Breaking Bad 5×16 — Felina [Series Finale]

Eu fiz isso por mim.” — WHITE, Walter

In Vince Gilligan, we trust. Não havia dúvidas de que o series finale de Breaking Bad seria algo menos que espetacular, uma vez que seu criador e equipe de roteiristas nunca nos deixaram na mão. E ao final de tudo, eu agradeci por ter podido acompanhar essa série fantástica que não deixou nenhuma pergunta sem resposta ou personagem sem destino.

O fato é que, de uma maneira poucas vezes vista na TV, a série fechou seu ciclo amarrando todas as pontas de forma coerente, em uma verdadeira lição de narrativa e desenvolvimento de personagens, de uso de ângulos de câmera e trilha sonora na composição da trama e, por fim, do show de interpretação de cada integrante do elenco que, aos poucos, foi ganhando mais profundidade e mostrando várias facetas, às vezes de maneira explosiva, outras tão sutilmente.

Neste aspecto, Bryan Cranston é o maior e melhor exemplo e, ao acompanharmos este series finale, ficou ainda vergonhosa a vitória de Jeff Daniels na última edição do Emmy. As mudanças físicas pelo qual seu personagem passou ao longo dessas cinco temporadas não são nada comparadas à mudança de sua personalidade. O pequeno flashback em sua sala de estar foi um lembrete dessa evolução e também o fechamento do ciclo.

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Sua passividade, confundida com covardia, não poderia ser mais motivo de piada. Assim, contemplando mais uma vez seu fim eminente — agora em pior estado do que no piloto — Walt viu em seus sócios a oportunidade de, enfim, concluir seu plano inicial: deixar sua família em situação confortável depois de sua morte.

Vale lembrar aqui — para aqueles que como eu imaginavam que ele se vingaria do fato de ter tido seu ego esmagado em rede nacional — que Gretchen e Elliott nunca fizeram mal de fato a ele e, portanto, não mereciam o mesmo tipo de reação reservada a outras pessoas.

Porém, depois de tudo que aconteceu, não bastava deixar dinheiro para sua família. E todo mundo precisava daquele closure. Skyler precisava saber que o marido não matou Hank, Marie precisava encontrar o corpo do marido para (tentar) viver em paz e o público precisava ouvir da boca do próprio Walt que ele tinha feito tudo aquilo porque era assim que ele se sentia vivo, as mesmas palavras que ele usou no series premiere para explicar a Jesse porque queria entrar naquele negócio.

– Você está horrível. — Skyler
– É… mas eu me sinto bem”. — Walt

Foi tocante perceber que, ao longo dessa conversa, a expressão de ódio e desprezo no olhar de Skyler foi se modificando conforme ela ouvia tudo que ele tinha para dizer e que, no final, seu olhar era apenas de ternura e perdão. Anna Gunn (mais uma vez) arrasou! Tragam outro Emmy para ela.

Agora faltava satisfazer seu último desejo, o de acabar com as pessoas que destruíram seu ego. E mesmo que ele não tenha mais usado seu chapéu, nós sabíamos que ali estava Heisenberg e que não sobraria pedra sobre pedra.

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Como já prevíamos, a metralhadora foi mesmo usada contra Jack e sua turma, mas não no estilo Tony Montana, o que seria totalmente fora do personagem. Walt usou sua maior arma, a inteligência, para acabar com todos de uma vez. Não sem antes colocar um pouco de ricina no chá de Lydia, outra jogada de mestre.

Restava apenas um detalhe: Jesse, seu ex-parceiro e também sua maior vítima, afinal nós sempre machucamos as pessoas mais próximas, normalmente, quem mais amamos. E como ele foi machucado. Mesmo estando longe de Walt, ele continuava em seu calvário, sonhando com dias melhores, mas preso em um pesadelo sem fim, sob a pena de que mais um inocente fosse morto. Como dito anteriormente, sua vida se transformou em um purgatório e, curiosamente, Walt apareceu como seu grande salvador.

O encontro deles, assim como aconteceu com Skyler, começa carregado de ódio, apesar do coração de Walt logo amolecer ao ver o estado de seu “filho”. Talvez se Jesse realmente tivesse se tornado parceiro de Jack, ele não teria levado um tiro para salvá-lo mas, ao fazer isso, Mr White reconheceu o mal que lhe fez e pagou parte de sua dívida. A outra foi paga ao oferecer a arma para que Jesse vingasse a morte de Jane e o envenenamento de Brock. Obviamente, ele recusou.

A cena que encerrou a jornada dos dois foi quase uma cópia daquela que iniciou a parceria. E ali, o olhar de Jesse também já havia passado de ódio e revolta para perdão e quase um “obrigado por salvar minha pele”. E ele saiu em disparada, sem destino, mas finalmente, no controle de sua própria vida.

Para Walt, era o fim da linha. Um final que havia sido sugerido lá atrás, no episódio Crawl Space (4×11) — no qual, à época, eu cogitei que poderia ser um indício do que aconteceria com nosso querido protagonista e que muitos afirmam ser a morte da figura de Walter White e o momento em que seu alter ego Heisenberg passa a viver integralmente.

Walter White (Bryan Cranston) in the "Breaking Bad" Series Finale, "Felina."

A recriação daquela cena (assista as duas clicando aqui e aqui) foi a última prova da consistência da série, da sua preocupação com os detalhes, do respeito que sempre teve com sua própria criação, seus personagens e, por consequência, com seu público.

Ao não tentar fugir do óbvio — a morte do Walt de uma maneira ou de outra — através de reviravoltas mirabolantes, Vince Gilligan deixou, assim como seu personagem, um legado de genialidade. E assim como todos os habitantes de Albuquerque jamais esquecerão daquele pacato professor de química que se transformou em rei do tráfico, ninguém jamais poderá negar que Vince fez a melhor série de todos os tempos, do começo ao fim.

PS 1: Eu poderia escrever mais 50 páginas e não faria justiça a grandiosidade de sua história. A simplicidade das palavras nunca contemplarão tudo o que é Breaking Bad.

PS 2: Há inúmeras matérias por aí falando de todas as menções que este finale fez a outras passagens da própria série. Este artigo do Buzzfeed é um dos melhores. Vale a pena ler!

PS 3: Até Badger e Skinny Pete tiveram seu espaço, mas não deixaram de ser os cabeças de vento, ou meth heads, que sempre foram.

PS 4: Posso dar uma gongadinha? Jesse num tava a cara de Jesus naquele sonho? Achei que de tanto pegarem ele para Cristo, ele tivesse se transformado no próprio Jesus!

PS 5: Uma pena estar limitada a cinco estrelas, principalmente, quando vemos tantas outras séries recebendo o mesmo número que Breaking Bad, mesmo sabendo que dificilmente, algum dia, algo poderá se igualar a ela.

PS 6: Quem não riu na cena em que Walt bota medo em Gretchen e Elliott?

PS 7: Lydia quase irreconhecível depois do ricin, né? Bem feito…

PS 8: Acabou, gente! E agora?

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