Carl Grimes merecia mais

Mais uma vez, The Walking Dead perde a chance de trazer ao público um episódio icônico

The Walking Dead voltou depois do que pode ser considerada a midseason mais polêmica de toda sua história. Há tanta coisa acontecendo nos bastidores da série (crise com o público, desabafos de atores e atrizes) que se refletem numa série sem tanto fôlego.

Apesar de ainda ter números expressivos de audiência, a série já não é mais a queridinha de seus fãs

Nunca se viu tantas críticas como nos dois últimos anos (nem mesmo na tão famigerada 3ª temporada). Os roteiros estão ficando cada vez mais genéricos, personagens não tem se desenvolvido como deviam, fotografia obscura e coreografias de batalha confusas… Até a música, que servia como plano de fundo para o clima dos acontecimentos, entrou no rol do “mais do mesmo”.

O fato é que Scott Gimple, aquele que já foi o salvador da série, vem encabeçando decisões no mínimo polêmicas. Afinal, já foi sinalizada a possibilidade de The Walking Dead existir sem Rick, porém matar Carl Grimes… Isso não era algo que os fãs esperavam.

Meses de especulação e mais semanas de espera para a despedida. Inicia-se o episódio com uma música de ritmo alegre contrastando com um momento mais dramático. Receita batida já. Confesso que pensei “ah, de novo?”. Na primeira vez, foi legal. Na segunda também, mas tudo demais é muito né?

Não ouviremos mais isso. 🙁

Pensamento que durou somente até o momento em que a ficha caiu: esses são os últimos momentos de Carl na série. Nunca mais ouviremos Rick gritando “Cooooooooorrrrllll!”. Não haverá mais diálogos cotidianos com a Michone. Sem mais momentos fofinhos entre irmãos. Sem chances de uma relação interessante com Negan.

E enquanto fã que continua seguindo a série pelo apego que tem aos personagens, admito, isso bateu forte.

São nos momentos de despedida que encaramos o fato de que ele não venceu o mundo, como Lori disse em seu “leito de morte”. Carl Grimes perdeu. E com isso todos nós também perdemos todo o potencial que o personagem possuiu. Todos os enredos que estão nos quadrinhos terão de ser adaptados. E nós sabemos como as adaptações em The Walking Dead são perigosas.

Chandler Riggs não era meu ator preferido, mas eu o vi crescer na tela. Carl nunca foi meu personagem preferido na série. Nos quadrinhos sim, ele ganha disparado. Já na série, não foram poucos os momentos em que tive abusinho dele… E só agora, nos momentos finais, em seus discursos, percebi que ele foi o único personagem que não foi estático em seu desenvolvimento.

 

Melhor amadurecimento

Esqueçam Lori, Andrea, Hershel, Beth ou mesmo Glenn. A morte de Carl sim será um catalisador para acontecimentos futuros e guiará Rick para um novo começo. Se tudo o que ele fez até agora foi por Carl, o que ele irá fazer continuará sendo pelo filho.

Um momento tão importante, dividindo o episódio com o “resgate de Ezekiel” e todo aquele dilema de Morgan, nos leva novamente às críticas para as decisões tomadas na sala dos roteiristas. Afinal, quando o momento da emoção começava a ser construído nas cenas entre Carl, MIchone e Rick, logo éramos retirados bruscamente para o Reino.

Havia uma ligação com a despedida daquele personagem que não nos foi permitida sentir. Se uma decisão tão grande foi tomada, o público deveria ter sido respeitado em sua experiência com os protagonistas. Não dá pra entender o motivo de a edição do episódio ter sido feita dessa forma. Talvez uma tentativa de contrastar o amadurecimento de Carl com e imaturidade de Henry. Mas, independente da razão, Carl Grimes merecia um momento só seu, como tantos outros personagens já tiveram.

Há quem tenha criticado a reação comedida de Rick diante da perda do filho, visto todos os surtos emocionais diante da ameaça à vida do garoto. Não há receita de bolo para como um pai deve reagir a morte de um filho. Principalmente um pai que está em meio a batalhas constantes e que vê todos os seus esforços ao longo de 8 temporadas serem perdidos diante da ameaça mais simples (afinal, os walkers deixaram de ser um perigo real há algum tempo na série). O que é possível entender, da atuação de Andrew Lincoln é que uma reação mais radical, teria transformado a jornada de seu filho em algo vazio.

E, apesar de entender a coerência desta morte para os rumos que Rick irão tomar, não dá para negar a sensação de que Chandler Riggs e seu Carl Grimes mereciam mais.

Ou talvez isso seja só a voz do luto falando. RIP Carl.

Sobre o Autor

Ana Paula Souza

Psicóloga por vocação, Cientista da Religião por curiosidade e bailarina por paixão. Às vezes metáforas descrevem o mundo melhor que dissertações.

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