Camila Cabello tem tudo para brilhar fora do Fifth Harmony

Já com a poeira baixa e longe das polêmicas que infestaram a internet na última semana, dá para dizer que Camila saiu do Fifth Harmony no momento certo, com o grupo no auge. Seu primeiro álbum como solista sai em 2017, no verão americano, após lançar dois álbuns consecutivos com as 5H.

A verdade é que Camila sempre se destacou no quinteto. Nas primeiras apresentações do grupo no, The X Factor USA (quando elas ainda se chamavam 1432), Demi Lovato foi enfática ao dizer que apenas Camila brilhou em uma performance. “Vocês todas deveriam aprender um pouco com ela”, disse a mentora em 2012.

Mesmo que todas as meninas tenham excelentes vocais, Camila tem a garganta mais acordada para a vida, potente, com energia e estamina de sobra. Ao vivo, ela é quem faz o som que vem do palco se aproximar da gravação original do CD. Além da extensão vocal de dar inveja (3 oitavas e 4 semitons), Camila reúne todas as características que buscamos numa estrela.

Carismática, bonitinha, no limite entre o fofo e obsceno, Camila tem presença de espírito. Ela dança no palco com a mesma facilidade que dá entrevistas e isso somou à imagem de protagonista que ela cultiva desde 2012 — e os holofotes adoram estar sobre ela. No Instagram, por exemplo, Camila tem 8,1 milhões de seguidores, contra 3,6 milhões da segunda colocada, Lauren.

Para o bem ou para o mal, um pedaço de ouro muito reluzente tende a ofuscar o resto da mina. De acordo com a Billboard, os contratos de Dinah, Lauren, Normani, Ally e da agora ex-integrante Camila são estruturados de forma individual. Isso significa que algumas tinham permissão para projetos independentes e outras não. Também significa que apesar de serem um grupo, algumas poderiam ter assessores e empresários individuais. Outras não.

O sucesso das parcerias solo de Camila com Shawn Mendes (em I know what you did last summer) e Machine Gun Kelly (em Bad Things) botaram ela na crista da onda e sem dúvida a empolgaram na tentativa da carreira solo, mas esse interesse definitivamente não nasceu só dela.

Rescisões de contrato custam milhões, promover discos e singles também. A Sony, que abriga os selos Syco (das 5H) e Epic (nova casa de Camilla) tem muita vontade de encontrar uma nova estrela, jovem, talentosa e com potencial de aclamação universal. O que nos resta é torcer para ela não virar uma refém dos bastidores cruéis da indústria musical.

Conhecida por escravizar seus artistas (como Michael Jackson e Mariah Carey), a Sony viu em Camila a possibilidade de produzir uma vocalista graúda sem precisar começar do zero. Apesar de dois sucessos esmagadores a nível mundial (Worth it e Work from Home), o Fifth Harmony é um fracasso em vendas discos e sobrevive de um nicho muito específico: jovens e adolescentes que as consagraram nos serviços de música por streaming.

Após Better Together (2013), Reflection (2015) e 7/27 (2016) terem somado vendas puras de menos de 500 mil cópias, lançar um novo CD para o grupo pode ser arriscado. O grupo já se esvaziou nesses quatro anos? Existe mesmo potencial para mais? Como só quebra a banca quem aposta alto, Camila desviou do futuro incerto da girlband e resolveu botar todas as fichas na mesa.

A curiosidade de ver a nova era das meninas, sem Camila, será grande. Maior ainda será o interesse das pessoas em observar cada passo da trajetória solo da garota cubana de 19 anos, que pretende disputar o mesmo terreno hoje ocupado por Selena Gomez, Demi Lovato e Ariana Grande numa indústria que está substituindo divas por DJs e “rappers”.

Os rumores são animadores: Camila aparentemente já tem um conceito de álbum de estreia pronto, com canções produzidas e já gravadas ao lado de Diplo e Benny Blanco (pra já começar com tiro de bazuca), além de novas sessões de gravação marcadas para janeiro. A intenção é que o single de estreia seja lançado em março ou abril. O CD completo deve chegar às lojas no verão americano.

Munida com o melhor do eletronic dance music (EDM) que bomba hoje e com uma sonoridade padrão que dificilmente vai desagradar a indústria e seus seguidores, a fórmula de um bom álbum de estreia não é difícil: muito farofão pop, que lembre o som do Fifth Harmony, algumas baladas bem escritas para garantir elogios da crítica, algumas parcerias (Shawn Mendes? Calvin Harris? Justin Bieber? Drake? Nicki Minaj?) e uma música em espanhol. Basicamente, uma mistura dos álbuns de estreia de Ariana Grande, Britney Spears e Christina Aguilera.

Independente da construção do disco, Camila só precisa de um smash hit mundial como primeiro single. Assim, as pessoas prestam atenção em todo o resto. Com fôlego nas rádios e downloads no Itunes suficientes para levá-la ao topo das paradas (em especial do Hot 100), ela vai abocanhar com facilidade um novo público para além daquele que ela conquistou nesses quatro anos de 5H (que já é por si só uma fã-base imensa).

O mais provável é que o grupo se dissolva com outras propostas para as garotas. As Spice Girls não sobreviveram sem Geri. O Rouge emplacou alguns hits sem Luciana e acabou logo depois. As Destiny’s Child sem Beyoncé buscaram seus caminhos fora do mainstream. E vida que segue!

O fato incontestável é que nesses quatro anos, cinco adolescentes que saíram do nada (entre elas duas latinas e duas negras) transformaram em realidade o sonho de viajar pelo mundo fazendo o que amam: cantar. Essa trajetória não se apagará e continuará latente por muito tempo. Lembraremos com carinho do quinteto que nos presentou com as joias Worth it, Work from home, All in my head, That’s my girl e Sledgehammer.

Dificilmente o quarteto será largado de mão e a gravadora já deu prova de que respeita os números que elas tem trazido para o currículo do grupo. Mas todos os esforços de promoção, divulgação, captação de recursos, construção de imagem e mídia tem agora um destino: Camila Cabello. Enquanto ainda estamos tentando lembrar o nome das outras quatro, Camila construiu asas próprias fora do grupo. E todo mundo vai querer assistir de perto ela levantar voo!

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