Caindo no buraco do coelho: o universo nonsense do País das Maravilhas

A Festa do Cá do Chapeleiro Maluco

Era uma vez, mais uma vez… Apostando novamente na fusão da fantasia com a realidade, eis que a ABC traz para a próxima fall season. Once Upon A Time in Wonderland. Mergulhando no famoso conto de Alice no País das Maravilhas, os parceiros — e por que não, contadores de histórias — Edward Kitsis e Adam Horowitz mostraram na telinha como misturar o mundo do faz-de-conta com as sensações reais, como por exemplo, o romance.

Mas antes disso, nada mais justo que conhecer de onde surgiu a ideia original. Quando Alice’s Adventures in Wonderland — conhecido simplesmente como Alice in Wonderland — foi escrito pelo inglês Lewis Carroll, a literatura infantil passava por transformações. O sobrenatural ganhava bases racionalistas, adicionando ao fabuloso, o absurdo. Dessa linhagem também surgiu a história do Pinnochio, pelas mãos do italiano Carlo Collodi.

Caterpillar

O mundo das maravilhas nada mais é que a representação de um sonho onde as coisas não precisam necessariamente ter sentido. Carroll vai usar de sentimentos reais, como a amizade e a inimizade que tinha pelos seus amigos, e costumes, como parodias a poemas conhecidos dos ingleses, para construir sua narrativa. Somado a isso, Alice também enfrenta desafios de logicas numa representação do mundo matemático e da racionalidade. O texto em si tem seus níveis de dificuldades, os quais o faz ser direcionado tanto pra crianças, quanto para adultos.

A concepção da historia foi bem ao acaso. Durante uma viagem pelo Rio Tamisa, Carroll tinha a missão de entreter as filhas do vice-chanceler da Universidade de Oxford. Para isso, o autor utiliza de edifícios e fatos da cidade de Oxford para traçar seu objetivo, numa narrativa fantasiosa. Um exemplo disso é a inspiração para o buraco do coelho, porta de entrada do País das Maravilhas, que na verdade é a escadaria da parte de trás do salão principal da Christ Church, um importante prédio da cidade inglesa. Tao logo publicado, o livro foi sucesso de vendas e conquistou leitores renomados, como Oscar Wilde e a Rainha Vitória. Além disso, ganhou tradução para cerca de 130 línguas.

A linha tênue entre a realidade e a fantasia está baseada na inserção de algumas elementos matemáticos, linguísticos, filosóficos e históricos. Da matemática, trechos como o do Gato de Cheshire, o conhecido felino enigmático que some de repente, esta imbuindo de conceitos gerados pela geometria não-Euclidiana e álgebra abstrata, quando Alice reflete sobre o sorriso do gato, uma vez que diz já ter visto gatos sem sorriso, mas não sorrisos sem gatos. Já o Lagarto faz menção à língua francesa, quando fala que está a desenterrar maçãs, ou pomme de terre, que na tradução literal quer dizer batata, ou maça da terra. Além disso, também há referencias ao latim.

Alice in Wonderland

Da história, o conto de Alice no Pais das Maravilhas usa a Guerra das Duas Rosas — disputa do século XIV pela posse do trono inglês — quando mostra a Rainha de Copas, monarca que odeia a cor branca, e obrigado seus serviçais a pintar rosas brancas de vermelho. A cor vermelha era usada pela família Lancaster, vitoriosa da disputa, e a cor branca, representava a dinastia York.

O livro teve uma sequência em 1871 intitulada Alice Através do Espelho e o Que Ela Encontrou por Lá. Tanto o texto original, quanto a sucessor inspiraram filmes e obras, sendo a conhecida animação da Disney de 1951 uma mescla entre os dois romances. Na TV, não é a primeira vez que o conto ganha vida. A emissora SyFy exibiu em 2009 uma minissérie com dois episódios chamada Alice. Kathy Bates foi encarregada de interpretar a temerosa monarca do País das Maravilhas.

Como já proposto pelo então spin-off de Once Upon A Time, o romance é a aposta para essa nova série ficcional. A heroína Alice, que será interpretada por Sophie Lowe, cai no mundo fantástico e acredita que tudo o que vê é real. Já no plano real, é tida como louca. Sem perder a característica já conhecida dos fãs de OUAT, Kitsis e Horowitz adicionam ao mundo do Coelho Branco, da lagarta e do gato sorridente, novos personagens como Cyrus, por quem Alice se apaixona, e Jafar, o vilão da vez.O que nos resta é aguarda por mais essa viagem ao mundo da fantasia.

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