Bessie (2015) | Crítica

Bessie é emocionante e transgressora dos pés a cabeça

Se tem uma coisa que é capaz de encher os olhos de muita gente, essa coisa é uma cinebiografia. É a retratação de uma época, a representação do real. Bessie é uma produção da HBO que apresenta o drama da “Imperatriz dos Blues” Bessi Smith. Considerada uma das maiores cantoras entre as décadas de 20 e 30, tornou-se uma grande influência para os grandes vocalistas de jazz que vieram a seguir.

Em meio a tantas cinebiografias, Dee Rees precisou encontrar formas para dar destaque a sua obra. Enquanto a maioria dos filmes do gênero buscam encontrar seu clímax nos problemas de saúde de seus personagens, o roteiro do longa utiliza uma lição de moral para exibir simplicidade na apresentação do trabalho. O que, antes, eram especificações adicionais para estar em um meio profissional e quem as tinha era tratado como um visionário, hoje já é algo tão básico que quem não as tem é chamado de ultrapassado. Adaptação é mais do que necessário, e estar preparado para se adaptar é mais do que importante. Acontece que nem sempre estamos preparados; Bessie é gente como a gente e aprendeu que uma mente fechada não move moinhos. Por conta de uma indústria músico-teatral consumista, limitante e preconceituosa, Bessie levou muito tapa na cara, até enxergar que mudanças não são ruins, que é possível mudar de opinião sem que ocorra perda de essência. Ser visionário não é fazer algo porque tem importância em tal época. Na verdade, ser visionário é ver que o ciclo de opiniões pode formar um mundo melhor e tão dinâmico quanto o roteiro de Rees.

Abertamente bissexual e com claras tendências ao feminismo, Bessie Smith foi um mulher muito a frente de seu tempo. Não posso dizer que fiquei decepcionado com o que vi sobre isso no filme, até porque o texto propõe uma apresentação bem fiel ao que Bessie era em vida. Mas, se tratasse de uma personagem completamente fictícia, Dee Rees certamente abordaria esse tema e imagino que seria igualmente bom.

A direção, que também é comandada por Rees, mostrou com bastante excelência todas as nuances da história, tapando até o possível único ato falho do filme: seu final, que não desviou do que vinha sendo apresentado, mas quebrou o ritmo que estava sendo seguido. Com internas e externas que não procuraram exageros, mas que nos situaram bem com relação a província e época, a fotografia do longa faz sua parte. Não é destaque, mas é expressiva contribuição para a produção. Nas mãos de Rees, os minutos iniciais, caracterizados pela apresentação da história e sem muito twist, são impactantes e mostram que, se o seu interesse é ver algo bom, você está no lugar certo.

Bessie (2015)

Um triângulo perfeito é o mínimo que esperamos de uma boa produção: um bom texto nas mãos de um bom elenco para ser aproveitado por uma boa direção. O elenco de Bessie não é espetacular, mas é correto e sabe onde está. Mas, sejamos justos, se destacar quando Queen Latifah (Bessie Smith) faz parte dele, é complicado. Latifah é uma atriz completa e é ótimo vê-la dando seu máximo para uma personagem que faz essa súplica. Michael K. Williams também é destaque com seu Jack Gee muito bem interpretado. Com uma carreira bem fixa em séries (CSI, Treme), Khandi Alexander marcou, com sua ótima performance na pele da irmã Viola Smith. O filme, através de flashbacks, provoca em você aquela vontade de ver as duas contracenando juntas. Quando esse momento chega, a sensação é inexplicável; É, simplesmente, a melhor sequência do longa, seguida pelo clímax entre J.G e Bessie. O resultado é a construção de personagens capazes de transparecer a realidade e nos aproximar emocionalmente.

Porém, Bessie não é um filme de formar triângulos perfeitos; quanto mais lados e vertentes pudermos explorar, melhor. A mixagem de som poderia ter ficado melhor nas cenas de apresentações musicais, porque, sim, Queen Latifah emprestou seu excelente vocal para a personagem, mas alguns erros, de sincronia principalmente, provocaram incômodos. Quanto ao restante e principalmente às cenas de impacto, a mixagem é certeira. Além disso, a produção ainda apostou em um instrumental no fim do filme, como de praxe. Aquela composição original que parece simples, mas que está ali pra encher os olhos de felicidade, esperança e orgulho, ao menos em relação a Bessie.

Bessie traz a delicadeza de uma boa história e força dos estúdios da HBO. Com isso, tenho a certeza de que o filme, lançado diretamente para TV americana no dia 27 de junho, teve indicação justa ao Emmy de 2015 e, muito provavelmente, sua vitória no Critic’s Choice Awards também.

Logo abaixo, é o seu espaço para dar nota para esse longa.

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