As realidades paralelas de Game of Thrones

Fim da quinta temporada de Game of Thrones amplifica as experiências das diversas formas de viver as histórias criadas por George R.R. Martin.

Com a recém finalizada quinta temporada, Game of Thrones chegou a uma etapa em sua história em que o enredo alcançou e, em alguns aspectos, ultrapassou o conteúdo dos livros escritos por George R.R. Martin.

A ainda distante sexta temporada da série, assim como aconteceu com o recente ano, não terá os roteiros assinados por George Martin, que se dedicará a finalizar o sexto (e penúltimo) livro de sua saga. Isso não significa que o que chegará à tela da TV não tenha sido aprovado pelo autor.

Por muito tempo, fãs dos livros podiam prever com facilidade o direcionamento das histórias dos personagens de Westeros, enquanto quem não é leitor não contava com essa previsibilidade. O que fica explicito é que, até esta temporada, leitores e não leitores dos livros das Crônicas de Gelo e Fogo tinham experiências diferentes ao assistir à série que vão além dos spoilers.

Mas quanto realmente conhecer ou não os livros pode modificar a experiência de assistir a série de TV? Para tentarmos entender como são essas experiências e como elas acontecem, o Box de Séries conversou com diversos fãs da série e dos livros, e perguntamos para eles como é assistir a Game of Thrones sabendo ou não os rumos da história.

Expectativas

Game of Thrones 5x09 - The Dance of Dragons (1)

De um lado, temos o grupo de leitores. Para eles, ter terminado a leitura dos livros muito antes da série alcançá-los adiciona expectativa sobre como determinados momentos serão retratados na TV. “Gosto de ter a experiência de ver na tela as palavras que eu leio nos livros, os cenários tornando-se reais e os personagens ganhando vida”, é o que diz Marina Biondani, que está em dia com os livros da série.

Ver as palavras traduzidas em imagem é uma das imersões mais importantes quando se trata de adaptações. No entanto, Game of Thrones tomou liberdades criativas sobre os rumos que seguiam as histórias e decidiram por adaptar os livros de forma diferente a partir da temporada que acabou de ser concluída. Com isso, é possível ver que além do grupo que separa leitores e não leitores, temos aqueles que gostariam que a série fosse mais fiel ao conteúdo original.

Para essas pessoas a decepção parece ter sido inevitável, como foi o caso da Bruna Felippetti, que chegou a ler todos os livros em inglês (em alguns casos, antes que as traduções chegassem às livrarias brasileiras). “Atualmente me sinto fracamente atraída pela série. No começo, me atraía ver os diálogos bem pensados e toda produção visual”, comenta. “Acho que quem leu os livros tem mais expectativas e, ultimamente, muitas delas estão sendo frustradas”.

É nesse caso que não saber o que está por vir pode ser um benefício, já que não há expectativas sobre o que pode acontecer na série, principalmente quando se trata de mudanças drásticas nos rumos das histórias. Isaque Criscuolo e a Renata Cabrini, ambos não leitores dos livros, mostram que há um consenso no que diz respeito a essa possibilidade de frustração para os leitores. “Quem lê um livro e assiste a uma adaptação costuma ter muitas críticas, porque imaginou uma cena e acabou vendo outra”, afirma a relações públicas, que recebe o apoio do jornalista “a primeira versão sempre fica melhor na nossa mente e as adaptações frustram.”

Vantagens e desvantagens

Rei Joffrey Game of Thrones

Enquanto as expectativas podem ser um fator que atrapalha a experiência de assistir uma adaptação, os não leitores encontram-se em melhor posição por explorarem um mundo inédito, sem comparação com um cenário previamente estabelecido no imaginário.

Para a jornalista Elaine Gomes, saber o que iria acontecer por causa dos livros a faria perder o interesse pela saga. “Só vejo vantagens [em não ler os livros], se soubesse o que está por vir, certamente me desinteressaria”. Para ela, cenas impactantes como as que aconteceram entre os episódios 8 e 10 da terceira temporada (ou o famoso Casamento Vermelho) surtiriam menos efeito: “[Sentiria] uma emoção mais contida, uma reação mais morna,” completa ela, que considera que não leitores aproveitam mais a série, mas promete que lerá os livros assim que a série de TV terminar.

Livro e série permitem texturas diferentes, não restam dúvidas. Enquanto através das palavras torna-se mais palpável detalhar ambientes e as emoções dos personagens, o apelo visual da série traz à tona a interpretação dos cenários e figurinos que em Game of Thrones costuma ser do mais alto nível, além de causar sensações que apenas a convergência desses dois cenários permitiria:

“A vantagem de saber o que esperar [por ter lido os livros] é saber os detalhes da história, o que não dá tempo de contar na tela. A desvantagem é ficar presa à eles, de ficar brava ao notar alterações que mudam o rumo da história e ficar chocada com personagens que morreram na TV e não nos livros e vice-versa”, explica Marina.

Realidades paralelas

White Walkers Game of Thrones

Embora seja comum vermos discussões em fóruns e redes sociais entre leitores e não leitores, ambos os grupos possuem suas listas de benefícios sobre suas experiências com a série. Talvez a grande discussão entre esses dois grupos não precise necessariamente coroar um “vencedor” entre quem aproveita mais, mas a percepção de que série e livro são realidades paralelas.

“Eu acho que não ler livros te dá a desvantagem dos detalhes, ao mesmo tempo, não acho necessário se você está satisfeito com o que está assistindo. São instrumentos completamente diferentes”, diz Thais Maranho, editora de vídeos e não leitora dos livros de GoT. Renata também ressalta a questão da pessoalidade em aproveitar as histórias de Westeros. “Normalmente, o livro permite que você interprete a situação como quiser. A série te dá a situação pronta.”

Mas grande parte da excitação, para alguns fãs, vem da possibilidade de poder dar uma “espiadinha” no que acontece com o livro. É o que costuma fazer Isaque, que apesar de ter sentido os benefícios de não conhecer a história original, isso não o impediu de procurar detalhes sobre eventos-chave da trama. “Consegui acompanhar todas as tramas sem saber onde elas iriam dar e, por isso, me surpreendi bastante”, conta. “Comento sempre com os amigos que leram e os que não leram. Gosto de especular, testar teorias, etc. Em muitos casos até fui atrás de spoilers!”, explica.

O que podemos ver, em se tratando de Game of Thrones, é que as formas de imersão são numerosas e tão intrincadas quando as próprias casas do reino de Westeros. Enquanto não há uma jeito correto de aproveitar a história, ler somente o livro ou ver a série é uma questão de preferência que não são necessariamente excludentes. O que importa é que a história cative e possa ser transportada sem perder sua essência. Tendo se equiparado, o que veremos daqui pra frente é a série inspirando o livro da mesma forma que a obra inspirava a série, criando uma situação em que uma empresta da outra e que o que é original na história caberá ao espectador/leitor decidir.

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER