As novas 24 Horas

Lá em 2001, 24 Horas teve sua estreia, marcando seu nome na história da TV com muito sucesso. Semanas após os atentados em NY estreava uma série centrada no terrorismo. Timming infelizmente perfeito. Jack Bauer, o protagonista, não escondia seu posicionamento político em momento algum e era um modelo controverso. Mas o principal foi a inovação de trazer os episódios em tempo real, abrindo novas possibilidades e aumentando a tensão a cada instante, com o relógio aparecendo na tela.

Elenco de 24: Legacy

Nove temporadas e um filme depois, a série terminou e deixou um legado. É assim que em 2017 chega à TV 24: Legacy, que chega no formato com 12 episódios, igual à última temporada de Jack Bauer. Com pequenas referências, um novo protagonista e nova CTU, a América precisa ser salva de novo — e não é Trump o vilão.

Eric Carter mostrou, nos dois episódios iniciais, que é um grande soldado e que, assim como o herói anterior, não tem limites. Ele é colocado como um veterano de guerra, com a mente danificada por todos os horrores que presenciou, tratado como alguém que sofre com stress pós traumático, mas acaba sofrendo mesmo é com a dúvida. Veem paranoia onde ele enxerga perigo.

O interessante nessa nova série é que o agente é jovem, longe de ser aquele Jack Bauer da primeira temporada, que era casado e tinha uma filha já adulta. Eric Carter esteve na guerra contra o terrorismo mas não tem experiência. Viveu o clima de guerra, o stress, viu coisas que ninguém deveria. Mas está longe de ser tão sofrido.

O homem, o mito, Jack Bauer

Os feitos de Bauer nas últimas temporadas são absurdos, mas são reflexos de um homem que já não tem nenhum limite na vida. Ele perdeu sua esposa, sua amante se mostrou uma terrorista que tentou o matar repetidas vezes, se viciou em heroína para se infiltrar em um cartel, foi capturado e torturado por anos, cometeu crimes pelo país, com autorização e foi julgado por eles. Tudo isso para receber um tapinha nas costas. Ele é um homem amargurado que, literalmente, deu sua vida pelo país, perdendo tudo o que tinha.

Depois de tantos anos acompanhando a trajetória, é impossível um agente que iguale seus feitos, mesmo que isso seja o esperado. Ao mesmo tempo, o mundo que recebeu 24 Horas, em 2001, não existe mais. Os métodos de Jack Bauer não são toleráveis nos dias de hoje, mesmo com Trump por aí.

O candidato a mito, o monstrão, Eric Carter

Se Jack Bauer adquiriu seus problemas ao longo dos anos, Eric Carter já começa a jornada tendo uma vida complicada. É um jovem negro, que teve sua grande oportunidade ao ir para o exército. Caso contrário, estaria vivendo do tráfico de drogas, junto com seu irmão, a quem “furou o olho” ao roubar a namorada.

Não é preciso que a série explore seu passado para entender que ele teve a necessidade de conviver com a desconfiança e o preconceito por conta de suas origens humildes e sua cor de pele. Entender que poderia estar vivendo da mesma forma que o irmão, equilibrando-se em uma linha muito mais tênue entre a segurança e a morte, vivendo de acordo com as regras das ruas.

Eric é um agente que sabe como é viver nos dois lados, como ficou evidente na segunda parte da estreia, quando precisou ser preso. Ele apenas ficou parado esperando a polícia passar e então correu um pouquinho.

A avaliação mais honesta possível é de que Eric Carter tem muito potencial para se auto-destruir ao longo dos anos/missões, embora ainda precise comer muito feijão com arroz para alcançar o seu “modelo”.

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