As séries que mudaram a história da TV

Com o final de Lost chegando, a série voltou a esquentar os papos. Muita coisa já foi, está sendo e ainda será falada sobre ela, mas apesar de toda controvérsia em torno de sua trama, há uma coisa que ninguém pode negar: não importa como a série termine, Lost foi um marco na TV.

Pensando nisso, resolvi pesquisar outras séries que marcaram época e mudaram a maneira de fazer e ver TV ao longo dos anos. Difícil imaginar que já houve um tempo em que as séries não misturavam drama e comédia ou que as tramas não se estendiam por mais de um episódio, certo?

Sendo assim, vamos fazer uma pequena viagem pelo tempo e descobrir quais séries revolucionaram a TV e deram o que falar em sua época:

Anos 50 — I LOVE LUCY (1951–57)

A sitcom que hoje é sinônimo de clássico atingiu o sucesso fazendo todas as coisas que todo mundo sabia que não deveriam fazer naquela época. Você não podia ter uma estrela que fosse atraente e engraçada. Você não podia ter um astro latino com um sotaque cubano. Você não podia ter uma história baseada em uma gravidez. E por tudo isso, I Love Lucy deixou uma importante dica sobre o futuro das séries de hoje: muitas vezes o maior sinal de um futuro clássico da TV é que ele não parece um clássico.

Anos 60 — SESAME STREET (1969-presente)

Reconhecendo que a TV havia se transformado em uma babá eletrônica, gostando ou não, Jim Henson e seus muppets forneceram um refúgio amigável para as crianças do mundo todo. Com as notícias de Kermit, os game shows de Guy Smiley e o Mundo de Elmo, Vila Sésamo, como a série ficou conhecida no Brasil, era recheada de programas dentro do programa, que ensinavam coisas sobre amizade, cooperação e até morte. O formato da série evoluiu com o passar dos anos, mas Sesame Street continua sendo uma das melhores coisas que a TV trouxe às crianças.

Anos 70 — M*A*S*H (1972–83)

Antes de M*A*S*H, a linha entre comédia e drama na TV era tão demarcada quanto aquela que divide as duas Coréias. Essa comédia de médicos militares ousou ao combinar humor — as brigas dos irmãos Marx e seus jogos de palavras inteligentes — com drama pesado — como quando a guerra tirou a vida do chefe da base, o tenente-coronel Henry Blake.

Como muitas séries, M*A*S*H acabou ficando tempo demais no ar, mas provou que uma comédia pode ser séria e um drama pode ser engraçado e que os dois juntos são garantia de sucesso.

Anos 80 — HILL STREET BLUES (1981–87)

The Prisoner contou histórias em série antes de Hill Street Blues enquanto The Fugitive — que virou filme com Harrison Ford — perdurou uma perseguição por anos em episódios independentes. Mas o drama policial de Steven Bochco popularizou os arcos de história fazendo com que o público tivesse paciência para acompanhá-la por mais de 60 minutos. Hill Street Blues demonstrou que uma série de TV poderia ter várias histórias que não se resolvessem ordenadamente e heróis que cruzassem a linha étnica. A série nos apresentou a policiais imperfeitos, fazendo justiça imperfeita em um mundo imperfeito — e fez isso de maneira pefeita.

Anos 90 — THE SOPRANOS (1999–2007)

Para ter uma ideia de como The Sopranos mudou a televisão, tente fazer uma lista dos melhores dramas na TV antes de 1999. Difícil, né?

Esta saga da máfia nos mostrou quão complexa e envolvente as histórias na TV poderiam ser, com dramas ambiciosos, inspiradores e explosisvos. No mundo de Tony Soprano, não era a máfia que vivia trazendo ele de volta para velhos e destrutivos hábitos, era sua própria família — sua mãe controladora, sua mulher enlouquecedora e seus filhos irresponsáveis. O grande drama familiar do declínio da máfia ofereceu momentos de entretenimento junto com insights mais profundos. Alguns fãs podem ter odiado seu final, mas o fato é que a obsessão com seus últimos momentos demonstra que a América — e o mundo — nunca parou de acreditar no poder desta história.

Anos 2000–24 HORAS (2001-presente)

Criado antes dos ataques de 11 de setembro em Nova York e estreando apenas algumas semanas depois, 24 Horas capturou a tensão que tomava conta do país e não apenas porque tratava de terrorismo. Com seu formato em tempo real de tirar o fôlego, a série reflete a mesma cultura de overdose de informações que nós vemos na TV através dos telejornais com telas cortadas e imagens dentro da imagem. É verdade que na série os computadores funcionam bem demais, o tráfego de Los Angeles parece muito livre e Jack Bauer nunca foi ao banheiro, mas Kiefer Sutherland consegue dar um peso psicológico para Jack até nas situações mais bizarras, sempre correndo contra o relógio para nos salvar.

Quanto a Lost, é impróprio dizer que ela é uma das melhores séries da TV. Ela é apenas um bom show no que diz respeito a personagens e roteiro. O que faz de Lost um clássico é o melhor jogo interativo que já apareceu em nossa sala de estar.

Com um enredo fracionado de histórias que se cruzam sobre sobreviventes de um desastre de avião que caíram em uma ilha não exatamente deserta, uma organização internacional secreta e um monstro feito de fumaça, os 60 minutos que vemos na TV é apenas o começo. Seus mistérios, dicas e alusões históricas e literárias exigem pesquisa, rever episódios, congelar cenas e intermináveis discussões na internet. E em um meio em que os executivos pensam que os espectadores vão fugir de qualquer coisa que remotamente os desafie pensar, Lost provou que milhões de pessoas suportarão histórias difíceis, inteligentes e frustrantes desde que você sopre o tipo certo de fumaça neles.

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