BBB16: Precisamos falar sobre o assédio do Ronan

As investidas do estudante para cima da amiga Munik já passaram do limite.

Ninguém entrou no BBB 16 mais disposto a formar casal do que Ronan Oliveira, estudante de filosofia de 27 anos. Com menos de 48 horas dentro da casa, ele já havia estabelecido para si o papel de Pequeno Príncipe e para Maria Cláudia, o de flor que o cativa. O que ele não esperava é que caísse em seu pequeno planetinha BBB612 um “meteoro da paixão” com sotaque mineiro, que atendia pelo nome de Matheus. Seus planos foram por água abaixo, junto com o turbilhão em que ele foi lançado.

As situações de jogo o levaram ao isolamento, até que Ana Paula ressuscitou na casa e o tirou do cantinho. Ao invés de dupla, formou-se um trio, junto com Munik. Um trio forte, leal e sólido que, com a saída da mineira, virou uma dupla de vez. Ronan sempre passou umas cantadas para cima da Munik, mas tudo parecia aquela típica zoeira entre bons amigos — claro que analisando mais de perto, tudo aparentava ter um fundo de verdade, mas Ronan parecia saber qual era o seu limite.

E nesta reta final, sem muita coisa acontecendo na casa, ele não viu problemas em pisar um pouco fora da faixa. Isso porque ele voltou à sua estratégia inicial: ter uma história de casal — custe o que custar. E, mais uma vez, seu território foi invadido por alguém com sotaque — embora fosse um sotaque bem falso de libanês. Com a partida-relâmpago de Laham, Ronan optou por uma abordagem mais agressiva (desculpe, não há outra palavra). A insistência dele com a Munik é uma das coisas mais desconfortáveis do pay-per-view. De todos os tempos! Ronan é insistente e sabe manter o olhar firme no seu alvo (ou seria presa?), mesmo quando este desvia o olhar por constrangimento. E olha que a Pequi nunca teve medo de dizer não. Ela sempre foi incisiva. Ela nunca disse um talvez. Sempre foi não, não, não. Nunca houve margem para dúvida. “Não, Ronan”. “Chega, Ronan”. Ronan ignorou praticamente todas as negativas da garota.

Seja em festas ou no cotidiano da casa, Ronan insiste com abraços e com selinhos “roubados”. Um absurdo que se repete pelo menos uma vez por dia.

E quando ela é mais incisiva, ele fica emburrado, grosseiro, isolado, distribuindo indiretas e patadas.

Nas redes sociais, muitos enxergam defeito na própria assediada. Como ela não resistiu aos galãs Renan ou Laham, o povo argumenta que Ronan só não tem chance com ela por ser negro e/ou gordo, mas que não tem nada de errado nele em tentar.

Acabo de ver uma chamada do programa em que a repórter Dadá Coelho, feminista assumida em entrevistas, vai às ruas saber se o público torce pelo “casal”. Que casal, minha gente? Em seu texto, ela diz ainda que Ronan é adepto do ditado “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

É espantoso que um cara como o Ronan, que sempre se mostrou atento a questões desse tipo, encarne o papel de assediador. Mas a verdade é que ele tem demonstrado total desprezo pelas negativas da colega de confinamento e um lado dominador que chega a assustar. É como se ele encarnasse aquela máxima da cultura machista: “uma mulher pode dizer ‘não’ a cem homens, mas não vai conseguir dizer ‘não’ cem vezes a um homem só”.

E ele insiste, sabendo que isso vai virar história no programa (leia-se: espaço na edição) e não se importa com nada mais. Para Cacau, ele declarou: “Prefiro essas indomáveis, como a Pequi”. Munik não é indomável, ela só está exercendo o seu direito pleno de dizer não para um homem.

Faltando poucos dias para definir os finalistas, ele não vai sair dessa estratégia, ao que parece. Tomara que, ao sair da casa (agora, espero, sem o prêmio, embora ele tenha sido meu favorito em algum momento), ele reconheça o seu machismo e melhore.

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