As histórias de Penny Dreadful

Tidas como baratas e ruins, as chamadas “penny dreadful” hoje são clássicas

PENNY DREADFUL

Depois que American Horror Story deu a largada para séries de terror, era óbvio que teríamos alguma outra do mesmo gênero.

Eis que, em 2014, Penny Dreadful surge como uma mistura de terror e fantasia exibida pelo canal Showtime nos Estados Unidos e no Brasil pela HBO. Inclusive, sua segunda temporada estreia agora em maio.

Sua história conta as origens de vários personagens de terror famosos da Londres vitoriana. São: Dr. Victor Frankenstein, Drácula, Mina, o professor Abraham Van Helsing e Dorian Gray.

Junto a eles, temos personagens originais como Vanessa Ives, que é médium e esconde alguns segredos; Sir Malcolm Murray, um explorador inglês e pai de Mina; Ethan Chandler, um artista circense que é americano; Brona Croft, uma irlandesa que tem tuberculose.

O nome da série está completamente ligado à escolha desses personagens: penny dreadfuls era como se chamavam as histórias de terror publicadas na época, pois todas custavam um penny. Daí o apelido.

Elas eram consideradas “ruins”, histórias para a classe trabalhadora de Londres e normalmente continham histórias sangrentas. Frankenstein, de Mary Shelley, foi considerada uma penny dreadful, mas hoje é um clássico da literatura. Drácula de Bram Stoker também.

Penny Dreadful

No submundo da Londres vitoriana, as histórias desses personagens se entrelaçam e lidam com questões de possessão demoníaca, vampirismo e ressuscitação, enquanto que os londrinos desconhecem a verdade, achando que tudo não passa de uma história de um penny.

A série ainda faz referências a Jack Estripador e seus assassinatos. A morte era uma presença constante durante a Era Vitoriana, era comum ter espetáculos de espiritismos e ter sessões privadas de espírito com médiuns, principalmente nas classes mais altas.

No ano de 1851, Londres recebeu uma grande exposição mundial que mostrava as novas invenções da época. A rainha Vitória foi a primeira monarca a ser fotografada. Em uma cena, Dorian Gray tira foto de Vanessa Ives pela primeira vez. Em outra, tira fotos de Brona. Como equipamento inovador, apenas os mais ricos possuíam e Dorian demonstra várias vezes que possui muito dinheiro.

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A literatura cresceu muito durante a era vitoriana e é daí que temos autores como Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes), Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas) e Robert Louis Stevenson (A Ilha do Tesouro).

É durante essa época que surgem os romances sobre vampiros e a história de Frankestein. Oscar Wilde também publica seus textos, inclusive o famoso O Retrato de Dorian Gray.

O livro foi censurado sem o conhecimento de Wilde, mas, ainda assim, foi considerado uma ofensa aos costumes e à sensibilidade moral dos críticos.

Penny Dreadful retrata todo o costume da época vitoriana misturado com o ar de suas famosas obras. Durante a série, ainda é possível pegar referências a Sweeney Todd e algumas sobre lobisomens. Seu ponto alto é a atuação do elenco, mas sem toda sua base histórica, mostrada no figurino utilizado pelo elenco e pela fotografia da série, seu contexto e sua história não seriam válidos.

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