Bates Motel 1×01 — First you dream, then you die [Season Premiere]

Minha mãe é um pouco impulsiva” — Norman Bates

No ano em que Hitchcock está em evidência, Bates Motel soa como uma grande homenagem ao mestre do suspense, e demonstra que possui cacife para ir além, principalmente na relação possessiva entre mãe e filho. A verdade é que 2013 é o ano dos serial killers na TV, e os Bates chegaram para fazer ccompanhia a Joe Carroll (The Following), Billy Grimm (Cult), Dr. Lecter (Hannibal) e, claro, Dexter Morgan (Dexter).

Bates Motel 1x01 Normam

Produzir um prequel de um dos mais importantes filmes de todos os tempos, Psicose (1960), não é tarefa fácil, e nem para qualquer um. Desde que foi anunciado, Bates Motel vem atiçando a curiosidade do público e da crítica. O que esperar de uma série que traz para os dias atuais o prelúdio daquele que foi o precursor e fonte de tudo que conhecemos sobre terror psicológico?

Pois bem, Bates Motel estreou assustador e enigmático. Se, no filme, Hitchcock já mergulhava nas correntes freudianas de vínculo entre mãe e filho, na série, o mergulho é ainda mais profundo e escuro, mostrando que essa relação será o norte que determinará todos os arcos narrativos.

Chega a ser desconcertante a possessividade da mãe Norma Bates (Vera Farmiga) sobre o filho, e o fascínio e o temor de Norman Bates (Freddie Highmore) em relação à mãe. E não é por acaso a proximidade dos nomes Norman e Norma. Como explicado pela mãe, no fim, ela e filho são praticamente a mesma pessoa, tamanho amor, intimidade e singularidades. Um dos destaques foi a cena do barco, em que Norman Bates recita para a mãe trechos do romance Jane Eyre (1847), como o melhor exemplo dessa relação que beira ao incesto.

Todas as pessoas que conheci são idiotas, menos você, Norman” — Norma Bates

E é nessa relação doentia que a série pode agradar. O filme atiça nossa curiosidade em saber como e porquê Norman Bates tem em sua mãe o seu objeto de desejo e ódio. A série, produzida por Carlton Cuse (Lost) e Kerry Ehrin (Friday Night Lights), se responsabiliza em matar nossa curiosidade, de uma forma totalmente fria e incômoda.

Bates Motel 1x01 Piloto capa

Um ponto positivo da série é nos apresentar a Sra Norman Bates. Ao dar vida à terrível mãe controladora, Bates Motel abre um leque de opções de tramas envolvendo Norman, que, sem dúvida nenhuma, é a grande responsável pelos desvios de caráter do filho, sua dificuldade em relacionar com outras mulheres, o seu fascínio pela dor e pela morte. Nenhum filho sentiria-se confortável vendo sua mãe sendo estuprada, e logo após matando o seu algoz. Sim, em First you dream, then you die já somos brindados com duas mortes e um estupro.

Dois enigmas são lançados no piloto: a morte do Sr Bates, que não foi hora nenhuma explicada, apenas servindo de pretexto para o recomeço entre mãe e filho. Parece certo que Norma ou Norman foram os assassinos do patriarca. E, no final, uma cena de tortura de uma mulher nos moldes descritos pelo livreto achado por Norman em um dos quartos do motel. Qual a sua relação com a trama? Era uma cena atual ou alguma cena de um futuro próximo?

Confesso que fiquei receoso pelo fato de trazer a trama para os dias atuais. Imaginei que a série perderia um pouco do glamour gótico existente no filme de 1960. Porém, a série tratou de pincelar algumas características da época: o próprio Bates Motel, que é uma réplica fiel do cenário do filme, a fotografia noir que a casa apresenta, o figurino de Norma Bates, que remete muito aos usados pelas donas de casa naquela época.

E as homenagens ao filme não param por aí. Em diversas cenas podemos perceber outras referências a Psicose:

Bates Motel 1x01 piloto

– Trilha sonora inquietante;

– Em uma das primeiras cenas vemos Norma Bates enrolada em um roupão, o que remete ao figurino usado por Norman Bates na antológica cena do banheiro;

– A forma como Norma mata o Sr Keite Summers. As facadas desferidas lembram em muito a cena de assassinato do detetive Arbogast;

– O carro dos Bates é do mesmo modelo usado por Marion Crane.

Enfim, Bates Motel estreou com força total. A escolha dos protagonistas foi certeira. Destaque para Freddie Highmore, que imprime ingenuidade e fúria ao personagem Norman Bates. Ainda é cedo para dizermos se realmente a série se consagrará, afinal, Psicose, quando foi lançado, tinha todos os motivos para ser um fracasso, e o resultado todos nós já sabemos.

Eu sou meio estranho” — Norman Bates

Até semana que vem.

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