boxers, tudo bem? Essa é a minha primeira coluna aqui para o Box Fechado, e já chego falando de uma das séries mais importantes do nosso universo: Arquivo X, que está completando 20 anos em 2013 (pausa dramática para um momento “tô velho, lembro de tudo”). Classificada inicialmente como uma série totalmente sem futuro pela Fox e pela crítica especializada — que em previsões nada otimistas afirmavam que a equipe teria emprego somente até o Natal — Arquivo X foi um caso clássico de “sambada na cara”, ao conquistar uma legião de fãs apaixonados e fiéis até hoje.

thumb arquivo x

Criada por Chris Carter, um ex-repórter especializado em surf, e protagonizada por Gillian Anderson e David Duchovny, a série contou as história de dois agentes do FBI totalmente diferentes e complementares, que buscavam solucionar casos bizarros envolvendo alienígenas e todo tipo de manifestação sobrenatural. A série teve ao total 9 temporadas (muitos afirmam que ela deveria ter sido encerrada na 6ª temporada), de 1993 a 2002.

Com uma mitologia bem construída, a série apostava em uma forma diferente de contar sua história, dividindo os episódios em dois grupos distintos: episódios isolados que contavam uma história única, sem ligação com o todo, e episódios que prosseguiam com o enredo original da série, contando histórias que tinham ligação com os dramas dos personagens principais. Essa é a deixa para relembrarmos o mote inicial da série e que mitologia toda é essa.

De acordo com ela, existe no FBI um departamento que investiga casos que fogem do padrão, que não podem ser taxadas como normais. Essa mitologia afirma que em 1946 J. Edgar Hoover classificou um caso como arquivo X, e determinou que todos os assuntos diferentes não investigados por outros departamentos seriam da alçada dessa nova área. Fox Mulder (David Duchovny) foi atraído até essa área após sua irmã, Samantha, ser abduzida no dia 27 de novembro de 1973. Fato que o persegue, em um misto de culpa e inconformismo.

A busca pela irmã é o que move Mulder e, consequentemente, move a série. Não possuindo um apelo tão dramático inicialmente, Dana Scully (Gillian Anderson) é, quem sabe, o elo mais importante para entendermos a mitologia da série. É somente quando Mulder explica à nova colega a existência do Arquivo X que aprendemos sobre o estranho departamento do FBI. Scully é a guia do público para o universo da série, e a voz de Carter, que muitas vezes declarou escrever a partir do olhar da agente.

Um dos pontos mais deliciosos da série é a inversão de papéis, com uma mulher racional, e homem mais sentimental, a mulher da razão, e o homem da fé (lembraram de Lost também?). Essa diferenciação trouxe um novo ar para o gênero, e definiu um novo padrão de protagonista feminina. Não é à toa que Scully ainda é um dos maiores símbolos sexuais do mundo das séries. Sua força e sua atitude foram determinantes para isso.

Outro ponto que contribuiu muito para o sucesso da série é a química entre Mulder e Scully. O sentimento e a atração velada entre os dois, esse romance construído aos pedaços, sem beijos e cenas quentes nunca falhou, e sustentou a série até nas poucas derrapadas que ela deu nos seus primeiros seis anos. Mas foi justamente o sucesso e a paixão dos fãs que esticou a série por mais tempo do que deveria. Programada para durar seis anos, a série foi esticada para nove, Duchovny foi o primeiro a querer sair, e com a dissolução do casal principal, a série estava com seus dias contados. Nem o retorno de Mulder na última temporada foi capaz de segurar a série por mais tempo. Muitos dizem que a troca de Vancouver para Los Angeles também foi determinante.

Entretanto, mesmo com os pequenos problemas, Arquivo X ainda é lembrada com muito carinho pelos fãs. Com 197 episódios, é uma das séries mais longas já produzidas. E criada no início dos anos 90, foi uma das pioneiras na internet, e foi responsável pela criação do primeiro grupo de discussão sobre uma série de TV no meio virtual — pensem só, e se já existissem redes sociais na época? Nem Lost, Breaking Bad ou Game of Thrones teriam chance, com tantos mistérios e pistas soltas nos episódios, a série certamente seria um marco da social TV até hoje.

Mesmo após 20 anos, Arquivo X ainda é inovadora, incrível e surpreendente. Dona de personagens inesquecíveis e de uma história intrigante até hoje. Conquistando fãs, lotando painéis na Comic Con, criando precursores do gênero e oferecendo novos mistérios a cada dia. Alguém ainda tem dúvida que a verdade está lá fora?

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